Foto viralizou nas redes sociais e mobilizou até o Ibama, mas jovem de 18 anos admite que criou a imagem com inteligência artificial como brincadeira de família.
A imagem de uma suposta onça-pintada circulando pela Vila Nasser, em Campo Grande (MS), causou alvoroço nas redes sociais, mobilizou moradores da região norte da capital e até motivou fiscalização por parte do Ibama e da Polícia Militar Ambiental (PMA). No entanto, a verdade veio à tona: a cena nunca existiu. A “onça” foi gerada por inteligência artificial por um jovem de 18 anos, que queria apenas brincar com a avó.
O caso ganhou repercussão no último final de semana após a foto da onça, aparentemente passeando tranquilamente por uma rua residencial, circular por grupos de WhatsApp. A imagem continha sinais visíveis de manipulação digital, como tons artificiais, falta de reflexo e sombras inconsistentes. Ainda assim, muitos acreditaram se tratar de um flagrante real.
A pegadinha virou caso sério
A reportagem do Jornal Midiamax esteve no endereço da foto e conversou com a família envolvida. Heriberto Custódio, pai do autor da imagem, explicou que tudo começou como uma brincadeira inocente.
“Foi o moleque, o menino de casa. Ele tirou uma foto da rua e depois montou a onça na imagem com um aplicativo de inteligência artificial. Mandou brincando para a avó e alguns amigos. Mas se espalhou de um jeito que ninguém imaginava”, contou o comerciante.
Segundo Heriberto, o filho — que não teve o nome divulgado — usou uma ferramenta de IA generativa, semelhante às disponíveis em aplicativos populares como DALL·E, Midjourney ou Photoshop com IA, para criar a imagem. A intenção nunca foi enganar a população, apenas se divertir. “Nem passou pela cabeça dele que fosse causar tudo isso. Foi só zoeira de internet”, completou o pai.
Ibama e PMA entraram em ação
Apesar da origem falsa da imagem, o medo já havia se espalhado. Na quinta-feira (2), o vereador Veterinário Francisco (União Brasil) levou o suposto caso para a tribuna da Câmara Municipal de Campo Grande, alertando que uma onça-pintada e seu filhote estariam circulando pelos bairros da região norte da cidade.
A partir daí, começaram os boatos: surgiram relatos não confirmados de que a onça teria atacado um potro em uma área rural próxima e, posteriormente, testemunhas teriam ouvido rugidos durante a noite.
A Polícia Militar Ambiental foi acionada para investigar a possível presença do animal na cidade. Em nota oficial, a PMA afirmou que realizou vistorias na região, mas não encontrou qualquer indício da presença de onças-pintadas.
“Mesmo sem confirmação, a área permanece sob monitoramento contínuo. A PMA também reforçou orientações para que moradores redobrem os cuidados em áreas de mata, sobretudo no período noturno.”
Desmentido do Ibama
Na sexta-feira, o Ibama também se pronunciou. Joanice Lube Battilani, superintendente estadual do órgão, classificou os rumores como “informações falsas”, destacando que não há nenhum registro oficial de ataque de onça em Campo Grande nos últimos meses.
Ela afirmou ainda que notificações fantasiosas atrapalham o trabalho de fiscalização e causam pânico desnecessário na população. “Há seis meses surgem boatos de onças em Rochedinho, mas até hoje não encontramos nada. Tudo aponta para desinformação”, disse Joanice.
Recomendações continuam válidas
Apesar de tudo não passar de uma pegadinha digital, a PMA reforçou a importância de manter protocolos de segurança em áreas próximas a matas, especialmente nos bairros com expansão urbana.
As orientações incluem:
- Evitar circular sozinho em regiões periféricas ou com vegetação densa, principalmente à noite;
- Cuidar de crianças e mantê-las sempre sob supervisão;
- Recolher animais domésticos em locais protegidos após o entardecer;
- Não deixar restos de comida ou lixo orgânico expostos, que possam atrair animais silvestres.
O impacto das imagens criadas por IA
Este episódio levanta um alerta sobre o uso crescente da inteligência artificial para manipular imagens, que muitas vezes acabam sendo compartilhadas sem verificação de veracidade. Com ferramentas cada vez mais acessíveis, qualquer pessoa pode criar imagens hiper-realistas, o que demanda mais atenção dos usuários na hora de compartilhar conteúdos em redes sociais e grupos de mensagem.
Segundo especialistas, é fundamental estimular o senso crítico e educar a população sobre os riscos da desinformação digital, especialmente quando envolvem temas sensíveis como segurança pública e meio ambiente.
Enquanto a onça-pintada da Vila Nasser nunca existiu de fato, o episódio serviu como exemplo do poder — e do perigo — das novas tecnologias de criação de imagens. E, claro, como uma simples brincadeira de neto para avó pode sair do controle em tempos de viralização instantânea.
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Autoria: Sarah Pacini