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Enem: dicas para dominar a prova de Linguagens e poupar tempo

Interpretação é a base da prova de Linguagens do Enem; veja dicas

No primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), agendado para 8 de novembro, o caderno de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias desafia os participantes com uma intensa carga de leitura. Mais do que memorizar regras gramaticais, o segredo para ter um bom desempenho na prova está no domínio da capacidade interpretativa e na aplicação de métodos eficientes de resolução.

Técnica de leitura para ganhar agilidade

O volume expressivo de textos longos é apontado pelos próprios candidatos como uma barreira durante a avaliação. Para o estudante Pedro Augusto Rocha Rodrigues, de 18 anos, o grande volume de leitura nas questões é um dos desafios da avaliação.

“Como sempre, o Enem tem muito texto, uma coisa muito bruta para ser processada, digerida. Se você não entende o comando, não tem como você resolver a questão de uma forma adequada”.

Para superar esse obstáculo, o professor Eli Carlos Guimarães orienta inverter a ordem tradicional da leitura e analisar primeiramente o enunciado.

“Sabendo exatamente o que a banca está pedindo, você vai para o texto com um olhar focado na informação correta. Dessa forma, você economiza tempo e evita releituras desnecessárias.”

Previsibilidade da banca e conteúdos centrais

Embora os textos selecionados mudem a cada aplicação, o perfil das cobranças mantém uma linha contínua há mais de uma década. O professor Eduardo Calbucci explica que as habilidades avaliadas em Linguagens seguem um histórico consolidado.

“O Enem tem uma matriz de referência que é a mesma desde 2009. Então, a prova tem um grau de previsibilidade bastante grande”.

Por conta dessa constância, a análise de cadernos de edições passadas continua sendo o método mais indicado pelos docentes.

“A primeira orientação que a gente dá aos alunos é estudar provas anteriores. As habilidades que estão sendo exigidas pelo Enem são as mesmas há 16, 17 anos.”

Nesse cenário, Guimarães pontua que a espinha dorsal da prova é a leitura e a interpretação de texto.

“Todo ano, mais de um terço das questões exige análise de gêneros textuais, como charge, artigo de opinião, resenha, canções, postagens digitais, além de variação linguística e funções da linguagem. O texto muda, mas a habilidade cobrada é totalmente previsível”.

Para a reta final de preparação, a recomendação é focar em coesão textual, especialmente na articulação de conectivos como “embora”, “contudo” e “portanto”, além de revisar funções da linguagem e variações linguísticas.

O que priorizar nos estudos de Literatura

Na parte de Literatura, a avaliação costuma articular manifestações artísticas ao momento histórico em que foram criadas. O entendimento de marcos como a Semana de Arte Moderna de 1922 e as transformações sociais brasileiras serve de chave para decifrar os itens. Sobre os autores e movimentos que merecem destaque, Guimarães aponta os eixos principais:

“Modernismo, principalmente a primeira e segunda fases, com Drummond, Graciliano Ramos, Cecília Meirelles, o realismo de Machado de Assis e o romantismo. Também ficar atento à literatura contemporânea, porque ela dá voz a pautas sociais, como as obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e a literatura indígena”.

Atenção às provas de língua estrangeira

A prova de Inglês demanda capacidade de correlacionar múltiplas linguagens e formatos, incluindo poemas, que têm sido recorrentes em testes recentes. O professor Tiago Gentil alerta que os candidatos devem ir além da decoreba:

“O Enem tende a empregar não somente textos e interpretação, mas a relação entre imagens, diagramas, situações do dia a dia e documentos. Não é se ater somente ao vocabulário, à gramática, mas se atentar a contextos, à mensagem global do que está sendo dito”.

Já na opção de Espanhol, o teste costuma apresentar dois ou três textos no idioma vizinho com cinco questões redigidas em português. O professor Júlio Manuel Sanchez Tello adverte sobre o perigo dos falsos amigos (falsos cognatos):

“Por exemplo: para nós, falantes da língua espanhola, algo esquisito é algo requintado, é algo saboroso, é algo delicioso. Não o esquisito de raro, de raridade e rareza como seria na língua portuguesa”.

Tello ainda reforça que a ênfase é quase integralmente interpretativa:

“Gramática pura aparece pouquíssimo. Sinônimos e antônimos aparecem dentro do contexto do próprio texto. A sintaxe é raríssima.”

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