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Marcinho VP reduz pena em 384 dias após escrever livros na prisão

Justiça Federal reduziu pena de Marcinho VP após produção de livros - Foto: Reprodução/TV Globo

Justiça Federal reduziu pena de Marcinho VP após produção de livros - Foto: Reprodução/TV Globo

Justiça Federal reconheceu produção literária como atividade de estudo para remição de pena

Justiça Federal de Campo Grande reduziu em 384 dias a pena de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, após o preso escrever quatro livros enquanto cumpria pena no Presídio Federal da Capital sul-mato-grossense.

A decisão foi assinada nesta terça-feira (19) pelo juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, da 5ª Vara Federal Criminal, com base em entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconhece a produção literária como atividade educacional capaz de gerar remição de pena.

Considerado um dos principais líderes do Comando Vermelho (CV), Marcinho VP está preso no sistema federal desde o início de 2024.

Produção literária serviu para abatimento da pena

Segundo a decisão, cada obra escrita garantiu 96 dias de redução da pena.

O cálculo teve como referência uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que prevê remição por leitura de livros. Para o magistrado, a escrita de uma obra exige um processo ainda mais complexo, envolvendo pesquisa, planejamento, organização das ideias, redação, revisão e publicação.

Os livros aceitos pela Justiça foram:

Além disso, Marcinho VP também obteve mais 12 dias de remição pela leitura de três obras, incluindo textos bíblicos.

MPF defendia redução menor

Durante o processo, o Ministério Público Federal (MPF) sugeriu que a remição fosse aplicada nos mesmos moldes de cursos profissionalizantes, com abatimento de 30 dias por livro produzido.

O juiz, no entanto, rejeitou o pedido e entendeu que a elaboração de uma obra literária demanda um esforço intelectual maior.

Na decisão, o magistrado destacou que a produção intelectual pode ser considerada uma forma de estudo, mesmo sem previsão específica na legislação.

Pedido sobre banho de sol foi negado

Na mesma decisão, a Justiça negou um pedido da defesa relacionado à suposta restrição de banho de sol no presídio federal.

Segundo o juiz, a unidade oferece o benefício diariamente, e eventuais interrupções ocorreram por razões de segurança, condições climáticas ou atendimentos jurídicos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já havia analisado a situação anteriormente e concluído que não houve irregularidades.

Condenação por assassinato e esquartejamento

Marcinho VP foi condenado a 36 anos de prisão pelo assassinato e esquartejamento de dois traficantes rivais em 1996, no Rio de Janeiro.

A condenação definitiva ocorreu em 2007 pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Atualmente, ele está preso há quase 30 anos.

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