Novos registros de remissão do hiv após procedimentos de transplante de medula óssea trouxeram luz para a medicina, revelando um processo que une eventos médicos raros e avanços biológicos.
O papel do receptor ccr5
Há vários anos, descobrimos que algumas pessoas são resistentes ao HIV. Elas não contraem o vírus porque não existe uma porta de entrada para ele em suas células, um receptor chamado CCR5.
A partir dessa descoberta, os pesquisadores desenvolveram medicamentos capazes de bloquear essa estrutura e viabilizar terapias celulares específicas.
O mecanismo do transplante
A estratégia envolve eliminar todas as células sanguíneas do paciente por meio de quimioterapia e radioterapia para tratar o câncer preexistente, destruindo também os reservatórios onde o vírus persiste.
Em seguida, utiliza-se uma medula óssea doadora que seja naturalmente resistente ao patógeno, fechando a principal via de infecção celular.
O impacto do enxerto contra o hospedeiro
O processo conta ainda com uma reação imunológica na qual as células doadas atacam o organismo receptor, eliminando os vestígios remanescentes do hiv.
O uso de substâncias como o ruxolitinibe em pesquisas paralelas também demonstra capacidade de reduzir os reservatórios virais, aproximando os pacientes da remissão.
Resultados globais e limitações
Do paciente de Berlim ao de Kansas City — eles ficaram conhecidos pelas cidades onde foram tratados —, são, até agora, 14 pessoas curadas. E sabemos que elas estão curadas porque, mesmo interrompendo o tratamento com antirretrovirais, o vírus não volta.
Apesar dos avanços, a técnica apresenta riscos elevados e não deve ser indicada exclusivamente para o combate ao vírus, servindo principalmente como base para novas pesquisas farmacológicas.
As descobertas desses e de outros tratamentos, experimentais ou não, alimentam novas perspectivas. Eu acredito que um dia viveremos em um mundo sem HIV.
