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Motorista perde R$ 16,8 mil após falsa vaga e videochamada de 4 horas

Motorista permaneceu mais de quatro horas em videochamada durante suposto processo de contratação - Foto: Jonathan Chukwudifu/Pexels

Motorista permaneceu mais de quatro horas em videochamada durante suposto processo de contratação - Foto: Jonathan Chukwudifu/Pexels

Golpista usou anúncio no Facebook, pediu selfie e compartilhamento de tela e teria contratado empréstimo sem autorização

Motorista de caminhão, de 56 anos, teve prejuízo de R$ 16.809 depois de cair em um golpe envolvendo uma falsa oportunidade de emprego em Campo Grande. Segundo o registro feito à Polícia Civil, o criminoso teria usado dados pessoais e imagens obtidas durante uma videochamada de aproximadamente 4h35 para contratar um empréstimo em nome da vítima.

O contato começou no dia 3 de agosto, quando o motorista viu no Facebook um anúncio que oferecia trabalho para caminhoneiros interessados em agregar seus veículos à frota de uma transportadora.

A proposta informava que o profissional poderia receber R$ 800 por dia pelos fretes realizados.

Interessado, o motorista acessou o link disponibilizado na publicação e passou a conversar pelo WhatsApp com uma pessoa que se apresentou como Gabriel.

Conversas duraram vários dias

Segundo o boletim de ocorrência, as primeiras conversas aconteceram nos dias 3 e 4 de agosto.

Durante o contato, o suposto recrutador explicou como funcionaria a contratação e apresentou a promessa de pagamento de R$ 800 por dia caso o motorista passasse a prestar serviços com o próprio caminhão.

A comunicação continuou nos dias seguintes até segunda-feira (10), quando os dois iniciaram uma longa videochamada.

A ligação durou cerca de quatro horas e 35 minutos.

Golpista pediu imagem do rosto

Durante a videochamada, o homem teria orientado o motorista a permanecer parado diante da câmera.

A justificativa apresentada era de que seria necessário fazer uma fotografia ou selfie como parte do processo relacionado à suposta contratação.

O motorista atendeu ao pedido.

Ainda durante a ligação, o suspeito solicitou o compartilhamento da tela do celular e pediu a confirmação de algumas informações pessoais.

Esses dados e imagens são apontados no registro policial como possíveis elementos utilizados posteriormente para realizar operações financeiras em nome da vítima.

Empréstimo apareceu no dia seguinte

Na terça-feira (11), o motorista percebeu que havia um empréstimo de R$ 16,8 mil contratado em seu nome sem autorização.

O valor identificado foi de R$ 16.809.

Depois de constatar a movimentação, a vítima procurou a polícia.

O caso foi registrado como fraude eletrônica na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário, a Depac, do Centro de Campo Grande.

Anúncio falso estava no Facebook

De acordo com o relato, a falsa oportunidade de trabalho foi encontrada em um anúncio publicado no Facebook.

A comunicação com o suspeito, porém, prosseguiu pelo WhatsApp.

A reportagem original informou ter procurado a Meta, empresa responsável pelas duas plataformas, para solicitar um posicionamento.

Até a publicação das informações utilizadas nesta matéria, não havia resposta da companhia.

Caso serve de alerta para falsas oportunidades

Situações em que supostos recrutadores solicitam compartilhamento de tela, imagens do rosto, senhas, códigos ou informações bancárias exigem atenção.

No caso registrado em Campo Grande, a vítima relatou que os pedidos foram apresentados como etapas normais de um processo seletivo.

A investigação deverá apurar como os dados foram utilizados e identificar o responsável pela contratação do empréstimo.

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