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MPMS investiga falta de remédios e exames em postos de Campo Grande

Falta de medicamentos e exames em unidades de Campo Grande passou a ser investigada pelo MPMS - Foto: Gerada Por IA/Williams Souza

Falta de medicamentos e exames em unidades de Campo Grande passou a ser investigada pelo MPMS - Foto: Gerada Por IA/Williams Souza

Moradores relatam falta de medicamentos e exames no Jardim Macaúbas e Aero Rancho; Sesau diz que tenta normalizar o abastecimento

Falta de medicamentos, insumos, profissionais e até dificuldades para realizar exames em unidades de saúde de Campo Grande passaram a ser apuradas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Entre os locais citados estão a Unidade de Saúde da Família (USF) Jardim Macaúbas e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Aero Rancho, onde moradores relatam problemas para conseguir itens considerados básicos no atendimento público.

No Jardim Macaúbas, o MPMS abriu inquérito civil para investigar as condições oferecidas à população. As reclamações envolvem falta de medicamentos, profissionais e materiais utilizados nos atendimentos.

No Aero Rancho, pacientes também afirmam encontrar dificuldades para retirar remédios e realizar exames. Entre os medicamentos mencionados estão losartana, metformina, hidroclorotiazida e dipirona.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que adotou medidas para tentar solucionar os problemas de abastecimento. Segundo a pasta, parte das dificuldades ocorre quando empresas vencedoras de licitações deixam de cumprir os contratos ou solicitam mudanças nos preços definidos durante o processo de compra.

Pacientes relatam falta de medicamentos no Aero Rancho

Moradora do Aero Rancho e vice-presidente do bairro, Cida Jovina procurou a unidade com uma receita, mas não conseguiu retirar a losartana que utiliza regularmente.

Segundo Cida, uma funcionária da farmácia informou que o medicamento não estaria disponível naquele local nem em outras unidades naquele momento.

“Losartana, que é um medicamento que eu sou cardíaca e eu tomo, custa baratinho, mas não tem. Segundo a moça da farmácia, não tem em nenhum”, relatou.

Outros medicamentos também foram apontados como indisponíveis na unidade, entre eles dexclorfeniramina, aciclovir, dexametasona e dipirona.

As dificuldades não se restringem aos remédios. Pacientes também relataram problemas para realizar exames, incluindo o de urina tipo 1.

Jardim Macaúbas é alvo de inquérito civil

Situação da USF Jardim Macaúbas passou a ser investigada formalmente pelo Ministério Público diante das reclamações sobre o funcionamento da unidade.

Moradores descrevem dificuldades para encontrar medicamentos, conseguir determinados exames e ter acesso aos serviços procurados.

A dona de casa Angela Delfino afirma que as reclamações são frequentes e que parte dos pacientes acaba sendo orientada a buscar atendimento particular quando determinado procedimento não está disponível na rede.

“O pessoal reclama muito. Você vai nos lugares e falta remédio. O médico manda fazer exame, às vezes tem exame que aqui não faz, tem que mandar para o particular e às vezes a população não tem como pagar”, afirmou.

Máquina para exame apresentou problema

Dificuldades na realização de exames também foram relatadas por quem procurou atendimento no Jardim Macaúbas.

A autônoma Thainara Nobre chegou à unidade por volta das 7h para que fosse realizado um hemograma. Os pedidos dos pacientes chegaram a ser recolhidos, mas, segundo ela, houve problema no equipamento utilizado no procedimento.

Depois de permanecer mais de uma hora na unidade, Thainara precisou ir embora sem que a coleta de sangue fosse realizada. Ela estava acompanhada de crianças que permaneciam em jejum para o exame.

“Estou indo embora porque as crianças estão com fome. Desde 7h para fazer um exame de sangue, criança pequena, em jejum”, contou.

Losartana também não foi encontrada no Jardim Macaúbas

Pacientes que procuraram a unidade para retirar medicamentos também voltaram para casa sem conseguir alguns dos itens prescritos.

A aposentada Elza Ferreira de Souza foi ao local em busca de losartana, mas afirmou não ter encontrado o medicamento. Segundo ela, a indisponibilidade não seria recente.

“Não tem, tem que comprar. É baratinho, mas tem hora que a gente não tem”, disse.

Mirta Ferreira da Silva também relatou problemas para encontrar medicamentos utilizados no controle de doenças crônicas.

Segundo ela, losartana, amitriptilina, metformina e hidroclorotiazida estavam entre os remédios procurados e não disponíveis.

“Falam para ir na Farmácia Popular ou comprar. Muitas vezes a gente não tem condição de comprar, a farmácia é bem longe, aí fica sem remédio”, relatou.

De acordo com as informações reunidas no material, losartana e hidroclorotiazida estavam em falta na unidade desde o ano passado e, até a atualização do caso, não havia previsão informada para reposição.

Moradores citam problemas em outros bairros

Relatos semelhantes também partiram de moradores atendidos em outras regiões de Campo Grande.

Foram mencionadas unidades localizadas nos bairros Vila Fernanda, Nova Bahia, Tiradentes, Paulo Coelho Machado, Universitário, Silvia Regina, Ana Maria do Couto, Moreninhas e Caiçara.

As reclamações apresentadas no material estão relacionadas principalmente à falta de medicamentos.

Não foram fornecidos detalhes individualizados sobre a situação de cada uma dessas unidades.

Sesau atribui parte do problema a fornecedores

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que trabalha para manter o abastecimento dos postos e demais unidades da rede municipal.

A Sesau informou que alguns processos de reposição são prejudicados quando empresas vencedoras de licitações deixam de cumprir os contratos firmados ou solicitam reajustes de preços depois da conclusão da compra.

Segundo a secretaria, nesses casos não é possível simplesmente trocar o fornecedor ou modificar os valores previstos originalmente.

A pasta informou que empresas responsáveis já foram notificadas e que outras medidas foram adotadas para tentar restabelecer os estoques no menor prazo possível.

A secretaria também informou que a losartana pode ser retirada nas farmácias credenciadas ao programa Farmácia Popular.

Até a atualização das informações apresentadas, não havia resposta do município sobre a situação específica de todas as outras unidades citadas pelos moradores nem sobre uma previsão para normalização dos exames que aguardavam atendimento.

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