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Lula e Flávio Bolsonaro disputam segundo turno para presidente

Lula e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno das Eleições 2026 para a Presidência da República - Foto: Divulgação/Flávio/Werther Santana/Estadão Conteúdo

Lula e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno das Eleições 2026 para a Presidência da República - Foto: Divulgação/Flávio/Werther Santana/Estadão Conteúdo

Petista e senador do PL avançam para nova votação em 25 de outubro após primeiro turno marcado por disputa acirrada

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno das Eleições 2026 para a Presidência da República. A nova votação está marcada para 25 de outubro e definirá quem comandará o país pelos próximos quatro anos.

A disputa chega à segunda etapa depois de uma campanha marcada pela polarização entre os dois principais campos políticos do país e pela presença de temas como economia, segurança pública, soberania nacional, investigações e relação entre os Poderes.

Além de Lula e Flávio, outros dez candidatos participaram do primeiro turno: Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Romeu Zema (Novo).

Lula busca novo mandato

Atual presidente, Lula chegou ao segundo turno em busca de mais quatro anos no Palácio do Planalto. O petista já ocupou a Presidência em três mandatos e voltou a disputar a eleição após ter sinalizado anteriormente que não pretendia tentar uma nova reeleição.

Caso conquiste mais um mandato, Lula ficará impedido de disputar novamente a Presidência em 2030, devido à regra constitucional que limita a reeleição consecutiva. Uma nova candidatura presidencial só poderia ocorrer em 2034.

Durante a campanha, o presidente concentrou parte de seu discurso na defesa da soberania brasileira, no fortalecimento das instituições e na investigação de denúncias envolvendo órgãos públicos e empresas.

A política externa também ganhou espaço depois da adoção de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O tema passou a ser utilizado por Lula para defender a autonomia do país e reforçar a ideia de soberania nacional.

Flávio foi escolhido como sucessor de Bolsonaro

Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno em sua primeira disputa pela Presidência da República. A candidatura começou a ganhar forma no fim de 2025, quando Jair Bolsonaro indicou o filho como seu sucessor político.

A escolha não ocorreu sem resistência dentro da direita. Outros nomes chegaram a ser considerados para enfrentar Lula, mas Flávio consolidou sua candidatura ao longo de 2026.

A oficialização ocorreu em julho, durante a convenção nacional do PL. Na campanha, o senador se apresentou como representante da continuidade do projeto político de Jair Bolsonaro.

A chapa presidencial foi formada posteriormente, com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente.

Campanha de Flávio teve conflitos internos

A construção da candidatura também foi marcada por divergências dentro da própria família Bolsonaro. Um dos episódios envolveu Flávio e Michelle Bolsonaro, que trocaram críticas públicas durante a campanha.

Em julho, Jair Bolsonaro declarou oficialmente apoio ao filho e o apresentou como seu candidato e porta-voz. A manifestação buscou reduzir divergências dentro do grupo político.

Com o apoio do pai, Flávio passou a reforçar a ideia de continuidade do legado do ex-presidente, que atualmente cumpre prisão domiciliar por condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.

Banco Master entrou no centro da disputa

Investigações envolvendo o Banco Master também tiveram impacto na campanha presidencial.

Flávio foi relacionado ao banqueiro Daniel Vorcaro depois da divulgação de conversas sobre a tentativa de obtenção de recursos para o filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro.

O senador inicialmente negou algumas das informações divulgadas, mas posteriormente confirmou que havia procurado Vorcaro para buscar patrocínio privado para a produção.

Em julho, Flávio passou a ser investigado no caso envolvendo recursos destinados ao filme. Em setembro, foi determinada a abertura de um inquérito para apurar possíveis crimes relacionados ao financiamento da produção. A investigação tramita sob sigilo, e o senador nega irregularidades.

O caso voltou ao debate eleitoral após a divulgação de registros de contatos entre Flávio e Vorcaro nos dias anteriores à primeira prisão do então controlador do Banco Master.

INSS e STF também marcaram a eleição

As investigações relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco Master também tiveram reflexos na disputa presidencial.

No caso do INSS, o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, passou a ser investigado pela Polícia Federal em três inquéritos relacionados às apurações. Lula afirmou que, caso tenha ocorrido alguma irregularidade, os responsáveis deverão responder pelos atos.

Outro episódio envolveu o senador Jaques Wagner (PT-BA), aliado de Lula e então líder do governo no Senado. Ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master e posteriormente deixou a liderança do governo.

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal também passou a fazer parte do discurso eleitoral. Flávio utilizou o tema para criticar a relação entre o governo Lula e a Corte. O petista, por sua vez, defendeu investigações sem proteção a envolvidos e afirmou que as instituições precisam ser fortalecidas.

Tarifas dos EUA viraram tema eleitoral

A política comercial dos Estados Unidos também entrou na campanha. Em maio, Flávio se reuniu com o presidente Donald Trump na Casa Branca para tratar de assuntos como tarifas, comércio, minerais críticos e segurança.

Depois que o governo americano anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, adversários responsabilizaram politicamente Flávio pelo episódio. O senador rejeitou a interpretação e afirmou que havia pedido a Trump que não adotasse a medida.

Lula passou a explorar o tema em seus discursos e relacionou as tarifas à defesa da soberania brasileira.

Religião ganhou espaço na reta final

Nos últimos dias antes da votação, uma disputa envolvendo Nossa Senhora Aparecida também ganhou repercussão eleitoral.

Conteúdos divulgados nas redes sociais sugeriram que Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil atribuído à santa. O candidato negou ter apresentado ou apoiado qualquer proposta com esse objetivo.

A controvérsia levou as duas campanhas a intensificarem discursos direcionados ao eleitorado religioso, com referências à Nossa Senhora Aparecida durante a reta final do primeiro turno.

Debate presidencial foi cancelado

Outro episódio marcante ocorreu na reta final da campanha, quando um debate presidencial previsto para a televisão foi cancelado pouco antes da transmissão.

A emissora alegou interferências judiciais relacionadas às regras do evento. Uma das decisões envolvia a exibição de um púlpito vazio destinado a Lula, que havia informado anteriormente que não participaria. Outra decisão garantiu a participação de Renan Santos no debate.

Flávio Bolsonaro também desistiu de participar na última hora e alegou que havia censura imposta ao evento.

Com o cancelamento, Lula participou de uma entrevista em outra plataforma, enquanto os demais candidatos seguiram suas agendas de campanha.

Segundo turno será em 25 de outubro

Com a definição de Lula e Flávio Bolsonaro como os dois candidatos mais votados no primeiro turno, a disputa presidencial entra agora em uma nova fase.

Os dois terão até 25 de outubro para buscar os votos dos eleitores que escolheram outros candidatos ou não participaram da primeira votação.

A nova etapa deve concentrar novamente os principais temas que marcaram a campanha, além de ampliar a disputa por alianças políticas e pelo eleitorado que ficou fora dos dois polos no primeiro turno.

O vencedor da votação de 25 de outubro será o próximo presidente da República e assumirá o mandato em janeiro de 2027.

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