Projeto de reforma do estádio Pedro Pedrossian em Campo Grande começa a ser analisado e recursos podem ser liberados ainda este ano
O Estádio Universitário Pedro Pedrossian, mais conhecido como Morenão, em Campo Grande (MS), poderá finalmente retomar seu papel central no cenário esportivo sul-mato-grossense. Após anos de interdições e paralisações, o Ministério do Esporte passou a analisar um novo projeto de reforma, com previsão de reabertura parcial para até 12 mil torcedores. A proposta foi discutida nesta terça-feira (7), em reunião com o ministro André Fufuca, parlamentares do estado e o secretário estadual de Turismo, Cultura e Esporte, Marcelo Miranda.
Fechado oficialmente desde 2017 devido a problemas estruturais, o estádio — que pertence à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) — é considerado o maior e mais emblemático do estado. Agora, a proposta de revitalização quer transformar um impasse de anos em oportunidade para devolver o Morenão à população, mesmo que em etapas.
Reunião decisiva em Brasília
O encontro realizado no Ministério do Esporte contou com a presença da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), do deputado estadual Pedro Pedrossian Neto (PSD) — neto do ex-governador que dá nome ao estádio —, além do secretário Marcelo Miranda. Durante a reunião, os representantes de Mato Grosso do Sul apresentaram os detalhes do projeto ao ministro Fufuca, que se comprometeu a analisar a proposta com atenção e, se possível, garantir parte dos recursos ainda em 2025.
“A reabertura parcial é o primeiro passo. O Morenão tem história, tem estrutura e tem importância para o esporte sul-mato-grossense. Mas a UFMS não tem condições de arcar sozinha com a reforma completa. Precisamos de uma solução que envolva também o setor privado, com um modelo moderno de gestão”, afirmou Marcelo Miranda, reforçando a necessidade de investimentos em infraestrutura esportiva como forma de apoiar os clubes locais e fomentar o futebol regional.
Parceria público-privada como alternativa
Além do aporte federal, o ministro André Fufuca sugeriu que o governo do estado e a UFMS estudem a possibilidade de uma parceria público-privada (PPP) como alternativa para acelerar a reestruturação do estádio. A ideia é que a reabertura parcial, limitada inicialmente à área coberta com capacidade para 12 mil pessoas, sirva como ponto de partida para um plano de viabilidade que atraia investidores interessados em revitalizar e explorar o espaço.
“Queremos reabrir para mostrar que o estádio ainda pulsa, que pode ser útil e gerar retorno. Reativar parte do Morenão é como começar a pedalar uma bicicleta: com movimento, podemos avançar para projetos maiores”, destacou Pedro Pedrossian Neto.
O abandono e os esforços de reativação
A trajetória recente do Morenão é marcada por altos e baixos. Em 2014, o estádio foi interditado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por apresentar risco à segurança dos torcedores. No ano seguinte, começaram as primeiras obras de adequação. Em 2016, houve reabertura parcial, com público reduzido, mas a estrutura continuava comprometida.
Em 2020, foram realizadas novas intervenções emergenciais para viabilizar o Campeonato Estadual de Futebol. Já em 2021, o Governo do Estado e a UFMS assinaram um termo de cooperação para estudar uma reforma mais ampla — que, até agora, não saiu do papel por falta de recursos.
A proposta atual pretende retomar esse esforço, mas de forma mais realista: com uma reabertura limitada, que respeite as condições técnicas e de segurança, ao mesmo tempo em que devolve ao futebol sul-mato-grossense um espaço histórico.
O estádio que marcou gerações
Inaugurado em 1971, o Morenão foi por décadas o principal palco do futebol no estado. Com capacidade original para mais de 40 mil pessoas, o estádio já recebeu clássicos regionais, partidas da Copa do Brasil e diversos eventos esportivos e culturais. Seu abandono nos últimos anos tem sido motivo de frustração entre torcedores, atletas e gestores públicos.
Para muitos, a reabertura parcial é mais do que um alívio: é uma chance de retomar a paixão pelo futebol local em um ambiente tradicional, onde a memória afetiva ainda pulsa forte. A possibilidade de retorno anima também os clubes de Mato Grosso do Sul, que atualmente enfrentam dificuldades para encontrar estádios com estrutura adequada para suas competições.
Próximos passos
Com o projeto já nas mãos do Ministério do Esporte, os parlamentares agora articulam a liberação dos recursos e o detalhamento técnico para garantir que as intervenções comecem ainda em 2025. Enquanto isso, também deve avançar o estudo sobre viabilidade econômica de uma PPP, que poderá garantir a sustentabilidade do estádio no longo prazo.
A proposta é que, após a reabertura parcial, o Morenão possa passar por outras etapas de modernização, incluindo melhorias nos vestiários, iluminação, acessibilidade, arquibancadas e áreas administrativas.
Caso o plano se concretize, o Morenão poderá voltar a ser um centro esportivo ativo e atrativo, colocando novamente Campo Grande no mapa do futebol nacional — e, sobretudo, devolvendo aos sul-mato-grossenses um espaço que faz parte da história e da identidade local.
Autoria: Sarah Pacini
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