O Índice Geral de Preços, Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou alta de 1,50% em setembro, mostrando uma forte aceleração em comparação ao avanço de 0,06% verificado em agosto, conforme dados divulgados nesta quarta-feira, 7, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Acumulado do ano e dos últimos meses
Com esse desempenho mensal, o indicador alcançou uma alta acumulada de 3,72% desde o início de 2026 e de 3,80% no acumulado dos últimos 12 meses. No mesmo período do ano passado, o índice havia subido 0,36% no mês, fechando com 2,31% em 12 meses.
Impacto nos preços ao produtor
O principal motor dessa alta veio do setor produtivo e do consumo final, com destaque para commodities agrícolas como soja, farelo de soja e milho, além da alta da gasolina no atacado e dos gastos com energia elétrica e alimentação para as famílias.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente de maior peso no IGP-DI, disparou de 0,10% em agosto para 1,95% em setembro. O segmento de matérias-primas brutas subiu 2,94%, enquanto os produtos agropecuários avançaram 3,06%.
Entre as pressões altistas mais expressivas no atacado figuraram o farelo de soja, com salto de 11,47%, a soja em grão, que cresceu 7,53%, e o milho, com acréscimo de 4,69%. A gasolina automotiva teve elevação de 11,65% e a carne bovina subiu 2,99%. Em contrapartida, alguns itens ajudaram a segurar os preços, a exemplo do café em grão, que recuou 9,33%, da banana, com queda de 10,21%, e dos adubos e fertilizantes, que diminuíram 1,88%.
Repercussão no orçamento das famílias
No âmbito do consumidor, o cenário também mudou drasticamente: o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou de uma retração de 0,37% em agosto para um acréscimo de 0,67% em setembro. Cinco das oito categorias de despesas monitoradas aceleraram, sendo habitação a de maior variação, saltando de queda de 1,21% para alta de 1,99%. A alimentação subiu 1% após cair 0,47%, e o vestuário passou de -0,58% para 0,30%.
Entre os vilões da inflação doméstica, o tomate disparou 29,64% e a batata-inglesa encareceu 23,09%. A conta de luz residencial subiu 8,76%, anulando a baixa de 8% de agosto. Conforme a FGV, o encarecimento da energia decorreu do término dos efeitos proporcionados pelos descontos do Bônus de Itaipu.
Desaceleração no setor de construção
Em sentido oposto ao restante da economia, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) perdeu ritmo, indo de 0,66% em agosto para 0,22% em setembro. O grupo de mão de obra desacelerou de 1,12% para 0,32%, ao passo que o subíndice de materiais e equipamentos recuou de 0,33% para 0,14%.
