Documentos recuperados pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro e o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, articularam formas de contornar regulamentações do setor financeiro. As conversas ocorreram em maio de 2025, seis meses antes de o Banco Central determinar a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Operações bilionárias e títulos sem lastro
A tentativa de aquisição do Master pelo BRB gerou um rombo estimado em 12 bilhões de reais. Conforme as investigações, a negociação envolveu títulos podres e desprovidos de garantia. Registros telefônicos apontam que ambos já tinham ciência de que as carteiras de crédito traziam “vícios insanáveis”.
No centro das tratativas estavam documentos ligados a entidades baianas, como a Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia (ASTEBA) e a Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia (ASSEBA), que serviam de origem para diversas operações da instituição financeira.
Diálogos sobre barreiras regulamentar
Trechos das conversas divulgados pela corporação policial detalham a pressão para fechar acordos. Em uma das mensagens, Vorcaro questionou: “Amigo, acha que consegue vencer esses 400 hoje e termos até segunda pra sanar tudo?”, ao que complementou logo depois: “Situação tá bem crítica, não vamos conseguir”.
Em resposta, o dirigente da instituição pública apontou obstáculos para burlar as normas vigentes:
“Infelizmente não conseguirei superar sem as comprovações de averbação”, escreveu Paulo Henrique. “Tentamos por várias semanas e precisei me comprometer que não faríamos mais operações sem isso e a assinatura do contrato de auditoria”, relatou.
Conclusões do relatório policial
A apuração conduzida pelos agentes federais evidenciou que a instituição financeira comandada por Vorcaro estruturava transações sem respaldo documental para burlar as exigências do mercado.
“Verificou-se a realização reiterada de recompras de carteiras pelo Banco Master em razão de vícios nos créditos cedidos ao BRB, incluindo ausência de lastro documental válido, inexistência de consentimento dos supostos devedores e dúvidas quanto à origem das obrigações”, detalha o relatório oficial.
Apesar dos avisos formais e do reconhecimento dos problemas estruturais, os negócios prosseguiram. “Apesar do reconhecimento dessas falhas pelo BRB, as recompras não resultaram na suspensão das cessões, que continuaram a ocorrer paralelamente, inclusive com ativos de características semelhantes às carteiras devolvidas”, concluiu o documento da Polícia Federal.
