Santuário natural, que antes era só pecuária, floresceu com a descoberta de quedas d’água na pandemia e se tornou um laboratório vivo de sustentabilidade e bem-estar
O que antes era apenas uma fazenda dedicada à pecuária desde 1997, hoje se transformou no Paraíso das Cachoeiras, um santuário natural e laboratório vivo de regeneração em Rio Verde, Mato Grosso do Sul. A propriedade da família, que começou a mudar em 2018 com um projeto de Agrofloresta para recuperar áreas degradadas, teve seu ponto de virada em 2020, com a inesperada descoberta de quedas d’água antes ocultas. Foi a partir desse momento que surgiu o desejo de abrir o local para visitantes, como relata Jéssica, uma das proprietárias.
“O Paraíso das Cachoeiras é um Santuário natural vivo. A fazenda estava dedicada à pecuária por mais de 20 anos, mas em 2018 começamos a trabalhar com a Agrofloresta para regenerar áreas. O boom mesmo foi em 2020, na pandemia, quando descobrimos cachoeiras que estavam dentro da área de reserva, mas sem acesso fácil. Foi ali que brotou o desejo de abrir para as pessoas viverem experiências na natureza”, explica Jéssica. Hoje, o local se orienta pela Permacultura e foca em um Turismo Regenerativo, oferecendo experiências de um ou dois dias, cursos e imersões.
Experiências na natureza e propósito
O local se posiciona como um espaço de conexão profunda com o Cerrado em transição com o Pantanal, e não apenas um destino turístico tradicional. Jéssica ressalta que o objetivo vai além da visitação. “Nosso propósito é muito claro: cuidar da terra, nutrir e curar as pessoas e fortalecer redes que regeneram o planeta. É um laboratório vivo, onde a natureza e as pessoas voltam a pulsar em harmonia”, afirma.
As opções para o público incluem a Experiência Regenerativa (um dia com trilha, caminhada sensorial e almoço natural), Retiro com Camping (dois dias) e até experiências personalizadas para empresas. O público-alvo são grupos em busca de descanso e cura, com interesse em permacultura, agroecologia e estilos de vida sustentáveis.
“Nosso santuário natural se abre para compartilhar saberes, práticas e experiências sensoriais, buscando oferecer cura para corpo, mente e espírito em conexão profunda com a terra e a água”, descreve Jéssica sobre a proposta do local
Acolhimento e o futuro do Paraíso
Em relação ao que mais agrada os visitantes, a proprietária não hesita em destacar a relação humana e a riqueza natural. “O que os turistas mais destacam é, sem dúvida, o acolhimento e o compartilhamento de experiências dos guardiões. A comida também é muito elogiada, é natural e local. E, claro, as cachoeiras são de tirar o fôlego. A grande quantidade de pássaros é sempre observada por quem nos visita”, conta.
O compromisso com a sustentabilidade se reflete na gestão e nas trilhas. “Estamos regenerando áreas degradadas com a implantação de Agroflorestas. As trilhas são feitas com o mínimo impacto possível, aproveitando os caminhos já traçados pelos bichos”, detalha Jéssica. O empreendimento também valoriza a economia local, dando preferência a mulheres, indígenas e negros na contratação, além de firmar parcerias com pequenos produtores.
Olhando para o futuro, o Paraíso das Cachoeiras tem planos de expansão. “Estamos ampliando nossas áreas de cultivo e investindo em melhorias na estrutura. Um plano importante é iniciar um viveiro de mudas nativas, que vai atender nossa demanda de regeneração e também fornecer a outros parceiros. Em breve, teremos também estrutura apropriada para receber motorhomes“, revela.
Como mensagem final, Jéssica reforça a crença na mudança: “Nosso trabalho almeja mostrar que é possível cuidar da terra, nutrir e curar pessoas a partir de um envolvimento mais sensível e comprometido com a natureza. Acreditamos que regenerar é o caminho, e a abundância de recursos é o destino.”
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