Evento gratuito entre os dias 23 e 25 de outubro propõe uma nova forma de pensar a moda em Mato Grosso do Sul, unindo expressão cultural, representatividade e sustentabilidade
Campo Grande se prepara para respirar criatividade e identidade cultural com a chegada do MS Fashion Hub, evento que acontece de 23 a 25 de outubro, na Casa da Cultura, localizada na Avenida Afonso Pena. Serão três dias intensos de oficinas práticas, rodas de conversa, desfiles performáticos e apresentações musicais que colocam a moda em destaque não apenas como estética, mas como ferramenta de transformação social.
Idealizado pelo estilista Fábio Castro, o projeto nasceu da vontade de ir além dos tradicionais desfiles e editoriais que marcam o cenário fashion da capital sul-mato-grossense. “Faltava um espaço onde a moda pudesse ser discutida como linguagem, onde as pessoas pudessem trocar experiências e refletir sobre o vestir como manifestação de identidade”, explica Fábio.
Com entrada gratuita, o MS Fashion Hub se consolida como um espaço de formação e provocação criativa, convidando o público a enxergar a moda como reflexo da diversidade, das raízes culturais e das questões contemporâneas, como sustentabilidade e inclusão.
Oficinas e vivências para todos os públicos
A programação contempla oficinas acessíveis a diferentes perfis, desde iniciantes até quem já atua na área e busca se atualizar ou repensar suas práticas. Entre os destaques estão o curso de fotografia com celular, oficinas de costura básica e criativa, práticas de upcycling em jeans, além de laboratórios voltados à produção de moda e construção de imagem.
Um dos momentos mais esperados é o workshop da modelo e atriz Isabela Lopes, que foca na construção do corpo cênico e na presença em passarela. “Mais do que técnica, quero oferecer uma experiência de autoconhecimento. O corpo fala, e entender isso é essencial para quem quer se expressar com autenticidade na moda”, ressalta Isabela.
Vozes que transformam a moda brasileira
O evento ainda traz mentorias com profissionais de destaque nacional, com o objetivo de fomentar marcas locais, incentivar o empreendedorismo criativo e dar visibilidade a vozes historicamente marginalizadas.
Um dos nomes confirmados é o do estilista Dih Morais, referência na moda afro-brasileira e quilombola. Ele retorna a Mato Grosso do Sul para conduzir uma mentoria dedicada a marcas autorais criadas por pessoas negras e mulheres trans. “Minha arte vem da minha avó, da minha ancestralidade. Estar aqui é sobre conexão, sobre transformar memória em criação”, afirma.
Também participa do evento Paloma Gervasio Botelho, integrante do movimento Fashion Revolution SP, que lidera o laboratório “Moda e Estilo – Expansão do Criativo”. A proposta é discutir o vestir como ato político, incentivando os participantes a enxergar suas escolhas como expressão de identidade, resistência e consciência social.
As mentorias são voltadas a um grupo reduzido de participantes — apenas seis vagas por atividade, preenchidas por seleção —, garantindo um acompanhamento mais próximo e personalizado.
Diálogos abertos sobre pertencimento e representatividade
Além das oficinas e mentorias, o público poderá acompanhar talks abertos com entrada livre, promovendo debates que dialogam diretamente com os temas centrais do evento: pertencimento, origem, visibilidade e transformação social por meio da moda.
Entre os destaques da programação estão as palestras:
- “De onde eu vim diz muito sobre mim”, com Dih Morais (23/10 às 18h30)
- “A Visibilidade de Profissionais Negres na Moda”, com Paloma Gervasio Botelho (25/10 às 19h)
Esses encontros prometem provocar reflexões potentes, especialmente sobre os desafios e conquistas de profissionais negros e LGBTQIAPN+ no universo fashion.
Música, celebração e identidade
O MS Fashion Hub também aposta em momentos de celebração, com performances artísticas, DJs e shows ao vivo. Na programação musical, destaque para o DJ set da artista Sara e o show de encerramento com a banda Estrella Cadente, que traz uma mistura de sonoridades da América Latina, Brasil profundo e cultura de fronteira.
Essas apresentações complementam a proposta do evento, que vê a moda como uma experiência sensorial, plural e afetiva — conectada com sons, gestos, histórias e ritmos.
Um convite à transformação
Para Fábio Castro, o maior propósito do evento é provocar mudanças reais. “Queremos que as pessoas saiam diferentes, com novas ideias e a vontade de fazer moda de forma mais consciente. Esse evento é sobre dar espaço a todos os elos da cadeia criativa — da costureira ao maquiador, do artista ao lojista — e mostrar que moda é, sim, uma ferramenta poderosa de mudança”, conclui.
O MS Fashion Hub reforça o potencial do Mato Grosso do Sul como celeiro criativo e coloca em evidência uma moda mais humana, representativa e conectada com as vozes de seu tempo.
Autoria: Sarah Pacini
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