Onda de frio intensa marca o início do inverno no sul do Estado; Dourados, Ponta Porã e outras cidades registram paisagens cobertas de gelo e mínimas quase negativas
A chegada do inverno foi marcada por um forte episódio de geada que atingiu 18 municípios de Mato Grosso do Sul nesta terça-feira (24), surpreendendo moradores e trazendo de volta o cenário típico dos meses mais frios do ano. A região sul do Estado, conhecida por sofrer com as temperaturas mais baixas, foi a mais afetada, com registros de termômetros próximos a 0°C durante a madrugada.
Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, a onda de frio trouxe temperaturas negativas ou muito próximas disso para cidades como Sete Quedas, Iguatemi, Amambai, Aral Moreira, Caarapó, Laguna Carapã, Ponta Porã, Dourados, Fátima do Sul, entre outras. Em algumas localidades, o fenômeno da geada transformou campos e áreas urbanas em verdadeiros tapetes brancos, em um espetáculo visual que também acende alertas sobre impactos na agricultura e na saúde da população mais vulnerável.
O frio intenso é causado por uma massa de ar polar que se deslocou pelo centro-sul do Brasil. De acordo com os dados da madrugada, Amambai e Sete Quedas chegaram a 0,4°C. Iguatemi marcou 0,6°C, enquanto em Caarapó os termômetros registraram 1,1°C. Em Laguna Carapã e Rio Brilhante, os moradores enfrentaram 1,4°C, seguidos por Aral Moreira com 1,7°C. Em Dourados e Ponta Porã, dois dos maiores centros urbanos da região, as mínimas foram de 2,7°C, acompanhadas de ventos gelados e geada fraca em áreas mais abertas.
Em Ponta Porã, o fenômeno foi ainda mais visível. Um vídeo registrado nas primeiras horas do dia mostrou a Avenida Brasil, uma das principais vias da cidade, coberta por cristais de gelo. A imagem circulou nas redes sociais e virou símbolo do rigor do inverno que começa. O cenário também se repetiu em Rio Brilhante, onde registros fotográficos mostram plantações e pastagens brancas de geada.
A geada, de acordo com especialistas, ocorre quando o ar junto ao solo atinge temperaturas iguais ou inferiores a 0°C, o que provoca a condensação do vapor d’água diretamente em cristais de gelo sobre superfícies expostas. O fenômeno é comum durante o inverno nas regiões mais altas e ao sul do Mato Grosso do Sul, mas a intensidade registrada nesta semana chamou atenção.
As autoridades alertam que o frio ainda não chegou ao seu pico. Para esta quarta-feira (25), a previsão é de novas mínimas semelhantes às desta terça, com potencial para novos episódios de geada, especialmente nas regiões de maior altitude e com céu limpo, o que favorece o resfriamento noturno.
A terça também será marcada por temperaturas máximas bastante baixas. Em Dourados, por exemplo, os termômetros não devem ultrapassar os 12°C, mesmo com presença de sol ao longo do dia. Em outras cidades do cone-sul, como Aral Moreira, Sete Quedas e Ponta Porã, as máximas vão oscilar entre 11°C e 19°C, configurando um dia de frio contínuo, com pouca variação térmica em relação às mínimas registradas ao amanhecer.
No panorama mais amplo do Estado, o frio também se faz presente, ainda que com menor intensidade. No sudoeste e Pantanal, as mínimas variam entre 5°C e 12°C, com máximas chegando a 24°C. Já no bolsão, leste e norte do Mato Grosso do Sul, as temperaturas mínimas devem oscilar entre 6°C e 10°C, com máximas entre 15°C e 25°C.
Além do desconforto térmico, a queda acentuada nas temperaturas acende o sinal de alerta para produtores rurais e órgãos de saúde. Geadas severas podem causar danos significativos em lavouras, especialmente de hortaliças, cana-de-açúcar e pastagens, além de afetar o gado leiteiro com a queda na produção. Já na área da saúde pública, há preocupação com o aumento de casos de doenças respiratórias e com a situação da população em situação de rua, que depende de abrigos e campanhas de doação de agasalhos para suportar o clima hostil.
Com o inverno recém-iniciado, a expectativa é de que novas frentes frias atinjam o Estado ao longo das próximas semanas. Os meteorologistas recomendam atenção especial nas madrugadas e a adoção de medidas de proteção para plantas, animais e pessoas, sobretudo em áreas rurais e periféricas das cidades.
Enquanto isso, os moradores do sul de Mato Grosso do Sul seguem enfrentando os efeitos da estação mais fria do ano com cobertores reforçados, aquecedores ligados e, para muitos, um pouco de encantamento com a beleza silenciosa da geada que cobre o amanhecer.
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Autoria: Sarah Pacini