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Explosão de casos de SRAG coloca MS em alerta

Infecções crescentes entre crianças pequenas e indícios de aumento entre adultos e idosos preocupam autoridades de saúde; Fiocruz aponta nível de risco elevado no estado

Mato Grosso do Sul está enfrentando um cenário preocupante de saúde pública. O mais recente boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (10), aponta para um aumento expressivo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no estado. O crescimento é classificado como de “alto risco” e afeta principalmente crianças pequenas, sendo atribuído, em grande parte, ao vírus sincicial respiratório (VSR).

De acordo com o relatório, que analisa a evolução da síndrome entre os dias 30 de março e 5 de abril (semana epidemiológica 14), além do VSR, já começam a surgir sinais do aumento de infecções causadas pelo vírus da influenza. Em Mato Grosso do Sul, esse crescimento também já atinge jovens, adultos e idosos, o que amplia a preocupação das autoridades e profissionais da saúde.

Crianças na linha de frente do contágio

A pesquisadora Tatiana Portela, uma das especialistas envolvidas no estudo da Fiocruz, destaca que este é o início do período mais crítico do ano para infecções respiratórias. “É fundamental que os grupos prioritários, como crianças entre seis meses e seis anos, gestantes e idosos, recebam a vacina contra a gripe. Isso pode evitar complicações graves”, afirma.

O vírus sincicial respiratório, que já representa mais da metade dos casos positivos entre os pacientes com SRAG nas últimas quatro semanas, é conhecido por provocar infecções severas nas vias respiratórias, principalmente em bebês e crianças pequenas. Segundo os dados, 50,4% dos casos recentes estão relacionados ao VSR.

Tendência nacional segue em alta

Embora o alerta em Mato Grosso do Sul seja mais intenso, o cenário nacional também preocupa. O boletim da Fiocruz aponta que, em todo o país, há um aumento contínuo de casos tanto a curto (últimas três semanas) quanto a longo prazo (últimas seis semanas). Esse crescimento também é puxado principalmente por infecções em crianças de até dois anos, reforçando a presença dominante do VSR nesta fase do ano.

Nas últimas quatro semanas, os dados laboratoriais mostram uma diversidade de vírus em circulação entre os pacientes com SRAG: 10,3% dos casos foram causados por influenza A, 1,6% por influenza B, 31,4% por rinovírus e 9,2% por Sars-CoV-2 (Covid-19), além dos já citados 50,4% atribuídos ao VSR.

Quando se trata dos óbitos, no entanto, o cenário muda um pouco: a Covid-19 ainda representa a maior parte das mortes por SRAG confirmadas (57,9%), seguida por rinovírus (19,5%), influenza A (11%) e o vírus sincicial respiratório (6,7%). Isso indica que, embora o VSR seja mais prevalente entre os casos leves e moderados, o Sars-CoV-2 ainda tem grande impacto sobre os casos mais graves e fatais.

Recomendações das autoridades

Diante do avanço dos casos, a Fiocruz e especialistas da área recomendam cuidados redobrados, principalmente entre os grupos mais vulneráveis. Além da vacinação contra a gripe, o uso de máscaras em ambientes fechados, o distanciamento social em locais de grande circulação e a busca por atendimento médico logo nos primeiros sintomas gripais são práticas essenciais neste momento.

Tatiana Portela reforça que os cuidados precisam ser retomados com a mesma seriedade adotada durante a pandemia de Covid-19. “Mesmo que a pandemia esteja sob controle, o vírus ainda circula, assim como outros que podem ser perigosos. É preciso estar atento, especialmente neste período de transição para o outono, quando os casos respiratórios naturalmente aumentam”, ressalta.

Sistema de saúde em alerta

Em Campo Grande, a situação já começa a sobrecarregar unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais pediátricos. Em muitas unidades, o tempo de espera para atendimento aumentou significativamente nos últimos dias, e há registro de internações prolongadas por complicações respiratórias em crianças.

Com a tendência de alta se mantendo, as autoridades de saúde avaliam medidas preventivas para evitar um colapso no sistema de atendimento. Entre as alternativas em discussão estão o reforço de profissionais nas unidades de emergência, a reativação de leitos especializados e campanhas de conscientização sobre a importância da vacinação.

Mais de 31 mil casos já notificados em 2025

Desde o início do ano epidemiológico, o Brasil já notificou 31.796 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Desses, 12.527 (39,4%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 14.113 (44,4%) foram negativos, e pelo menos 3.060 (9,6%) ainda aguardam confirmação.

Com o avanço da sazonalidade típica das doenças respiratórias, a expectativa é de que os números continuem subindo ao longo das próximas semanas. A recomendação dos especialistas é clara: prevenção, vacinação e atenção aos primeiros sintomas são fundamentais para evitar agravamentos.

Em Mato Grosso do Sul, onde o alerta é máximo, o momento é de cautela e ação rápida. A população é orientada a buscar os postos de vacinação e a adotar medidas básicas de higiene e proteção respiratória para evitar que o sistema de saúde entre em colapso.

Para mais notícias sobre saúde, acesse o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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