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Estudo aponta que vape pode causar danos pulmonares piores do que o cigarro comum

Impacto nos pulmões pode ser maior com vape do que com cigarro convencional

O consumo de cigarros eletrônicos, amplamente conhecidos como vape, pode provocar danos à função respiratória ainda mais severos do que os causados pelo tabagismo tradicional. A conclusão é de uma pesquisa realizada em conjunto pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e pelas Faculdades Integradas de Taquara, com publicação prevista na revista científica Fisioterapia em Movimento.

Metodologia e exames respiratórios

Para investigar os impactos na saúde, o trabalho científico analisou 45 voluntários na faixa etária de 18 a 40 anos. Os participantes foram divididos igualmente em três categorias de 15 pessoas: usuários de dispositivos eletrônicos, fumantes de cigarros convencionais e indivíduos que nunca fumaram.

Todos os voluntários passaram por uma espirometria, procedimento médico que avalia a capacidade de expiração forçada no primeiro segundo e a quantidade total de ar eliminado. Essas métricas ajudam a identificar restrições na passagem do ar pelas vias respiratórias.

Resultados e obstrução do fluxo de ar

Os dados demonstraram que os adeptos do vape sofreram perdas mais acentuadas na capacidade pulmonar. O grupo apresentou menor volume de ar eliminado no primeiro segundo em comparação aos não fumantes, além de índices inferiores aos fumantes tradicionais na proporção do ar total expelido. Na prática, o fluxo aéreo se mostrou mais lento, configurando um indício precoce de obstrução brônquica e derrubando a ideia de que o aparelho é uma opção inofensiva.

Segundo o pesquisador Emmanuel Souza da Rocha, do PPGTS da PUCPR e um dos autores do estudo, os resultados mostram o comprometimento pulmonar precoce e silencioso. “Muitos jovens começam a usar o cigarro eletrônico acreditando que estão fazendo uma escolha inofensiva. Nossos achados mostram o oposto, mesmo em um grupo jovem e saudável, os usuários de vape já apresentam sinais de obstrução pulmonar superiores aos de fumantes de cigarro comum. O pulmão não foi feito para receber esse tipo de vapor.”

Sintomas relatados e perfil dos usuários

Além dos testes laboratoriais, os voluntários compartilharam relatos sobre o próprio estado de saúde. A maioria dos adeptos do artefato eletrônico afirmou ter percebido um declínio no bem-estar físico após o início do consumo, com destaque para episódios frequentes de tosse. Em média, esses indivíduos tinham 21 anos de idade e utilizavam os aparelhos havia aproximadamente oito anos.

O levantamento reforça evidências anteriores sobre os malefícios dos dispositivos, exigindo maior rigor em ações preventivas, científicas e de fiscalização. “O cigarro eletrônico tem sido incorporado ao cotidiano de muitos jovens com a percepção de que seus riscos seriam menores que os do cigarro convencional. A ausência de fumaça de combustão não significa ausência de efeitos sobre o organismo. Ainda precisamos compreender quais são as consequências do uso prolongado, mas os resultados disponíveis justificam que o cigarro eletrônico seja tratado com cautela e que seu uso não seja apresentado como isento de riscos”, conclui o pesquisador.

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