Levantamento aponta vantagem consistente do presidente sobre Tarcísio, Ciro Gomes e outros possíveis concorrentes; Lula tem entre 35% e 43% no 1º turno
Uma nova pesquisa divulgada nesta quinta-feira (9) pelo instituto Genial/Quaest revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria todos os possíveis adversários em cenários de segundo turno para as eleições presidenciais de 2026. O levantamento, realizado entre os dias 2 e 5 de outubro com 2.004 pessoas, indica que o petista mantém uma liderança sólida, mesmo diante de um cenário político em constante transformação.
Nos cenários simulados para o primeiro turno, Lula aparece com índices que variam de 35% a 43%, dependendo da configuração de candidatos testada. Embora não ultrapasse os 50% dos votos válidos em nenhuma das projeções — o que impediria uma vitória já na primeira etapa da eleição —, o presidente apresenta vantagem significativa sobre todos os nomes testados no segundo turno.
Lula amplia distância sobre Tarcísio de Freitas
O principal adversário testado foi Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, frequentemente citado como o nome mais competitivo da oposição após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL). No entanto, Lula ampliou sua vantagem sobre Tarcísio nas últimas pesquisas.
Em maio, os dois chegaram a registrar empate técnico, com Lula numericamente à frente por apenas um ponto percentual (41% a 40%). Na mais recente sondagem, o presidente aparece com 45% das intenções de voto, contra 33% de Tarcísio, consolidando uma vantagem de 12 pontos percentuais, a maior do ano nesse embate específico.
Apesar de ser apontado como alternativa à direita, Tarcísio já afirmou publicamente que não pretende disputar a Presidência em 2026, e sim buscar a reeleição no governo paulista. Ainda assim, seu nome continua sendo monitorado por analistas e estrategistas políticos como potencial herdeiro dos votos bolsonaristas.
Cenários de segundo turno: Lula vence todos os adversários
Nos diversos cenários de segundo turno testados pela Quaest, Lula mantém a dianteira contra todos os possíveis concorrentes. A menor diferença é registrada contra Ciro Gomes (PDT), ex-governador do Ceará e candidato à Presidência nas últimas quatro eleições. Nesse confronto, Lula venceria por 41% a 32%, uma margem de nove pontos.
As maiores vantagens, por outro lado, são verificadas contra nomes menos competitivos no cenário atual, como:
- Eduardo Leite (PSD) – Lula 45% x 22% Leite (diferença de 23 pontos)
- Romeu Zema (Novo) – Lula 47% x 32% Zema (diferença de 15 pontos)
- Ronaldo Caiado (União Brasil) – Lula 46% x 31% Caiado (diferença de 15 pontos)
- Eduardo Bolsonaro (PL) – Lula 46% x 31% Eduardo Bolsonaro (diferença de 15 pontos)
Os dados indicam que, apesar de Lula não ter maioria absoluta em nenhum cenário, a fragmentação dos adversários e a ausência de um nome competitivo à direita favorecem sua reeleição no atual contexto.
Voto espontâneo: Lula lidera menções; Bolsonaro, mesmo inelegível, aparece em segundo
A pesquisa também mediu a intenção de voto espontânea — quando os entrevistados mencionam espontaneamente um nome para presidente, sem o auxílio de uma lista de candidatos. Nessa modalidade, Lula foi citado por 19% dos entrevistados, enquanto Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, aparece com 6%.
Outros nomes, como Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Ciro Gomes, foram mencionados por apenas 1% cada. O dado mais expressivo, no entanto, está no alto número de indecisos: 69% ainda não sabem em quem votar ou preferiram não responder, evidenciando o grau de indefinição do eleitorado a um ano das eleições.
Tensão política: desgaste e articulações
A divulgação da pesquisa ocorre em meio a uma semana politicamente turbulenta para o governo. Na quarta-feira (8), a Câmara dos Deputados derrubou uma Medida Provisória do governo que propunha medidas alternativas para aumentar a arrecadação sem elevar ainda mais o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Nos bastidores de Brasília, a derrota foi atribuída por aliados do governo à atuação de Tarcísio de Freitas, que teria feito ligações a parlamentares pedindo voto contra a proposta — algo negado oficialmente pelo governador.
Mesmo diante de embates no Congresso e com desafios na gestão econômica, a avaliação do presidente permanece sólida nas pesquisas eleitorais. Especialistas apontam que a falta de um nome forte no campo da direita, somada à lembrança dos governos anteriores de Lula, sustenta sua popularidade até o momento.
Sobre a pesquisa
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada de forma presencial com 2.004 entrevistados em todas as regiões do Brasil, entre os dias 2 e 5 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Os dados reforçam que, ao menos por ora, Lula entra na corrida de 2026 como favorito absoluto, mas também sugerem que a eleição está longe de ser decidida, dado o alto percentual de indecisos e o cenário ainda indefinido da oposição.
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Autoria: Sarah Pacini