O mercado mundial de grãos voltou suas atenções para o Brasil, onde a evolução da semeadura e o regime pluviométrico vão ditar o comportamento dos preços nos próximos meses, após um mês de forte valorização impulsionada pela demanda asiática.
Impacto de Chicago e da China
No cenário internacional, os contratos futuros da soja na bolsa de Chicago alcançaram US$ 13,04 por bushel em setembro, contabilizando uma alta de 8,7% frente a agosto. Esse movimento de alta foi impulsionado pelo atraso na colheita norte-americana e, sobretudo, pela aceleração das aquisições chinesas.
Até o encerramento de setembro, a China já havia comprado cerca de 13 milhões de toneladas da oleaginosa dos Estados Unidos, o que representa aproximadamente metade do volume total estimado para a temporada.
Cenário de preços e exportações no Brasil
Seguindo a tendência externa, o mercado interno registrou valorização expressiva. Em Sorriso (MT), a saca de soja teve média de R$ 142 no mês passado, representando um acréscimo de 9,6% no comparativo mensal. Prêmios firmes nos portos, taxa de câmbio favorável e um volume robusto de exportações — que somaram cerca de 100 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, alta de 6,6% sobre o ano anterior — sustentaram os patamares de preço.
Ritmo da semeadura e o fator climático
Impulsionado por melhores condições meteorológicas, o plantio da safra 2026/27 atingiu 15,6% da área projetada no país até o dia 9 de outubro, superando os 11,1% do mesmo período de 2025 e ficando acima da média histórica dos últimos cinco anos. Somente em Mato Grosso, a área semeada saltou de 10,2% para 33,3% em apenas uma semana, conforme dados da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Contudo, a irregularidade das chuvas preocupa analistas e produtores. A distribuição desigual da umidade ainda restringe os trabalhos em certas zonas agrícolas, exigindo cautela para garantir a janela ideal de cultivo, essencial para o sucesso das lavouras de segunda safra, como o milho e o algodão.
“Após a forte alta observada em setembro, o mercado passa a acompanhar cada vez mais de perto o desenvolvimento da safra brasileira. Neste momento, o Brasil é o principal fator de atenção para o mercado global de soja”, afirma, em nota, Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA.
