O comunicador brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por seus posicionamentos contrários à gestão do presidente argentino Javier Milei, foi impedido de ingressar na Argentina nesta segunda-feira (12) no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires.
Cancelamento da residência e proibição de retorno
A Direção Nacional de Migrações determinou a anulação da permissão de residência permanente do profissional e impôs uma sanção que proíbe sua entrada no território argentino pelos próximos cinco anos. O jornalista relatou que aguardava o voo de volta ao Brasil após assinar os papéis referentes à medida.
O documento de permanência, obtido no início de 2022, tinha validade prevista até 2037. Contudo, as autoridades apontaram o descumprimento de prazos de permanência contínua no país, argumento contestado pelo brasileiro, que afirma ter passado mais de um mês na nação vizinha apenas em 2026.
Embates virtuais e suspeita de motivação política
O profissional acredita que a punição tenha fundo político, decorrente de discussões recentes nas plataformas digitais com aliados e figuras do alto escalão do governo argentino, a exemplo de Juan Pablo Carreira, diretor de Comunicação Digital da Presidência.
“Se trata realmente de uma questão política”, afirmou o jornalista, ao comentar o episódio. Ele também declarou que recebeu tratamento cordial das funcionárias responsáveis pelo procedimento migratório e ressaltou que não cometeu nenhum delito.
O governo de Javier Milei editou recentemente normas que autorizam a expulsão e o bloqueio de entrada de estrangeiros acusados de promover mensagens de ódio ou incitar hostilidades contra cidadãos locais.
Repercussão e repúdio de entidades sindicais
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal e a Federação Nacional dos Jornalistas emitiram nota oficial repudiando a expulsão e prestando apoio ao profissional de imprensa.
“A democracia argentina e a brasileira merecem respeito. Nenhum governo tem o direito de perseguir, deter ou expulsar jornalistas pelo simples exercício de sua profissão”, destaca o texto.
Autor de um livro sobre os impactos sociais e econômicos da atual administração argentina com lançamento previsto para 2027, o brasileiro retornou a Brasília após o episódio.
“Vim para registrar imagens que mostrem ao Brasil e ao mundo a crítica situação econômica do país e a escalada autoritária deste governo de extrema direita”, escreveu em mensagem enviada a contatos brasileiros.
