Pesquisas indicam que o tom pode influenciar o desempenho dos chatbots, mas clareza e contexto continuam sendo mais importantes
Dizer “por favor” e “obrigado” ao conversar com ferramentas de inteligência artificial pode alterar as respostas recebidas, mas ainda não existe consenso científico de que a cordialidade produza resultados melhores.
Pesquisas realizadas com grandes modelos de linguagem chegaram a conclusões diferentes. Enquanto alguns testes indicaram pior desempenho diante de comandos agressivos, outros apontaram maior precisão em solicitações formuladas de maneira rude.
As divergências mostram que o tom usado na conversa pode influenciar o comportamento do sistema, mas não substitui um comando claro, específico e bem estruturado.
Usuários tratam chatbots como pessoas
Muitas pessoas adotam regras de convivência social ao interagir com assistentes virtuais, chatbots e robôs. Mesmo sabendo que estão diante de um sistema tecnológico, usuários costumam agradecer, pedir licença e usar apelidos para as ferramentas.
Pesquisa da empresa Future apontou que 70% dos entrevistados nos Estados Unidos afirmaram conversar com sistemas de inteligência artificial de maneira educada.
Parte dos usuários considera a cordialidade um hábito natural. Outros dizem agir assim porque as ferramentas imitam características humanas e respondem de forma conversacional.
Estudo identificou piora com comandos agressivos
Pesquisa realizada em 2024 por cientistas da Universidade de Waseda, em Tóquio, analisou como o tom dos comandos poderia interferir nas respostas dos modelos de linguagem.
Os pesquisadores observaram que solicitações mal-educadas aumentaram a ocorrência de respostas incorretas ou recusas em alguns sistemas avaliados.
O trabalho também identificou variações entre idiomas. Modelos configurados em japonês, inglês e chinês apresentaram comportamentos diferentes conforme o nível de cordialidade empregado.
Em determinados testes em japonês, comandos excessivamente educados também tiveram desempenho um pouco inferior, o que sugere que o efeito não segue uma regra simples.
Outra pesquisa encontrou resultado contrário
Estudo da Universidade da Pensilvânia avaliou 50 perguntas escritas em cinco níveis de tratamento: muito educado, educado, neutro, rude e muito rude.
Nesse experimento, os comandos classificados como muito rudes alcançaram precisão de 84,4%. Os pedidos muito educados registraram 80,8%.
O resultado contrariou a expectativa de que a cordialidade produziria respostas mais corretas. Os próprios pesquisadores, porém, destacaram que o desempenho pode variar conforme o modelo, o tipo de pergunta e a metodologia empregada.
Modelos mudam rapidamente
Diferenças entre os estudos podem estar relacionadas às versões dos sistemas avaliados. Ferramentas de inteligência artificial são atualizadas com frequência e podem reagir de maneiras distintas a pequenas alterações no texto.
Idioma, tamanho do comando, contexto, organização das informações e tipo de tarefa também influenciam a resposta.
Por isso, um resultado obtido em determinado modelo não necessariamente será repetido em outra ferramenta ou após uma atualização.
Clareza importa mais do que gentileza
Especialistas em comandos para inteligência artificial recomendam priorizar instruções diretas e detalhadas. Informar o objetivo, o formato desejado, o público e as limitações da tarefa costuma produzir resultados mais consistentes.
Em vez de escrever apenas “faça um texto sobre inteligência artificial”, o usuário pode explicar qual será o tamanho, o tom, os tópicos necessários e a finalidade do conteúdo.
A cordialidade pode ser mantida sem prejuízo. No entanto, dizer “por favor” não compensa informações incompletas ou instruções contraditórias.
Como escrever um comando melhor
- Explique com clareza o que precisa ser feito
- Informe o público ao qual a resposta será destinada
- Defina o formato e o tamanho desejados
- Forneça contexto suficiente sobre a tarefa
- Indique o que deve ser evitado
- Peça a verificação de pontos importantes
- Revise a resposta antes de utilizá-la
