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Jovem sofre ataque brutal de pitbulls em Campo Grande

Caso aconteceu após chegada de motoentregador; vítima de 21 anos está internada em estado grave. Especialistas alertam sobre como agir em situações de ataques caninos.

Um jovem de 21 anos foi violentamente atacado por três cães da raça pitbull na noite do último sábado (12), em Campo Grande (MS), no bairro Jardim Joquei Club. O incidente ocorreu após os animais se aglomerarem e ficarem agitados com o barulho da chegada de um motoentregador. O rapaz, amigo da família dona dos cães, sofreu ferimentos graves, incluindo uma artéria rompida e a orelha esquerda completamente dilacerada.

De acordo com informações da polícia e de testemunhas no local, o ataque começou logo após o motoentregador chegar à residência. Os cães, pertencentes a um homem de 60 anos, estavam soltos na casa e, ao ouvirem o barulho da moto, correram em direção ao jovem e iniciaram o ataque. Ele estava acompanhado do filho do tutor dos animais e, segundo apuração preliminar, não teve tempo de reagir ou se proteger adequadamente.

Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação no momento em que os animais se aproximam da vítima, seguida por gritos de desespero e correria de pessoas que tentavam conter os cães. O vídeo mostra o caos instalado no imóvel e a tentativa desesperada de ajudar o jovem.

Socorro e estado de saúde

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado rapidamente e prestou os primeiros socorros no local. O rapaz foi levado em estado gravíssimo para a Santa Casa de Campo Grande, onde permanece internado. As mordidas atingiram braços, pernas, nádegas e, de forma mais crítica, o braço esquerdo e a orelha, que foi parcialmente arrancada.

A gravidade das lesões levantou alerta entre vizinhos e autoridades sobre os riscos de manter cães de grande porte e comportamento territorial soltos em ambientes com circulação de visitantes ou entregadores.

Responsabilidade e investigação

O tutor dos pitbulls, um homem de 60 anos, foi conduzido à delegacia para prestar depoimento e explicar as circunstâncias do ataque. A Polícia Civil investiga se houve negligência no manejo e na guarda dos animais, e se a residência contava com as condições adequadas de segurança para impedir que os cães atacassem visitantes.

De acordo com o Código Civil brasileiro, o dono de um animal responde pelos danos causados por ele, exceto quando comprova que houve culpa exclusiva da vítima ou força maior. O caso pode levar a responsabilizações civis e até penais, a depender do resultado da investigação.

Especialistas explicam como agir em ataques de cães

Após esse e outros casos recentes envolvendo ataques de pitbulls em Mato Grosso do Sul, especialistas reforçaram orientações importantes para quem se vê diante de uma situação semelhante.

O adestrador Alexandre Kawano, consultado pelo g1, afirmou que manter a calma é essencial, mesmo diante do instinto natural de correr. “O cão interpreta a fuga como uma presa em movimento, o que ativa seu comportamento predatório. O ideal é não correr, se jogar no chão e proteger áreas vitais”, explicou.

Segundo Kawano, o recomendado é deitar-se com o ventre voltado para o solo, cobrindo o rosto e as orelhas com os braços e mãos. Essa posição protege órgãos vitais e partes do corpo mais vulneráveis, como a cartilagem da orelha, que é facilmente arrancada.

Essa técnica, chamada de “fingir-se de morto”, pode desestimular o ataque, já que o animal tende a perder o interesse quando a suposta “presa” não oferece resistência.

Casos similares reforçam necessidade de prevenção

O caso de Campo Grande não é isolado. Recentemente, um lutador de Muay Thai em Ponta Porã, também no Mato Grosso do Sul, conseguiu conter dois pitbulls utilizando técnicas de artes marciais. Ele sofreu ferimentos leves, mas conseguiu salvar uma mulher e uma criança que estavam sob ataque.

Esses episódios reacendem o debate sobre a necessidade de regulamentações mais rígidas para a criação de raças consideradas de guarda ou de ataque. Algumas cidades já possuem leis específicas para obrigar o uso de focinheiras em locais públicos e impor medidas de contenção dentro de residências, especialmente quando há circulação de terceiros.

Reflexões sobre a posse responsável

A tragédia levanta uma importante reflexão sobre a posse responsável de animais, especialmente aqueles com potencial ofensivo elevado. Pitbulls, apesar de muitas vezes serem dóceis com os donos, possuem instintos territoriais e reativos que, se não forem bem manejados, podem levar a ataques violentos, como o ocorrido.

Organizações de proteção animal defendem que o problema não está na raça, mas sim na forma como os animais são criados e socializados. Ainda assim, ressaltam que é dever dos tutores garantir a segurança das pessoas ao redor.

Enquanto o jovem segue hospitalizado, a família aguarda os próximos passos das autoridades para esclarecer os fatos e, se necessário, responsabilizar os culpados pelo ocorrido.

Para mais notícias sobre o que acontece em Campo Grande, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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