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Mensagens reveladas pela PF expõem trama para proteger Bolsonaro

Conteúdo recuperado de celulares mostra estratégias coordenadas de Jair e Eduardo Bolsonaro, com envolvimento de Silas Malafaia, apoio internacional e tentativa de fuga

A investigação conduzida pela Polícia Federal revelou, nesta quarta-feira (20 de agosto de 2025), um conjunto de mensagens e áudios que expõem o que a PF considera um esforço articulado do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para interferir no processo penal ao qual são alvo no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os interlocutores, destaca-se o pastor Silas Malafaia, cujo celular e passaporte foram apreendidos, além de indicações de tentativa de fuga de Bolsonaro.

Segundo o relatório de 170 páginas da PF, obtido com exclusividade pelos veículos Terra e Brasil de Fato, o conteúdo recuperado de aparelhos eletrônicos inclui pelo menos um pedido de asilo político a ser enviado ao presidente argentino Javier Milei. O texto, esquemático e inacabado, afirma: “De início, devo dizer que sou, em meu país de origem, perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos…”, evidenciando o planejamento de eventual fuga.

Anistia “light” e intervenções nos EUA

Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos, aparece propondo uma “anistia light”, estratégia voltada a proteger exclusivamente o pai, ignorando outros réus do 8 de janeiro. Em uma das mensagens, alerta: “Se a anistia light passar… temos que decidir entre… brecar o STF e resgatar a democracia ou enviar o pessoal que esteve num protesto que evoluiu para uma baderna para casa num semiaberto.”

Além disso, Eduardo sugere ao pai agradecer publicamente ao então presidente Donald Trump pelas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros — uma medida considerada potencial alavanca diplomática para reunir apoio externo.

Malafaia como articulador político e mobilizador digital

O pastor Silas Malafaia emerge como figura central no esforço de manter Bolsonaro ativo nas redes sociais, mesmo após medidas judiciais que o impediam de se manifestar publicamente. Ele orientou o envio de vídeos com frases fortes, pediu mobilização de deputados e instigou ataques coordenados ao STF. Segundo a PF, ele “atuava na construção de uma campanha criminosa orquestrada… no contexto de milícias digitais”.

Uma mensagem atribuída ao pastor, reproduzida pela Correio Braziliense, sugere que Bolsonaro deve pressionar o STF com o argumento de que “se houver uma anistia ampla, a tarifa será suspensa”, ressaltando que “eles se cagão disso”.

Violação das medidas cautelares

Mesmo impedido judicialmente de usar redes sociais, Bolsonaro voltou a ativar um novo aparelho de celular em 25 de julho de 2025. Os dados foram recuperados pela PF e revelaram intensa atividade de comunicação, contrariando as restrições estabelecidas.

Ofensas, conflitos e tensões familiares

O ambiente interno da família Bolsonaro também ficou exposto. Eduardo, ressentido após o pai chamá-lo de “imaturo”, escreveu: “VTNC seu ingrato do caralho!”, e: “quem vai se f… é você… vai decretar o resto da minha vida nesta porra aqui!”.

O pastor Malafaia não poupou críticas, chamando o deputado de “babaca”, “inexperiente” e “estúpido de marca maior”, afirmando que somente com respeito ao pai ele se conteve de retaliar publicamente.

Pistas de fuga e risco de evasão

Além do rascunho de asilo político, a PF destaca que o documento foi salvo em um dispositivo editável sem data ou assinatura, com teor suficiente para evidenciar que existia intenção prévia de buscar abrigo na Argentina. O registro foi feito poucos dias após a Operação Tempus Veritatis, que envolveu busca de passaporte e outras medidas restritivas.

Mobilização internacional e ocultação financeira

Há indícios de que Bolsonaro e Eduardo atuaram para garantir sanções norte-americanas como forma de pressionar o Judiciário brasileiro. A mensagem de Eduardo aborda a “Magnitsky no Moraes” — referência à lei aplicada posteriormente, que impôs restrições financeiras ao ministro Alexandre de Moraes.

Em paralelo, a investigação revelou contato entre Bolsonaro e o advogado Martin de Luca, ligado à Trump Media (Rumble). Esse advogado enviou petições contra Moraes diretamente ao ex-presidente antes mesmo da formalização nos EUA. Bolsonaro solicitou auxílio na elaboração de nota pública com discurso de “perseguição política” e agradecendo Trump.

Operação financeira via contas pessoais

Para ocultar movimentações financeiras, a PF identificou transferências de R$ 2 milhões feitas por Bolsonaro à conta da esposa Michelle, e logo depois, valores semelhantes foram creditados na conta de Heloísa, esposa de Eduardo. A finalidade seria escapar de bloqueios judiciais.

Estas trocas de mensagens revelam um plano sofisticado e multifacetado: articulação política internacional, mobilização digital interna, conflito familiar, planejamento de asilo e mecanismos financeiros para driblar restrições legais. Todos esses elementos levaram a PF a indiciar Jair e Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo e tentativa de supressão da democracia. Malafaia, embora não indiciado, foi considerado peça-chave e alvo de medidas duras.

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Autoria: Sarah Pacini

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