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Estágio de foguete da SpaceX deve atingir a Lua nesta quarta-feira

Estágio superior de outro Falcon 9 deve atingir a superfície da Lua nesta quarta-feira - Foto: Aubrey Gemignani/NASA via Getty Images

Objeto de quase quatro toneladas deve colidir a 8,7 mil km/h e pode abrir uma cratera de até 30 metros

Estágio superior descartado de um foguete Falcon 9, da SpaceX, deve atingir a superfície da Lua na madrugada desta quarta-feira (5). A colisão está prevista para ocorrer por volta das 3h34, no horário de Brasília, a uma velocidade aproximada de 2,43 quilômetros por segundo, equivalente a 8.748 quilômetros por hora.

O objeto tem massa estimada em 3,9 toneladas e deve cair nas proximidades da cratera Einstein, perto da borda visível do satélite. Pesquisadores avaliam que o impacto poderá produzir um clarão breve e lançar uma extensa nuvem de poeira lunar.

Da esquerda para a direita, o astronauta Thomas Pesquet da ESA (Agência Espacial Europeia), os astronautas da NASA Megan McArthur e Shane Kimbrough e o astronauta Akihiko Hoshide da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) • Aubrey Gemignani/NASA via Getty Images
Da esquerda para a direita, o astronauta Thomas Pesquet da ESA (Agência Espacial Europeia), os astronautas da NASA Megan McArthur e Shane Kimbrough e o astronauta Akihiko Hoshide da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) • Aubrey Gemignani/NASA via Getty Images

Peça foi lançada em missão de 2025

O estágio fez parte do lançamento realizado em 15 de janeiro de 2025, que levou ao espaço os módulos lunares Blue Ghost Mission 1, da Firefly Aerospace, e Resilience, da empresa japonesa ispace.

Depois de liberar as duas espaçonaves em uma trajetória em direção à Lua, a estrutura do Falcon 9 permaneceu em uma órbita elevada que cruza o caminho do satélite natural.

Sem combustível suficiente para realizar uma manobra controlada de descarte, o estágio continuou circulando pelo espaço até entrar na rota de colisão prevista pelos pesquisadores.

Falcon 9 aparece durante missão tripulada da SpaceX para a Estação Espacial Internacional – Foto: Aubrey Gemignani/NASA via Getty Images

Impacto pode formar cratera de até 30 metros

Estimativas apresentadas no estudo indicam que a colisão deverá liberar aproximadamente 11,5 gigajoules de energia cinética.

O choque pode formar uma cratera com diâmetro entre 20 e 30 metros, embora o tamanho exato dependa da composição do solo, da posição do foguete e do ângulo da queda.

A previsão é de que o objeto atinja a superfície em um ângulo próximo de 34 graus em relação à vertical. A orientação exata da estrutura no momento da colisão ainda não pode ser determinada.

Poeira pode alcançar dezenas de quilômetros

Simulações indicam que a camada principal de detritos poderá subir de 15 a 20 quilômetros acima da superfície.

Uma coluna central de material ejetado poderá alcançar entre 75 e 100 quilômetros de altura. Parte da poeira também poderá espalhar-se lateralmente por mais de 180 quilômetros a partir do ponto de impacto.

Os números são previsões científicas e podem mudar conforme as condições reais encontradas no local.

Fenômeno poderá ser observado?

O clarão inicial deverá durar menos de um segundo e provavelmente não será visível a olho nu.

Telescópios profissionais e equipamentos usados por astrônomos amadores poderão tentar registrar o impacto, especialmente a nuvem de poeira formada nos segundos e minutos seguintes.

A região estará iluminada pelo Sol e localizada perto da borda da Lua vista da Terra. Essas condições podem ajudar na observação do material lançado acima da superfície, mas o brilho exato continua difícil de prever.

Evento será usado em pesquisas

A colisão oferece uma oportunidade incomum para estudar um impacto cujo horário, velocidade, massa e provável localização são conhecidos antecipadamente.

Os registros poderão ajudar cientistas a analisar a formação de crateras, o deslocamento da poeira lunar e a reação do solo ao choque de grandes objetos.

As informações também poderão contribuir para o desenvolvimento de técnicas destinadas a localizar impactos por meio de imagens, sinais sísmicos e observações feitas da Terra ou do espaço.

Impactos artificiais já ocorreram antes

Choques de partes de foguetes contra a Lua não são inéditos. Estágios usados nas missões Apollo foram direcionados à superfície para produzir sinais analisados por instrumentos instalados pelos astronautas.

Em 2009, a missão LCROSS, da NASA, lançou deliberadamente um estágio de foguete contra uma cratera próxima ao polo sul lunar para estudar o material levantado pela colisão.

Outro fragmento espacial atingiu a Lua em março de 2022 e deixou uma cratera dupla. O episódio chamou atenção porque a origem exata do objeto permaneceu em discussão durante parte da investigação.

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