Deputado afirma que sacou R$ 100 mil para despesas rurais e apresentou documentos de uma venda de gado de R$ 116 mil
O deputado estadual Marcio Fernandes (PL), candidato à reeleição, contestou o valor atribuído à apreensão realizada pela Polícia Federal em Campo Grande. Segundo ele, os agentes recolheram R$ 100 mil que haviam sido sacados de sua conta bancária.
A abordagem ocorreu na sexta-feira (25), durante a Operação Jogo Limpo. A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado.
Informações divulgadas após a operação apontaram apreensão superior a R$ 250 mil. No entanto, Fernandes afirmou que estava com R$ 100 mil e negou que outros valores tenham sido encontrados em sua residência ou no comitê.
A nota oficial publicada pela PF não informou o total naquele momento. A corporação declarou que o dinheiro seria contabilizado e que a origem e eventual destinação seriam investigadas.
Deputado relaciona dinheiro a venda de gado
Fernandes afirmou que o dinheiro tem relação com uma venda de gado realizada na segunda-feira (21) em uma de suas propriedades.
Segundo o parlamentar, ele saiu de uma agência bancária por volta das 11h após sacar R$ 100 mil de sua conta pessoal. Em seguida, foi abordado pelos policiais.
O deputado afirmou que pretendia usar o valor em despesas das propriedades rurais. Segundo ele, alguns prestadores de serviços recebem em espécie por não utilizarem Pix ou conta bancária.
Para sustentar a explicação, Fernandes publicou documentos relacionados à negociação dos animais. Entre eles estão nota fiscal, registros de embarque e romaneio.
De acordo com os documentos apresentados pelo candidato, a venda alcançou R$ 116 mil.
PF investiga possíveis crimes eleitorais
A Operação Jogo Limpo apura possíveis crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral. Segundo a Polícia Federal, o inquérito analisa movimentações financeiras que poderiam ter relação com financiamento irregular de campanha e aliciamento de eleitores.
A investigação continua e busca esclarecer os fatos e identificar eventuais responsabilidades. Até o momento, a PF não anunciou conclusão sobre a origem ou o destino do dinheiro apreendido.
Fernandes não foi preso durante a operação.
Segundo a manifestação apresentada pelo deputado, os agentes também recolheram seu aparelho celular.
Materiais também foram apreendidos
A assessoria informou que, durante as buscas, os policiais recolheram um pendrive com arquivos da campanha eleitoral de 2020 na residência.
No comitê, segundo a versão do parlamentar, foram levados dois HDs externos, dois notebooks e materiais gráficos de campanha.
A defesa afirmou que nenhum material irregular foi encontrado nos locais. Essa declaração representa a versão apresentada pelo deputado e por sua assessoria.
Já a Polícia Federal informou que as investigações prosseguem para esclarecer as movimentações financeiras analisadas no inquérito.
