Ícone do site Portal E-Brasil

Forte Coimbra completa 250 anos e será restaurado

Localizado no Pantanal, o Forte Coimbra é um marco da história militar brasileira e, aos 250 anos, terá restauração completa com apoio do Governo de Mato Grosso do Sul e do Exército Brasileiro.

Um dos maiores símbolos da história de Mato Grosso do Sul e do Brasil, o Forte Coimbra completou 250 anos e ganhará uma restauração completa. O monumento, que se ergue às margens do Rio Paraguai, no coração do Pantanal sul-mato-grossense, foi palco de momentos decisivos da história nacional, da defesa de fronteiras à resistência em guerras, e agora se prepara para uma nova fase — desta vez voltada à preservação, turismo e valorização cultural.

A celebração dos 250 anos ocorreu no último dia 20 de setembro, em uma cerimônia militar organizada pelo Comando Militar do Oeste (CMO), com a presença do governador Eduardo Riedel, do ministro da Defesa, José Múcio, do comandante do Exército, general Tomás Paiva, e de diversas autoridades civis e militares. Durante o evento, foi lançada a pedra fundamental da obra de restauração, orçada em R$ 19 milhões, que marca o início de uma nova etapa na trajetória do Forte.

Um monumento que resiste ao tempo

Construído em 1775, o Forte Coimbra foi uma das primeiras grandes obras militares erguidas em território que hoje pertence ao Mato Grosso do Sul. Localizado em uma região estratégica — próxima à tríplice fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai —, sua missão original era proteger o território português de incursões espanholas, durante um período em que as fronteiras sul-americanas ainda estavam sendo definidas.

Ao longo dos séculos, a fortaleza testemunhou conflitos, guerras e transformações geopolíticas que moldaram o Brasil moderno. Sua resistência heroica durante episódios como a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) ficou registrada na memória nacional como um exemplo de bravura e estratégia militar.

Hoje, o Forte é tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 1974, e abriga uma pequena vila onde vivem famílias de militares e devotos de Nossa Senhora do Carmo, padroeira local. Todos os anos, no dia 16 de julho, o local se transforma em um ponto de peregrinação e fé, em uma das festas religiosas mais antigas do Estado.

Uma nova fase: restauração e reconhecimento mundial

A restauração do Forte Coimbra será conduzida em parceria entre o Iphan, o CMO e a Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (APPA), que ficará responsável pela captação dos recursos por meio da Lei de Incentivo à Cultura. O objetivo é garantir a preservação arquitetônica e estrutural do monumento, respeitando suas características originais, mas adaptando o espaço para receber visitantes e atividades educativas.

Com a revitalização, o monumento também poderá pleitear o título de Patrimônio Mundial da Unesco, o que colocaria Mato Grosso do Sul e o Pantanal em evidência no cenário internacional. O reconhecimento reforçaria o valor histórico e cultural do Forte, além de atrair investimentos e fomentar o turismo sustentável na região.

O governador Eduardo Riedel destacou o simbolismo do momento:

“A gente não pode esquecer, em momento algum, da nossa origem e de onde viemos. O Mato Grosso do Sul vive um ciclo de crescimento e transformação, e associar sustentabilidade à preservação da nossa história é um ativo imaterial de valor inestimável”, afirmou.

O ministro da Defesa, José Múcio, também ressaltou a importância de proteger o legado histórico.

“A melhor forma de projetar o futuro é conhecer e respeitar o passado. O Forte Coimbra é símbolo de resistência e patriotismo. Precisamos cuidar da nossa história para que as próximas gerações saibam o quanto foi difícil consolidar o país que temos hoje”, disse.

Investimento e acesso sustentável

Além da restauração, o Governo do Estado está investindo R$ 40 milhões na implantação da MS-454, estrada que dará acesso terrestre permanente ao Forte, facilitando o deslocamento de visitantes e moradores. A iniciativa faz parte de um plano para fomentar o turismo histórico e ecológico no Pantanal, promovendo a integração entre desenvolvimento sustentável e preservação ambiental.

“A nossa história é importante não só para o Mato Grosso do Sul, mas para o Brasil inteiro. Queremos viabilizar o acesso e potencializar o Forte como destino turístico e educativo. Com o apoio do Exército e da iniciativa privada, esse será um patrimônio reconhecido globalmente”, reforçou Riedel.

Herança de lutas e fé

A fundação do Forte Coimbra remonta ao século XVIII, quando o capitão Matias Ribeiro da Costa, a mando do então Capitão-General Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, ergueu uma fortificação de madeira e palha para garantir a presença portuguesa na região e conter o avanço espanhol.

Com o tempo, o posto ganhou estrutura de pedra e cal, sob a liderança do tenente-coronel Ricardo Franco de Almeida Serra, que projetou uma edificação robusta e estrategicamente posicionada. Em 1801, com apenas 50 soldados e 60 civis, o Forte resistiu por nove dias ao cerco de quatro navios espanhóis, um dos episódios mais notáveis da história militar brasileira.

Mais tarde, durante a Guerra do Paraguai, em 1864, o Forte voltou a ser atacado — e novamente resistiu. Reza a tradição local que a imagem de Nossa Senhora do Carmo, erguida por um soldado no momento da batalha, teria intimidado os invasores e protegido os defensores, reforçando a devoção que permanece viva até hoje.

Um patrimônio do Brasil para o mundo

Após séculos de batalhas, fé e resistência, o Forte Coimbra segue como símbolo da história, soberania e identidade sul-mato-grossense. A restauração representa não apenas uma intervenção física, mas um ato de reconhecimento do passado e um investimento no futuro — unindo Estado, Exército e comunidade em torno da preservação de um dos monumentos mais emblemáticos do país.

Quando reaberto, o espaço deve se transformar em um centro de visitação e educação patrimonial, conectando história, turismo e sustentabilidade em plena paisagem pantaneira.

Assim, o Forte Coimbra, que há 250 anos defende as fronteiras do Brasil, segue de pé — agora como símbolo vivo da memória nacional e da força do povo sul-mato-grossense.

Confira mais notícias sobre o que acontece no interior de MS no Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

Sair da versão mobile