Pontífice havia reaparecido em público na Páscoa, mas não resistiu às complicações de saúde. Ele morreu aos 88 anos após sofrer um acidente vascular cerebral e falência cardíaca.
O Vaticano confirmou, na tarde desta segunda-feira (21), que o Papa Francisco faleceu em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. A informação, que já havia sido antecipada por veículos da imprensa italiana, foi oficialmente divulgada pela Santa Sé por meio de um comunicado. O pontífice argentino morreu na madrugada desta segunda, aos 88 anos, na Casa Santa Marta, sua residência oficial.
A causa da morte lança luz sobre a gravidade do quadro clínico de Jorge Mario Bergoglio nas últimas semanas, especialmente após sua internação prolongada para tratar uma pneumonia bilateral, da qual havia recebido alta no fim de março. Apesar da recuperação parcial e das aparições públicas limitadas durante a Semana Santa, Francisco enfrentava um estado de saúde cada vez mais frágil, que culminou na crise fatal.
Última aparição pública foi na Páscoa
Mesmo debilitado, o Papa apareceu publicamente pela última vez no Domingo de Páscoa (20), quando saudou milhares de fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano. Naquele dia, ele participou brevemente da tradicional celebração pascal, delegando a leitura da mensagem à multidão a um assessor, mas fazendo questão de acenar, abençoar e circular pela praça a bordo do papamóvel.
A cena, que emocionou católicos ao redor do mundo, agora é lembrada como um momento de despedida. A mensagem escrita por Francisco exaltava a necessidade de liberdade religiosa e de pensamento, condenava os conflitos armados e pedia um cessar-fogo urgente na Faixa de Gaza.
— Não há paz possível onde não há liberdade religiosa, liberdade de pensamento e expressão — dizia um trecho da declaração lida em seu nome.
Saúde frágil e complicações recentes
Desde fevereiro de 2025, o Papa enfrentava uma batalha contra problemas respiratórios. No dia 14 daquele mês, ele foi internado no Hospital Gemelli, em Roma, com um diagnóstico inicial de bronquite. O quadro evoluiu para pneumonia bilateral e exigiu tratamento intensivo com antibióticos e corticoides. A alta veio no final de março, acompanhada de uma discreta melhora.
Contudo, já se especulava sobre a real capacidade do pontífice de retomar sua rotina. O Vaticano havia reduzido sua agenda pública, e ele cancelou compromissos tradicionais da Semana Santa, como a Via Sacra no Coliseu e a Vigília Pascal. O único gesto oficial mantido foi uma visita a um presídio em Roma, na Quinta-feira Santa, onde se encontrou com cerca de 70 detentos.
No sábado (19), fez uma breve oração diante da imagem da Virgem Maria na Basílica de São Pedro e distribuiu doces às crianças, em mais um gesto que reforçava seu estilo pastoral próximo e afetuoso.
Encontro com vice-presidente dos EUA horas antes da morte
Na véspera de sua morte, Francisco ainda recebeu, em caráter privado, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. A reunião aconteceu na Casa Santa Marta e foi marcada pela cordialidade, apesar de recentes tensões entre o Vaticano e o governo Trump, especialmente no tema da migração.
Francisco presenteou Vance com rosários, ovos de chocolate para seus filhos e uma gravata com o brasão do Vaticano. Durante a conversa, trataram de temas como liberdade religiosa, perseguição aos cristãos e a crise migratória global.
— É um prazer vê-lo com melhor saúde — disse o vice-presidente, que agradeceu pelo encontro e afirmou que ora pelo Papa todos os dias.
Comunicado oficial da Santa Sé
O comunicado do Vaticano, divulgado poucas horas após o falecimento, confirmou oficialmente as causas da morte do pontífice: AVC e insuficiência cardíaca. O documento também lamenta a perda de um líder que, nas palavras da Santa Sé, “dedicou sua vida à construção da paz, da fraternidade e da dignidade humana”.
Ainda não foram divulgados todos os detalhes sobre o funeral, mas sabe-se que o caixão será aberto, em madeira e zinco, conforme o protocolo papal. O sepultamento deverá ocorrer fora das criptas tradicionais do Vaticano, de acordo com o desejo pessoal do pontífice — uma decisão que reafirma seu desapego aos símbolos do poder e sua opção por uma vida simples.
Legado de um pontificado transformador
Eleito em março de 2013, Francisco foi o primeiro papa latino-americano e também o primeiro jesuíta a liderar a Igreja Católica. Seu papado ficou marcado por reformas internas, defesa dos mais pobres, compromisso com o meio ambiente e uma abertura inédita para temas sensíveis, como a inclusão de pessoas LGBTQIA+ e de divorciados na vida da Igreja.
Também promoveu maior protagonismo das mulheres em funções administrativas do Vaticano e reestruturou setores financeiros da Cúria Romana, buscando maior transparência e responsabilidade.
Com sua morte, encerra-se uma era de profundas transformações no catolicismo contemporâneo. O Conclave para a eleição de seu sucessor deverá ocorrer nos próximos dias, reunindo cardeais de todo o mundo na Capela Sistina.
Francisco deixa um legado de compaixão, coragem e humanidade. Sua morte, ainda que esperada, marca profundamente os fiéis e a história recente da Igreja.
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Autoria: Sarah Pacini