Paulo Matos diz que produtor já avançou na genética e agora precisa se preparar para novas exigências do mercado
Preparar a pecuária para as exigências que vêm de fora da fazenda será um dos principais temas da terceira edição da Expogenética MS. O evento, promovido pela Associação Sul-Mato-Grossense dos Criadores de Nelore (Nelore/MS), será realizado de 29 de outubro a 8 de novembro, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande.
Em entrevista ao Giro Estadual de Notícias, do Grupo Feitosa de Comunicação, o presidente da Nelore/MS, Paulo Matos, afirmou que o setor avançou de forma significativa dentro das propriedades, principalmente na genética, na sanidade e na produção de animais mais jovens.
Segundo ele, o próximo passo envolve questões como rastreabilidade, mercado, proteção contra oscilações de preços, reforma tributária e novas exigências dos compradores de carne. A preocupação, explicou, é preparar o produtor antes que essas exigências se tornem obrigatórias ou passem a ser usadas nas negociações.
“Precisamos sair na frente e fazer essa lição para que, quando for cobrado, a gente tenha tudo pronto”, afirmou.

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Pecuária reduziu idade de abate
Uma das mudanças destacadas por Paulo Matos está relacionada ao tempo necessário para levar o gado ao abate. Segundo ele, há algumas décadas, os animais podiam permanecer de cinco a sete anos na propriedade antes do abate.
Hoje, conforme os dados apresentados pelo presidente da Nelore/MS, a média caiu para cerca de 24 meses. Os animais chegam ao abate com aproximadamente 22 a 23 arrobas e rendimento de carcaça entre 56% e 57%.
Para Matos, o avanço é resultado do trabalho realizado pelos criadores em parceria com profissionais especializados. O melhoramento genético, o manejo, a sanidade e outros cuidados contribuíram para aumentar a eficiência da produção.
O resultado também chega ao consumidor. Segundo ele, a evolução buscou melhorar características como maciez, gordura e marmoreio da carne que chega aos açougues e supermercados.
“Hoje, a média de abate caiu para 24 meses, com um animal de 22 a 23 arrobas, rendimento de carcaça de 56% a 57%, maciez excepcional e marmoreio fantástico”, afirmou.
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Rastreabilidade entra no centro das discussões
Depois dos avanços dentro da propriedade, a preocupação agora está voltada para o que acontece depois que o animal deixa a fazenda.
A rastreabilidade individual está entre os principais assuntos da Expogenética 2026. A ideia é permitir o acompanhamento da trajetória de cada animal, algo que, segundo Matos, tende a ganhar importância conforme os mercados compradores aumentam as exigências.
O presidente da Nelore/MS afirmou que a associação já possui um programa de rastreabilidade individual, mas defendeu maior participação do poder público para que a implantação avance.
Para ele, antecipar esse processo pode evitar dificuldades futuras nas negociações internacionais de carne bovina.
“Precisamos sair na frente para não sermos pegos de surpresa”, resumiu.
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Produtor também precisa olhar para o mercado
A programação da Expogenética pretende ampliar o debate para temas que vão além da produção de gado. Entre as palestras previstas estão assuntos relacionados ao mercado de capitais, questões jurídicas envolvendo propriedades rurais, sucessão familiar e impactos da reforma tributária no agronegócio.
Matos afirma que o produtor precisa conhecer melhor as ferramentas disponíveis para administrar os riscos da atividade. A intenção é ajudar o pecuarista a entender custos, preços e alternativas para lidar com as oscilações do mercado.
Segundo ele, conhecer instrumentos de proteção de preços pode ajudar o produtor a tomar decisões com mais segurança.
A reforma tributária também será discutida. Para Matos, o tema ainda gera dúvidas entre produtores e precisa ser acompanhado pelo setor para que os impactos sobre a atividade sejam compreendidos.
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Genética para pequenos produtores
Outro projeto destacado pelo presidente da Nelore/MS envolve o acesso dos pequenos criadores à genética melhoradora.
Segundo Matos, muitos produtores com rebanhos menores não participam de leilões por entenderem que esses eventos não são voltados para eles ou por não terem acesso a condições de financiamento.
No ano passado, a associação fez uma parceria com uma cooperativa de crédito para oferecer uma alternativa. Foi realizada uma feira virtual, com orientação de técnicos e financiamento para a aquisição dos animais.
A iniciativa permitiu que pequenos produtores comprassem touros melhoradores para seus rebanhos. Segundo Matos, a intenção é repetir o projeto neste ano.
A proposta é ampliar o acesso à genética e permitir que produtores de diferentes tamanhos possam investir na qualidade dos animais.
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Feira terá negócios, animais e entretenimento
Além das discussões técnicas, a Expogenética terá exposição e julgamento de animais, leilões e atividades equestres. Entre as provas estão laço, tambor, ranch sorting e team penning.
O evento também receberá uma etapa da PBR, campeonato mundial de montaria em touros, além de shows e estandes de empresas ligadas ao agronegócio.
Segundo Matos, a programação deve movimentar também a economia de Campo Grande. A expectativa apresentada por ele é de ocupação de cerca de 400 leitos de hotel apenas com a programação da PBR e dos shows.
Na edição anterior, segundo o presidente da Nelore/MS, aproximadamente mil empregos diretos foram gerados dentro da feira. As funções incluem atendimento, manejo de animais, montagem, limpeza, serviços elétricos, som, gerência e atuação de veterinários.
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Onze pavilhões serão usados para animais
O Parque de Exposições Laucídio Coelho terá os 11 pavilhões ocupados por animais durante a Expogenética.
Parte do gado será destinada à genética melhoradora e outra parte participará dos julgamentos. A programação inclui Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pintado.
A feira conta com apoio da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), responsável pelo parque. Segundo Matos, a parceria contribui para a realização do evento no local.
A entrada será gratuita.
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Evento quer aproximar consumidor da pecuária
Para Paulo Matos, a Expogenética também tem a função de aproximar a população urbana da realidade da produção de carne.
A intenção é mostrar o caminho percorrido pelo animal até chegar ao consumidor e explicar como investimentos em genética, manejo e tecnologia influenciam a qualidade da carne.
O presidente da Nelore/MS também defende equilíbrio entre produtores, indústria e varejo para que cada etapa da cadeia tenha uma remuneração adequada e o consumidor tenha acesso a um produto de qualidade.
Segundo Matos, a pecuária também possui impacto direto na geração de empregos e na movimentação econômica de Mato Grosso do Sul, envolvendo desde as propriedades rurais até empresas de máquinas, insumos, serviços técnicos e a indústria da carne.
A Expogenética será realizada de 29 de outubro a 8 de novembro, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, com entrada gratuita, programação técnica, exposição de animais, negócios, provas equestres, etapa da PBR e shows.