Servidor público dedica décadas à digitalização de imagens e registros que contam a trajetória do município de Rio Verde de Mato Grosso.
Com um acervo de mais de 15 mil fotos digitalizadas e catalogadas, o servidor público e escritor Paulo Sérgio Rodrigues, de 53 anos, tornou-se um verdadeiro guardião da memória de Rio Verde de Mato Grosso, cidade conhecida pelas belezas naturais e pelo legado histórico de Mato Grosso do Sul. Há mais de três décadas, ele se dedica a reunir e preservar imagens, documentos e relatos que resgatam a identidade local.
Natural de Jaraguari, Paulo chegou a Rio Verde em 1990, após viver em Costa Rica e Sete Quedas. Desde então, transformou o interesse pela história em missão pessoal. Autor de quatro livros, ele mantém um blog e perfis nas redes sociais inteiramente dedicados à memória do município, com publicações que somam mais de 6 milhões de acessos.
“Eu notei que aqui tinha muita coisa legal, mas que estava se perdendo. Então, resolvi fazer algo para ajudar”, relembra. As postagens, que incluem fotografias antigas, curiosidades e comparativos do “antes e depois”, costumam emocionar moradores e ex-moradores da região. “Tem pessoas que se emocionam com as fotos. Gente que tinha 16 anos na época e hoje tem 60. Isso é muito legal, é um resgate da história.”
O primeiro livro de Paulo, História de Rio Verde – Cultura, Política, Costumes, Habitantes e seus Colonizadores, lançado em 2022, reúne mais de 200 páginas com conteúdo fruto de décadas de pesquisa em arquivos públicos e depoimentos de antigos moradores. “Pesquisei em fontes do governo federal e estadual, ouvi moradores e levantei documentos cedidos por ex-prefeitos e famílias tradicionais”, conta.
Entre os registros mais marcantes estão os do Balneário Sete Quedas, que já foi um dos principais destinos turísticos do Estado, recebendo caravanas de todo o Brasil, e o Morro do Padre, onde moradores ergueram, com as próprias mãos, uma escadaria de ferro até o topo, onde há uma pequena capela. “São 320 metros de altura e uma vista incrível”, descreve.
Paulo também destaca locais pouco conhecidos, como o Rio Taquari Mirim, que fez parte da rota dos bandeirantes e abriga um cânion de 30 metros de profundidade, esculpido durante o garimpo. “Isso faz parte da história do Brasil, e muita gente daqui não conhece.”
Atualmente, o servidor atua como agente administrativo no setor de patrimônio da prefeitura, mas, nas horas vagas, continua ampliando o acervo. “Até a Câmara Municipal me deu uma moção de congratulação. É importante levar a história para as redes sociais, porque muitos jovens não leem livros, mas se interessam ao ver uma imagem. E assim, a memória da cidade não morre.”
Enquanto o museu de Rio Verde ainda não sai do papel, o acervo vivo de Paulo segue crescendo — reunindo lembranças, imagens e histórias que garantem que o passado do município continue presente na vida de quem o chama de lar.
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