Ícone do site Portal E-Brasil

Pantanal entra nos planos de 7 candidatos ao governo de MS

Pantanal aparece nos programas de sete candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026 - Foto: Wolves201/Wikimedia Commons

Pantanal aparece nos programas de sete candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026 - Foto: Wolves201/Wikimedia Commons

Programas tratam de incêndios, Lei do Pantanal, fiscalização, carbono e turismo; Daniel Lemes não apresenta medidas específicas

Pantanal ocupa espaço nas propostas de sete dos oito candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026. Os programas registrados para a disputa apresentam caminhos diferentes para enfrentar problemas como incêndios florestais e longos períodos de seca, além de discutir fiscalização, atividades econômicas, turismo e formas de remunerar quem mantém áreas preservadas.

O tema ganhou peso diante dos impactos ambientais registrados nos últimos anos. Em 2024, o Pantanal teve cerca de 3,9 mil focos de calor entre janeiro e meados de julho, número mais de 16 vezes superior ao observado no mesmo intervalo de 2023, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados no levantamento. Outro ponto de atenção é a redução da presença de água no bioma, situação que afeta a fauna, a atividade produtiva e as comunidades da região.

Entre os assuntos presentes nos programas está a Lei Estadual nº 6.160/2023, conhecida como Lei do Pantanal, criada para estabelecer regras de conservação, proteção, restauração e uso sustentável da planície pantaneira. Os candidatos divergem, principalmente, sobre a forma de ampliar a proteção ambiental e conciliá-la com atividades econômicas desenvolvidas no bioma.

Riedel aposta na continuidade da Lei do Pantanal

Eduardo Riedel (PP) apresenta a legislação aprovada durante sua gestão como um dos eixos da política ambiental para a região e propõe continuar sua implementação.

Entre as medidas estão a ampliação dos programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) destinados a produtores que preservam áreas naturais e o fortalecimento de brigadas comunitárias para prevenção e combate aos incêndios florestais.

O programa também prevê ampliar o Ilumina Pantanal, iniciativa voltada a comunidades isoladas, com ações relacionadas a energia solar, abastecimento de água e saneamento.

Renato Gomes propõe brigada permanente e mercado de carbono

Economista Renato Gomes (DC) concentra as propostas na regulamentação da Lei do Pantanal, prevenção de incêndios e criação de incentivos financeiros associados à conservação.

O candidato defende discutir a regulamentação com produtores rurais, pesquisadores e ambientalistas. Entre as medidas citadas estão zoneamento agroecológico-econômico, manutenção da pecuária extensiva tradicional e regras rigorosas para o uso do fogo.

Na prevenção aos incêndios, Gomes propõe criar uma brigada estadual permanente, equipada com aeronaves, equipamentos e pessoal especializado, com possibilidade de utilização de recursos do Fundo Amazônia e do Fundo Clima.

Também estão no programa a ampliação do pagamento por serviços ambientais e a estruturação de um mercado estadual de créditos de carbono para propriedades do Pantanal.

Trad propõe plano de recuperação e fundo para emergências

Fábio Trad (PT) parte de uma avaliação crítica sobre a capacidade do poder público de prevenir e responder aos grandes incêndios registrados no bioma.

O candidato propõe criar um Plano Estadual de Proteção e Recuperação do Pantanal, com monitoramento climático permanente, recuperação de áreas degradadas, preservação dos recursos hídricos e gestão integrada da bacia pantaneira.

Outra proposta é instituir um Sistema Estadual de Prevenção Climática e Gestão de Desastres, acompanhado de um Fundo Estadual de Emergência Climática e Proteção Ambiental destinado a financiar ações em municípios atingidos por queimadas e outros eventos extremos.

Trad também relaciona preservação e atividade econômica ao defender turismo sustentável, rede de observação da fauna e brigadas ambientais permanentes.

Catan quer moradores e produtores na elaboração das políticas

João Henrique Catan (Novo) defende que produtores rurais, comunidades tradicionais, pesquisadores e moradores do Pantanal participem diretamente da elaboração das políticas voltadas ao bioma.

O plano prevê brigadas permanentes e monitoramento contínuo para prevenção de incêndios. Catan também sustenta que a pecuária extensiva tradicional e o manejo das pastagens podem contribuir para reduzir o volume de material vegetal disponível para alimentar grandes queimadas.

No campo da infraestrutura, a proposta estabelece que novas obras sejam planejadas levando em consideração o ciclo natural das águas e as características ambientais da planície.

Lucien propõe reforço na fiscalização

Lucien Rezende (PSOL) direciona boa parte das propostas ao fortalecimento da fiscalização ambiental no Estado.

O programa prevê ampliar a estrutura dos órgãos responsáveis pelo controle ambiental, intensificar o combate às queimadas ilegais e endurecer as punições aplicadas aos responsáveis por infrações.

Rezende também propõe acompanhamento permanente dos impactos sociais e ambientais relacionados à atividade mineradora em Corumbá e nas áreas próximas ao Pantanal.

Jeferson aposta no ecoturismo

Jeferson Bezerra (Agir) relaciona a proteção do Pantanal principalmente à possibilidade de gerar desenvolvimento econômico de maneira sustentável.

Entre as propostas está o fortalecimento do turismo ecológico e do ecoturismo, tratados no programa como atividades capazes de gerar emprego e renda ao mesmo tempo em que estimulam a conservação ambiental.

Delcídio trata preservação de forma mais ampla

Delcídio Amaral (PRD) aborda o Pantanal de maneira menos detalhada que outros candidatos.

O plano defende a preservação das reservas ambientais consideradas estratégicas para Mato Grosso do Sul e apresenta o Pantanal como patrimônio natural cuja proteção deve permanecer entre as responsabilidades permanentes do governo estadual.

Daniel Lemes não apresenta proposta específica

Daniel Lemes (PCO) é o único entre os candidatos cujos trechos analisados do programa de governo não apresentam medidas específicas relacionadas à Lei do Pantanal, prevenção aos incêndios ou gestão ambiental do bioma.

Assim, embora a preservação apareça em diferentes níveis nos programas da maioria dos concorrentes, as prioridades não são as mesmas. Há candidaturas que concentram as propostas na prevenção ao fogo e fiscalização, enquanto outras apostam em incentivos econômicos, mercado de carbono, turismo, participação de comunidades e continuidade das políticas atualmente existentes.

Sair da versão mobile