Golpista usou nome de advogado real para aplicar o golpe; vítima fez três transferências via PIX antes de perceber a fraude
Uma mulher de 57 anos perdeu R$ 84,5 mil após cair em um golpe de estelionato por telefone, em Campo Grande (MS). O caso, registrado na última sexta-feira (12), está sendo investigado pela Polícia Civil. O criminoso se passou por um advogado da vítima e a convenceu a realizar três transferências bancárias por meio do PIX, com a falsa promessa de liberação de valores de processos judiciais.
O caso reforça os alertas das autoridades sobre a ação de golpistas cada vez mais sofisticados, que usam nomes de profissionais reais e manipulações emocionais para enganar suas vítimas.
📞 Golpe começou com ligação falsa
De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher recebeu uma ligação telefônica de um homem que se apresentou como seu advogado de confiança. Durante a conversa, o suposto advogado afirmou que havia valores judiciais prestes a serem liberados e solicitou os dados bancários da vítima, afirmando que precisava movimentar o dinheiro para evitar mistura com outros depósitos.
Sem desconfiar da farsa, a mulher compartilhou os dados de sua conta pessoal, onde mantinha R$ 68,5 mil guardados. O golpista, então, pediu que ela realizasse transferências para uma conta “segura”.
💸 Vítima fez três transferências via PIX
Acreditando que estava colaborando com seu advogado, a vítima realizou duas transferências para a mesma conta bancária: uma no valor de R$ 60 mil e outra de R$ 8,5 mil. Em seguida, enviou mais R$ 16 mil para uma conta de outro banco, totalizando um prejuízo de R$ 84,5 mil.
Somente após concluir as operações é que a mulher começou a desconfiar da situação. Ela entrou em contato com o advogado verdadeiro, que prontamente informou que nenhum processo em nome dela havia sido movimentado recentemente e que se tratava de um golpe de estelionato.
🚔 Caso foi registrado na delegacia
A vítima, acompanhada do advogado real, foi até uma delegacia da capital sul-mato-grossense para registrar o caso. Durante o depoimento, o profissional relatou que outros quatro clientes seus também receberam ligações semelhantes, mas não chegaram a realizar transferências.
A Polícia Civil agora investiga o caso e busca rastrear as contas para onde os valores foram enviados, além de identificar os responsáveis pela fraude.
🔍 Golpe sofisticado e cada vez mais comum
Este tipo de golpe, conhecido como o “golpe do falso advogado”, tem se tornado cada vez mais comum no Brasil. Os criminosos costumam utilizar informações reais, como o nome de advogados, número de processos e até nomes de juízes ou cartórios, para convencer a vítima de que se trata de uma ligação legítima.
Segundo especialistas em segurança digital, os golpistas se aproveitam da boa-fé e da falta de conhecimento técnico das vítimas sobre procedimentos jurídicos e bancários.
📱 Mudanças no PIX prometem maior segurança
Em resposta ao aumento de fraudes com o PIX, o Banco Central do Brasil anunciou recentemente novas regras para facilitar a devolução de valores em casos de golpes e transferências equivocadas.
Entre as mudanças está a possibilidade de o cliente solicitar a devolução diretamente no aplicativo do banco, de forma mais rápida e segura. A instituição bancária do recebedor é obrigada a analisar o caso e, se for comprovado que houve fraude, o valor pode ser estornado, conforme as regras do Mecanismo Especial de Devolução (MED).
Essas medidas são parte de um esforço para conter a onda de crimes cibernéticos e de estelionato que envolvem transferências digitais no Brasil, que se intensificaram com a popularização do sistema de pagamentos instantâneos.
⚠️ Como se proteger de golpes semelhantes
Especialistas em segurança orientam que nunca se deve fornecer dados bancários por telefone, especialmente em chamadas não solicitadas. Outras dicas incluem:
- Desconfie de qualquer ligação ou mensagem informando liberação de valores judiciais;
- Confirme a identidade da pessoa que faz o contato, ligando diretamente para o número oficial do advogado ou escritório;
- Não realize transferências bancárias sem verificar a veracidade da informação;
- Evite clicar em links enviados por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens de fontes desconhecidas;
- Ative verificação em duas etapas nos aplicativos bancários.
👥 O que fazer se for vítima
Se você acredita que caiu em um golpe, procure imediatamente uma delegacia, registre um boletim de ocorrência e comunique o seu banco. Quanto mais rápido for o comunicado, maiores são as chances de bloquear as transações ou recuperar parte do valor.
Além disso, é possível registrar a tentativa ou o golpe concretizado também na plataforma consumidor.gov.br, e, em alguns casos, acionar o Procon para mediação com a instituição financeira.
O caso da mulher de Campo Grande mostra como golpes de engenharia social continuam a fazer vítimas mesmo entre pessoas informadas. A confiança cega, somada ao uso de informações reais pelos criminosos, é uma combinação perigosa. A prevenção, o conhecimento e a cautela são as principais armas contra este tipo de crime.
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