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Gestante garante tratamento e sonha com Dia das Mães

Enfermeira de Campo Grande vence barreiras legais e financeiras para proteger a filha em gestação delicada. Caso reforça a importância do acesso à saúde e celebra o amor materno neste mês das mães.

Neste mês em que o país celebra o Dia das Mães, a história da enfermeira Mayara Brito Teixeira, de 32 anos, emociona e inspira. Moradora de Campo Grande (MS), ela está grávida de Melissa, sua primeira filha, após duas gestações interrompidas. A gestação atual é de alto risco e, sem o tratamento adequado, corria sério risco de não chegar ao fim com segurança — para mãe e bebê.

Diagnosticada com trombofilia e hiper-homocisteinemia, condições que aumentam o risco de coágulos sanguíneos e aborto espontâneo, Mayara depende de medicamentos caros, indicados por especialistas como essenciais para manter a gestação. O custo, de aproximadamente R$ 2.100 mensais, vinha sendo arcado com ajuda de amigos e dívidas no cartão de crédito.

Com apoio da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, o casal conseguiu uma liminar na Justiça que obriga o Estado a fornecer os remédios imediatamente e mantê-los até 45 dias após o parto. A decisão judicial garantiu um alívio fundamental para Mayara e seu companheiro, o engenheiro civil Maicon Andrade, também de 32 anos.

“É um sonho realizado com muita luta. A prioridade sempre foi garantir a saúde da nossa filha. Agora, com esse apoio, posso respirar mais tranquila”, diz a futura mãe. Ainda sem enxoval completo, o casal priorizou o tratamento para garantir a chegada da bebê — esperada com muito amor, carinho e a companhia do cãozinho Whisky, o mascote da família.

A defensora pública Carmen Lúcia Trindade Dutra, que atuou no caso, destaca que a ausência dos medicamentos poderia resultar em complicações gravíssimas, como morte fetal ou parto prematuro. “A decisão representa a efetivação de direitos constitucionais à vida e à saúde, principalmente para uma mulher em situação de vulnerabilidade”, afirma.

O caso de Mayara foi acompanhado pelo Núcleo Institucional de Atenção à Saúde (NAS) da Defensoria, e também chama atenção para a judicialização da saúde, que muitas vezes é o único caminho para que cidadãos tenham acesso a tratamentos de alto custo não ofertados pela rede pública de forma imediata.

De acordo com o Ministério da Saúde, casos de trombofilia exigem acompanhamento contínuo e rigoroso. Sem o tratamento adequado, há risco elevado de complicações como trombose venosa profunda, embolia pulmonar e acidentes vasculares.

A história da enfermeira também joga luz sobre o desafio enfrentado por milhares de gestantes no Brasil: o acesso desigual a medicamentos, exames e atendimento de qualidade durante a gravidez. O Dia das Mães, neste contexto, se transforma não apenas em uma data comemorativa, mas em um marco de resistência, cuidado e justiça social.

“Mais do que flores ou presentes, mães como a Mayara precisam de políticas públicas efetivas que garantam o direito à saúde e à maternidade segura”, diz a defensora.

À espera da chegada de Melissa nos próximos meses, o casal agora se prepara para viver, finalmente, o seu primeiro Dia das Mães com esperança renovada — e com a certeza de que cada gesto de cuidado pode salvar uma vida.

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