Distúrbio provoca secura nos olhos e na boca, pode afetar órgãos internos e não tem cura; diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações
A ex-BBB e apresentadora Fernanda Keulla revelou recentemente que foi diagnosticada com a síndrome de Sjögren, uma doença autoimune rara que, apesar de pouco conhecida pelo público em geral, atinge milhares de pessoas no Brasil e no mundo. O anúncio, feito por meio de suas redes sociais, chamou a atenção de fãs e também levantou dúvidas sobre os sintomas, o tratamento e as possíveis complicações dessa condição de saúde.
A síndrome de Sjögren (pronuncia-se “xêgren”) é uma doença autoimune crônica que ocorre quando o sistema imunológico, por algum motivo ainda desconhecido, passa a atacar as glândulas exócrinas responsáveis pela produção de fluidos como lágrimas e saliva. O resultado é uma intensa sensação de secura, principalmente nos olhos e na boca, mas os sintomas podem ser bem mais amplos e comprometer a qualidade de vida dos pacientes.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a síndrome é mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos, embora possa surgir em qualquer fase da vida. Estima-se que cerca de 90% dos casos ocorram em mulheres, e muitas vezes ela está associada a outras doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide.
Sintomas vão além de olhos e boca secos
Embora os sintomas mais clássicos sejam o ressecamento ocular e bucal, a síndrome de Sjögren pode apresentar uma ampla gama de manifestações clínicas. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Sensação de areia nos olhos
- Dificuldade para engolir alimentos secos
- Fadiga persistente
- Dores articulares (artralgias)
- Inflamação nas articulações (artrite)
- Secura vaginal, da pele e das vias respiratórias
Nos casos mais graves ou avançados, a doença pode atingir órgãos internos como pulmões, rins, fígado, vasos sanguíneos, pâncreas e até o sistema nervoso central. Por isso, é considerada uma condição sistêmica e que, sem o tratamento adequado, pode evoluir para quadros mais sérios.
Além disso, pacientes com Sjögren têm risco aumentado de desenvolver linfoma, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, embora essa evolução seja rara.
Diagnóstico pode ser desafiador
Como muitos dos sintomas da síndrome de Sjögren se sobrepõem aos de outras doenças mais comuns, o diagnóstico pode demorar anos para ser concluído. O olho seco, por exemplo, pode ser causado por uso prolongado de telas, ambientes com ar-condicionado ou outras doenças oculares; já a boca seca pode ter origem em medicamentos ou desidratação.
Por isso, é essencial que o paciente procure um reumatologista ou médico especializado ao notar sintomas persistentes. O diagnóstico é feito por meio de uma combinação de exames clínicos, laboratoriais e, em alguns casos, biópsias de glândulas salivares.
Exames de sangue específicos podem identificar autoanticorpos como o anti-Ro (SSA) e anti-La (SSB), bastante comuns em pacientes com Sjögren. Outros testes, como a avaliação da produção de lágrimas (teste de Schirmer) e a análise do fluxo salivar, também são úteis no processo diagnóstico.
Tratamento visa aliviar os sintomas e controlar a inflamação
Embora ainda não exista cura para a síndrome de Sjögren, os sintomas podem ser controlados com acompanhamento médico e tratamento adequado. A abordagem terapêutica varia conforme a gravidade dos sintomas e a extensão do comprometimento sistêmico.
Nos quadros mais leves, com secura ocular e bucal, são indicados colírios lubrificantes, lágrimas artificiais, substitutos salivares e orientações sobre hidratação e cuidados com a mucosa oral. O uso de umidificadores de ar em casa também pode aliviar o desconforto.
Em casos mais graves, especialmente quando há comprometimento de órgãos ou manifestações articulares, o tratamento pode incluir:
- Anti-inflamatórios não esteroides
- Corticoides
- Imunossupressores (como hidroxicloroquina ou metotrexato)
- Terapias biológicas, em casos específicos
Além do tratamento medicamentoso, a adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, prática de atividades físicas moderadas e acompanhamento multidisciplinar, pode melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.
Fernanda Keulla levanta debate sobre doenças autoimunes
Ao compartilhar seu diagnóstico com o público, Fernanda Keulla ajuda a jogar luz sobre uma condição pouco conhecida e muitas vezes subdiagnosticada. Sua postura transparente contribui para aumentar a conscientização e estimular outras pessoas a buscarem ajuda médica ao notarem sintomas persistentes de secura ou fadiga intensa.
A ex-BBB ainda não divulgou detalhes sobre o tratamento que seguirá, mas já afirmou estar otimista com o controle da doença e em busca de equilíbrio físico e emocional.
Com o avanço da medicina e o monitoramento contínuo, muitas pessoas diagnosticadas com a síndrome de Sjögren conseguem viver com conforto e estabilidade, desde que sigam corretamente o plano terapêutico indicado por seus médicos.
A conscientização sobre doenças autoimunes, como a de Fernanda, é essencial para combater o preconceito, o desconhecimento e melhorar o diagnóstico precoce, fundamental para um prognóstico mais positivo.
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Autoria: Sarah Pacini