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Mostra de Solos Teatrais celebra protagonismo feminino

Evento acontece neste fim de semana com programação intensa no Teatro Aracy Balabanian e no Centro Cultural José Octávio Guizzo; temas como ancestralidade, maternidade e escrita feminina estão em destaque

Campo Grande recebe neste fim de semana, dias 23 e 24 de agosto de 2025, a 1ª Mostra de Solos Teatrais — evento gratuito que une arte cênica, literatura e reflexão social sob o olhar e a vivência das mulheres. Com apresentações teatrais, debates e uma oficina de escrita criativa, a programação visa valorizar as vozes femininas tanto nos palcos quanto nos bastidores da produção artística.

Idealizado por Karine Araujo, atriz sul-mato-grossense, e Nill Amaral, diretor da Cia Ofit, o projeto é financiado pela Lei Aldir Blanc e surge como uma plataforma para expressar questões urgentes relacionadas à mulher, ao corpo, à memória e à representatividade feminina no cenário cultural.

Dois espetáculos que atravessam história, dor e resistência

A mostra traz dois monólogos impactantes que abordam narrativas femininas sob diferentes perspectivas e temporalidades. O primeiro deles é “Groselha”, protagonizado por Karine Araujo, com direção de Nill Amaral. A montagem será apresentada no sábado (23), às 20h, e no domingo (24), às 18h, no Teatro Aracy Balabanian.

Inspirado na clássica tragédia grega “Medeia”, o espetáculo ressignifica a história da personagem sob o ponto de vista contemporâneo, levantando discussões sobre maternidade compulsória, liberdade feminina e a estrutura opressora de uma sociedade misógina. Com uma atuação visceral, Karine convida o público a mergulhar nas contradições e silêncios que muitas mulheres ainda enfrentam.

Fechando a programação no domingo, às 20h, o palco do Aracy Balabanian recebe “(Im)possível Memória”, solo da atriz mineira Júnia Pereira com direção de Gina Tocchetto. A peça parte de um processo de investigação pessoal e histórica da artista, que percorre suas origens até encontrar a figura de sua tataravó, uma mulher escravizada. O espetáculo entrelaça memória, ancestralidade e ficção, criando um ambiente cênico de cura, denúncia e pertencimento.

“(Im)possível Memória” é mais do que uma performance teatral — é um rito de reapropriação da própria história e um ato de resistência frente ao apagamento de memórias negras e femininas.

Oficina literária para mulheres: espaço de criação e acolhimento

Além das apresentações, a Mostra de Solos Teatrais abre espaço para a palavra escrita com a realização da Oficina de Escrita Criativa para Mulheres, ministrada pela escritora e pesquisadora Sarah Muricy. O encontro será no sábado (23), das 14h às 18h, no Ateliê de Criação do Centro Cultural José Octávio Guizzo.

A proposta é oferecer um espaço de acolhimento, escuta ativa e estímulo à criação a partir das experiências pessoais das participantes. A oficina busca incentivar a escrita como forma de expressão, autonomia e empoderamento, com foco em histórias que geralmente não encontram espaço nos circuitos literários tradicionais.

Sarah Muricy afirma que a escrita criativa pode ser um caminho para “romper silêncios históricos” e dar voz a mulheres que, por tanto tempo, foram apagadas das narrativas oficiais.

Representatividade em todas as camadas

Karine Araujo destaca que a mostra foi pensada para ir além da visibilidade cênica: “Queremos fortalecer a presença feminina em todas as camadas do fazer teatral — na atuação, na direção, na produção, no texto. E também na escuta. É uma convocação para olharmos de forma mais profunda para os lugares que ocupamos e os que ainda nos são negados.”

Nill Amaral, parceiro na curadoria e direção, reforça que o evento busca incentivar a democratização da cultura e o acesso à arte como ferramenta de transformação social. “É um projeto que dialoga com os tempos atuais, com urgência e delicadeza. É sobre dar palco às subjetividades femininas, suas potências e suas lutas.”

A Mostra de Solos Teatrais é uma oportunidade para o público sul-mato-grossense conhecer trabalhos autorais potentes, e também para refletir sobre como o teatro pode servir como espelho crítico da sociedade — especialmente quando são as mulheres que assumem o protagonismo de suas histórias.

Programação completa:

📍 Teatro Aracy Balabanian

📍 Centro Cultural José Octávio Guizzo

A entrada é gratuita em todas as atividades, e não é necessário fazer inscrição prévia. Mais informações podem ser encontradas no perfil oficial do projeto no Instagram: @ofitcia.

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Autoria: Sarah Pacini

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