Após acidente com vítimas fatais, parlamentar cobra instalação de balanças e alerta para sucateamento dos órgãos federais responsáveis pela rodovia.
O grave acidente registrado no último domingo (15) na BR-262, envolvendo um ônibus da empresa Andorinha e um caminhão carregado de minério, gerou comoção e forte repercussão política no Mato Grosso do Sul. Duas pessoas morreram e uma criança ficou gravemente ferida no trecho conhecido como Buraco das Piranhas, entre Corumbá e Miranda. Na manhã desta terça-feira (17), o deputado estadual Paulo Duarte (PSB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa para denunciar o que classificou como “negligência estrutural e institucional” por parte dos órgãos federais.
“A tragédia do último domingo não foi um acaso. Ela é resultado direto do sucateamento de instituições federais responsáveis por fiscalizar e garantir a segurança nas estradas”, disparou o parlamentar.
Um alerta que já era feito
Segundo Duarte, que já trafegou dezenas de vezes pelo local, o trecho da rodovia onde ocorreu o acidente está completamente ondulado e comprometido, o que prejudica a estabilidade dos veículos. Ele também chamou atenção para a ausência de balanças de pesagem, principalmente em uma região que suporta diariamente o tráfego pesado de caminhões de minério de ferro.
“É inadmissível que num dos trechos mais sensíveis do ponto de vista ambiental e logístico, não haja sequer uma balança para fiscalizar o excesso de peso desses caminhões”, afirmou.
A crítica central do deputado é dirigida ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e ao Governo Federal, que, segundo ele, vêm ignorando há anos a necessidade de controle e fiscalização na BR-262. Ele sugeriu que a instalação de balanças seja feita no próprio Buraco das Piranhas ou no posto fiscal Lampião Aceso, na saída de Corumbá.
Fiscalização ausente, tragédias presentes
O parlamentar foi enfático ao dizer que não basta iniciar obras de recapeamento ou reparo na pista se a fiscalização continuar inexistente. De acordo com ele, mesmo com o anúncio de recuperação da BR pelo DNIT nos próximos 20 dias, os acidentes continuarão se medidas de controle de carga não forem adotadas.
“Não adianta fazer o recapeamento da pista se os caminhões continuam passando carregados além do permitido, destruindo o asfalto e colocando vidas em risco. É preciso agir nas causas, não apenas nas consequências”, disse Duarte.
Ele também destacou que, em comparação a outras rodovias federais pelo país, a BR-262 é “abandonada pelo Estado”, o que evidencia um tratamento desigual em termos de infraestrutura.
Proposta de ação conjunta ao MPF
Em resposta à tragédia, o deputado propôs uma ação coletiva da Assembleia Legislativa ao Ministério Público Federal (MPF), exigindo providências urgentes. A ideia é que a casa legislativa cobre formalmente a instalação de balanças e maior presença fiscalizatória do governo federal.
“Queremos que o MPF intervenha e determine, com base na lei e no interesse público, que medidas reais e imediatas sejam tomadas. Não podemos esperar que mais vidas se percam para que o problema receba a atenção que merece”, justificou.
Reiteração de demandas antigas
Ainda durante a sessão ordinária, Paulo Duarte reapresentou uma indicação feita ao DNIT, reforçando o pedido de recapeamento asfáltico e sinalização adequada do trecho entre Corumbá e o Buraco das Piranhas. A primeira solicitação havia sido encaminhada em maio deste ano.
Na justificativa, o parlamentar aponta que o pavimento da via encontra-se “severamente deteriorado, com buracos, desníveis e ausência de sinalização horizontal”, o que agrava o risco de acidentes, sobretudo em condições de baixa visibilidade ou tráfego intenso.
Um santuário ecológico sob risco
Duarte ainda destacou que o trecho afetado pelo acidente atravessa uma região sensível do ponto de vista ambiental, considerado um santuário ecológico por muitos estudiosos e ambientalistas. A falta de controle de peso e de manutenção adequada contribui, segundo ele, não apenas para tragédias humanas, mas também para danos ambientais de longo prazo, com o desgaste da via impactando a fauna e flora locais.
Caminho para soluções estruturais
O discurso do parlamentar trouxe à tona um problema que há anos preocupa moradores, transportadores e ambientalistas que circulam pela BR-262. Enquanto os órgãos responsáveis discutem cronogramas de recuperação, a rodovia segue sendo palco de acidentes graves e negligência fiscalizatória.
A expectativa agora é que a mobilização liderada por Paulo Duarte ganhe força entre os demais deputados estaduais e resulte em pressão política institucional junto ao MPF e ao Governo Federal.
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Autoria: Sarah Pacini