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Morango do Amor faz preço da fruta disparar

Comerciantes relatam aumento de até 50% na procura por morangos após tendência nas redes sociais; preços já superam valores praticados em datas comemorativas como Páscoa e Dia das Mães

Uma simples tendência nas redes sociais tem causado impactos reais no mercado hortifrutigranjeiro de Campo Grande. O fenômeno chamado “Morango do Amor”, que viralizou nas últimas semanas no TikTok e Instagram, provocou uma corrida pela fruta nas centrais de abastecimento e supermercados da Capital. O resultado: preços inflacionados, estoques esgotados e vendas que superaram as de datas tradicionalmente fortes para o setor, como o Dia das Mães e a Páscoa.

De acordo com comerciantes do Ceasa (Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul), a procura por morangos cresceu cerca de 50% em comparação com semanas anteriores. Essa explosão na demanda fez com que o preço da caixa com quatro bandejas da fruta aumentasse em média 35%, passando a custar R$ 38 — valor considerado elevado, mesmo para o período de safra.

Um boom repentino impulsionado pela internet

A febre do “Morango do Amor” — receita que mistura morangos frescos, brigadeiro, leite condensado e chocolate — ganhou força nas plataformas digitais, onde vídeos com o preparo da sobremesa acumulam milhões de visualizações. O apelo visual e o sabor atrativo da receita transformaram o morango na nova estrela das redes e, por consequência, das prateleiras.

O gerente da filial da Casa do Morango, Fernando Higa, relatou que só na manhã desta quinta-feira (24) foram vendidas cinco mil caixas da fruta, totalizando cerca de 20 mil bandejas. “Tanto consumidores finais quanto representantes de supermercados estão vindo comprar diretamente no Ceasa. Na semana passada já percebemos um leve aumento, mas foi agora que o impacto realmente explodiu”, afirmou.

Estoques zerados e expectativa de reposição

Em outros pontos de venda, o movimento também surpreendeu. Giselle Tenório, proprietária da Girelli Comércio de Frutas e Verduras, contou que o estoque de morangos simplesmente zerou na quarta-feira (23). “Fizemos um novo pedido e a expectativa é de que o produto volte a estar disponível a partir de segunda-feira (28). Está uma loucura. Quem está sofrendo com isso é a tradicional maçã do amor, que virou figurante nessa história”, brincou.

Ela relata que clientes têm ligado e enviado mensagens desde o início da semana em busca da fruta, e muitos ficaram frustrados ao não encontrá-la. “A demanda foi tão atípica que não tivemos como prever. É um efeito de rede social que nunca tínhamos vivenciado com frutas”, comentou.

A explicação para a alta dos preços

Segundo Fernando Higa, a elevação nos preços é uma consequência direta da alta demanda no campo. Os principais fornecedores que abastecem Campo Grande estão localizados em São Paulo e, principalmente, em Minas Gerais. Com o aumento repentino nas encomendas, os produtores reajustaram os valores, o que acabou sendo repassado aos consumidores.

“É a famosa lei da oferta e da procura. O produtor percebeu que o morango está em alta e elevou os preços lá na origem. Como vendemos para o comércio e o consumidor final, o impacto acaba sendo generalizado”, explica o gerente da Casa do Morango.

Tendência que supera datas comemorativas

Historicamente, datas como Páscoa, Dia das Mães e Natal são os períodos de maior movimentação para os comerciantes de frutas. Mas neste ano, a tendência inesperada conseguiu ultrapassar todos esses marcos. “Nunca vendemos tanto morango em tão pouco tempo. Até mesmo em épocas festivas o giro não é tão intenso”, relatou Higa.

Essa movimentação não apenas aqueceu o comércio de frutas, mas também beneficiou docerias, confeitarias e pequenos produtores que apostaram na sobremesa como forma de alavancar as vendas. Em muitas lojas, o “Morango do Amor” se esgotou em poucas horas, impulsionando inclusive o preço do produto final.

Impactos além do Ceasa

O reflexo do fenômeno também chegou aos supermercados e hortifrutis de bairro. Consumidores têm relatado dificuldade para encontrar a fruta em bom estado e com preços acessíveis. Alguns estabelecimentos já começaram a limitar a quantidade de bandejas por pessoa para evitar desabastecimento.

A busca crescente pelo morango também está provocando um reposicionamento estratégico nas gôndolas. Supermercados estão destacando a fruta em locais privilegiados, apostando no apelo da tendência para atrair mais clientes.

Efeito passageiro ou oportunidade de negócio?

Especialistas do setor alimentício enxergam o movimento com otimismo, mas também com cautela. Embora o impacto positivo nas vendas seja inegável, há dúvidas sobre a sustentabilidade dessa demanda no longo prazo. “A tendência pode esfriar tão rápido quanto surgiu. Mas se bem aproveitada, é uma oportunidade de ouro para fidelizar consumidores e agregar valor ao produto”, avalia o consultor agroalimentar Marcelo Peixoto.

Por enquanto, o “Morango do Amor” segue firme como a sobremesa queridinha da temporada — e como o principal motor de vendas para os produtores e comerciantes de frutas em Campo Grande.

Autoria: Sarah Pacini

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