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Primeiro remédio genérico à base de buspirona chega ao mercado brasileiro

Genérico de remédio para ansiedade que não causa dependência chega ao Brasil

O mercado farmacêutico brasileiro passa a contar com o primeiro medicamento genérico à base de buspirona. A novidade foi anunciada pela farmacêutica nacional Prati-Donaduzzi, responsável pela fabricação do produto, com disponibilidade nas farmácias prevista ainda para este mês.

Alternativa segura para transtorno de ansiedade

A substância é amplamente receitada para o tratamento de transtornos de ansiedade devido ao seu perfil favorável de efeitos colaterais reduzidos. Diferente de calmantes tradicionais, o composto não provoca dependência física e dispensa os sintomas de abstinência típicos da interrupção de remédios mais potentes. A literatura médica aponta que o fármaco também evita sonolência excessiva e preserva a atenção, a memória e a coordenação motora.

Antes desta novidade, a medicação era comercializada exclusivamente sob nomes comerciais como Buspar e Ansitec. Com a entrada da versão sem marca, a legislação nacional determina uma queda de preço de pelo menos 35% em relação ao valor original, facilitando o acesso da população aos cuidados em saúde mental.

Como atua o remédio e quais suas indicações

Especialistas destacam que a buspirona alcança eficácia comparável à dos benzodiazepínicos no combate ao transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Contudo, o produto não é indicado para conter crises agudas, pois sua ação requer uso contínuo e diário.

“A buspirona não tem a proposta de produzir um efeito imediato. É uma alternativa de uso contínuo, que apresenta baixo potencial de dependência e pode ser considerada pelo médico de acordo com o quadro e o perfil do paciente”, explicou à VEJA a neurologista Larissy Degani, da equipe de Prescrição Médica da Prati-Donaduzzi.

O início dos efeitos benéficos costuma aparecer entre duas e quatro semanas após o início do tratamento. Outro ponto positivo é que a substância não interage negativamente potencializando o álcool ou opioides frequentemente prescritos para quadros de dor crônica.

Investigações científicas e novas aplicações

Além da aplicação psiquiátrica tradicional, investigações científicas analisam o uso da molécula em outras condições de saúde. Entre as hipóteses estudadas estão o suporte no combate à depressão, fobia social, ataxia, distúrbios comportamentais pós-traumatismo craniano, além de sintomas associados ao Alzheimer, demências, TDAH e efeitos colaterais do mal de Parkinson.

Outras opções sem risco de dependência

O arsenal terapêutico conta ainda com os inibidores seletivos de recaptação da serotonina, a exemplo de escitalopram, fluoxetina e sertralina, que figuram como primeira linha contra quadros ansiosos.

“Uma das principais vantagens da buspirona [e de outras medicações não benzodiazepínicas] é que seu uso continuado não costuma induzir tolerância farmacológica, ou seja, não exige o aumento progressivo das doses para manter o efeito ansiolítico”, detalha Alaor Carlos de Oliveira Neto, coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Apesar da segurança, os médicos reforçam que a interrupção repentina requer acompanhamento profissional para evitar tonturas, alterações no sono e irritabilidade decorrentes da descontinuação.

Impacto econômico e avaliação médica

Felipe Dias, psiquiatria do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, aponta que o custo elevado do tratamento frequentemente limitava as doses diárias recomendadas aos pacientes. Com caixas de marcas tradicionais alcançando patamares elevados, a concorrência do genérico surge como alívio financeiro para quem necessita de uso prolongado.

A classe médica celebra a novidade por ampliar o leque de escolhas clínicas. “Um benefício é a ampliação das alternativas disponíveis para pacientes que precisam reduzir gradualmente o uso de benzodiazepínicos”, exemplifica Neto.

O medicamento também se consolida como alternativa na rede pública e privada quando outras classes geram efeitos adversos como ganho de peso ou disfunções sexuais. “Dessa forma, ele amplia as possibilidades terapêuticas sem a necessidade de recorrer a medicamentos sujeitos ao controle mais restritivo, como os benzodiazepínicos”, reforça o médico do Oswaldo Cruz.

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