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Por que Flávio Bolsonaro escolheu Alfredo Gaspar para vice

Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa do PL - Foto: Cristiano Mariz

Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa do PL - Foto: Cristiano Mariz

Experiência em segurança, atuação na CPI do INSS e falta de alianças partidárias pesaram na mudança de estratégia

Deputado federal Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas, foi escolhido para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. A decisão encerrou meses de indefinição e contrariou o plano inicial do senador de ter uma mulher como companheira de campanha.

O anúncio ocorreu na quarta-feira (5), em Brasília. Gaspar vinha sendo preparado pelo partido para disputar o Senado por Alagoas, mas abandonou o projeto estadual para integrar a corrida ao Palácio do Planalto.

A escolha reuniu três objetivos principais: fortalecer o discurso de segurança pública, explorar politicamente as investigações sobre irregularidades no INSS e tentar ampliar a presença da candidatura no Nordeste.

Falta de aliança reduziu as opções

Flávio Bolsonaro tentou atrair partidos do Centrão para formar uma coligação e buscar um nome de outra legenda para a vice. União Brasil, PP e Republicanos, porém, não aderiram à candidatura e optaram pela neutralidade na disputa presidencial.

Sem acordo, o PL decidiu formar uma chapa com dois integrantes do próprio partido. Alfredo Gaspar passou a ser considerado uma alternativa segura na reta final das convenções, embora tenha menor projeção nacional do que outros nomes avaliados anteriormente.

A composição limita a ampliação formal da aliança, mas evita novas negociações em um momento no qual o prazo para definir as candidaturas estava terminando.

Segurança pública pesou na escolha

Alfredo Gaspar construiu a maior parte da carreira no Ministério Público de Alagoas. Atuou como promotor de Justiça, procurador-geral de Justiça e secretário estadual de Segurança Pública.

O histórico oferece à campanha um nome diretamente ligado ao combate ao crime, uma das principais bandeiras eleitorais do PL.

Gaspar também presidiu grupos de combate às organizações criminosas em Alagoas antes de entrar na política partidária. Em 2022, foi eleito deputado federal com pouco mais de 102 mil votos.

CPI do INSS deu projeção nacional

Outro fator decisivo foi a atuação de Gaspar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou irregularidades envolvendo aposentados e pensionistas do INSS.

O relatório apresentado por ele tinha mais de quatro mil páginas e pedia o indiciamento de 216 pessoas. O texto acabou rejeitado pela comissão por 19 votos a 12, mas aumentou a exposição nacional do deputado.

A campanha avalia que essa experiência permitirá concentrar o debate em fiscalização, corrupção e proteção dos aposentados. O discurso também deverá ser usado para questionar o governo Lula ao longo da campanha.

Nome busca ampliar presença no Nordeste

Natural de Alagoas, Gaspar também foi escolhido com a expectativa de reduzir a desvantagem eleitoral do PL no Nordeste, região historicamente favorável a Lula.

Ao ser apresentado, o deputado enfatizou sua origem nordestina e sua trajetória na segurança pública.

A escolha não garante uma mudança imediata no eleitorado regional, mas oferece à chapa um representante com atuação política e profissional em um estado do Nordeste. Analistas ouvidos por veículos nacionais apontam esse componente regional como uma das razões da indicação.

Plano inicial previa uma mulher

Durante a pré-campanha, Flávio Bolsonaro afirmou em diferentes ocasiões que preferia ter uma mulher na vaga de vice.

A estratégia buscava reduzir a resistência entre eleitoras e ampliar o espaço da ala feminina do partido. Nomes como o da senadora Tereza Cristina chegaram a ser discutidos, mas as conversas não avançaram.

A indicação de Gaspar provocou frustração entre algumas integrantes do PL Mulher. Mesmo assim, Michelle Bolsonaro manifestou apoio público à chapa após o anúncio.

Vice deixou disputa ao Senado

Antes de ser escolhido para a chapa presidencial, Gaspar havia sido oficializado como candidato ao Senado por Alagoas.

A mudança exigiu uma reorganização rápida do PL no estado. O parlamentar deixou uma disputa considerada competitiva para assumir uma candidatura nacional com Flávio Bolsonaro.

O deputado já havia concorrido à Prefeitura de Maceió em 2020. Naquela eleição, terminou o primeiro turno na liderança, mas foi derrotado na votação final.

Chapa ainda precisa ser registrada

A escolha feita pelo PL ainda depende do pedido formal de registro na Justiça Eleitoral.

Partidos, federações e coligações têm até 15 de agosto para apresentar os documentos das candidaturas. Depois disso, a Justiça verificará as condições de elegibilidade e poderá analisar eventuais contestações.

A propaganda eleitoral estará autorizada a partir de 16 de agosto.

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