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Jaguatirica é encontrada morta em bairro Zé Pereira

Animal silvestre apareceu sem vida próximo à ponte da Avenida Sagarana

Uma jaguatirica foi encontrada morta na manhã desta terça-feira (13), nas proximidades da ponte da Avenida Sagarana, no bairro Zé Pereira, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A cena, registrada por moradores, gerou comoção e apreensão na comunidade local, já que o local é uma das vias mais movimentadas da região e próximo a uma área de mata onde é comum a presença de animais silvestres.

Segundo testemunhas, o corpo do felino estava caído à beira da via, o que levantou a suspeita de que ele possa ter sido atropelado. No entanto, até o momento, a PMA (Polícia Militar Ambiental), que foi acionada para averiguar o caso, ainda não confirmou oficialmente a causa da morte.

A ocorrência reforça o alerta sobre os desafios do convívio entre o meio urbano e a fauna nativa, especialmente em regiões de expansão urbana acelerada, como é o caso de Campo Grande.

Entenda o que é uma jaguatirica

A jaguatirica (Leopardus pardalis) é um felino silvestre de médio porte, nativo das Américas. No Brasil, é encontrada em diversos biomas, como a Mata Atlântica, o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado. Ela mede, em média, entre 70 cm e 1 metro de comprimento (sem contar a cauda), e pesa de 8 a 16 quilos.

Conhecida por sua pelagem amarelada com manchas negras, a jaguatirica possui hábitos solitários e noturnos, sendo uma excelente caçadora. Alimenta-se de pequenos animais como aves, roedores, lagartos e outros mamíferos de pequeno porte.

Apesar de não estar em risco crítico de extinção, a jaguatirica é considerada uma espécie vulnerável, principalmente devido à perda de habitat natural, atropelamentos em estradas, caça ilegal e o avanço desordenado das cidades sobre áreas silvestres. Sua presença em regiões urbanizadas é um indicativo claro de que os animais estão sendo forçados a sair de seus territórios em busca de alimento ou segurança.

Ocorrência em região urbana levanta preocupações

A morte da jaguatirica em plena área urbana é mais um episódio que chama atenção para a interferência humana nos ecossistemas naturais. A ponte onde o animal foi encontrado fica próxima a um fragmento de mata, uma das poucas áreas verdes remanescentes na região do Zé Pereira, bairro conhecido pela expansão residencial e pela proximidade com zonas de mata nativa.

“É comum a gente ver animais como tatus, aves e até cobras por aqui. Mas um bicho como esse, desse tamanho, morto ali no asfalto, é triste. Parece que estão sem espaço para viver”, relatou um morador que passou pelo local e preferiu não se identificar.

Com a constante expansão urbana e o aumento do tráfego em vias que cortam áreas de preservação, torna-se cada vez mais frequente o aparecimento de animais silvestres em zonas urbanas. Em muitos casos, esses encontros resultam em tragédias, como atropelamentos, ataques por cães domésticos ou mesmo conflitos com humanos.

Polícia Ambiental investiga o caso

A Polícia Militar Ambiental foi até o local para recolher o animal e iniciar as investigações. Em nota preliminar, a corporação afirmou que será feita uma análise para tentar identificar a causa da morte, que pode ter sido provocada por atropelamento, envenenamento ou outros fatores.

Além disso, a PMA reforçou o pedido para que a população notifique as autoridades em casos de avistamento de animais silvestres, vivos ou mortos, especialmente em áreas urbanas. O alerta visa prevenir acidentes e garantir a segurança tanto da população quanto da fauna.

Preservar é necessário

A morte da jaguatirica serve como um lembrete contundente da necessidade de proteger as áreas verdes urbanas e estabelecer corredores ecológicos, que permitam a circulação segura de animais silvestres entre fragmentos de mata.

Biólogos e ambientalistas defendem medidas urgentes como:

A presença de uma jaguatirica no perímetro urbano não deveria ser vista apenas como uma surpresa, mas sim como um sinal claro do desequilíbrio ambiental causado pelas atividades humanas.

Convivência é possível

Para especialistas, a solução está na convivência consciente. É essencial que políticas públicas e planejamento urbano levem em consideração a preservação da biodiversidade e o impacto ambiental das novas construções. Campo Grande, que é conhecida como uma das capitais brasileiras com maior presença de áreas verdes, tem o desafio de equilibrar o crescimento urbano com a conservação da fauna e flora que ainda resistem nos arredores da cidade.

Enquanto isso, a morte da jaguatirica entra para as estatísticas de perdas silenciosas que, aos poucos, vão comprometendo a rica biodiversidade brasileira — uma das maiores do mundo.

Para mais notícias sobre o que acontece em Campo Grande, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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