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Petrobras recua de alta e gasolina pode cair 2% nas bombas

Petrobras desistiu do reajuste de R$ 0,19 anunciado para a gasolina nas refinarias - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Petrobras desistiu do reajuste de R$ 0,19 anunciado para a gasolina nas refinarias - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Estatal desistiu do reajuste de R$ 0,19 anunciado na quarta-feira; mudança ocorre após novo pacote de desoneração dos combustíveis

Recuo da Petrobras no reajuste anunciado para a gasolina deve impedir uma alta que havia sido comunicada pela estatal e pode resultar em queda de até 2% no preço do combustível nas bombas, segundo estimativas citadas pelo GLOBO.

Na noite de quarta-feira (9), a empresa havia informado que elevaria em R$ 0,19 o preço do litro da gasolina nas refinarias. Poucas horas depois, na madrugada de quinta-feira (10), corrigiu o comunicado e retirou o aumento.

Com a mudança, o preço da gasolina nas refinarias não terá a alta anunciada inicialmente. Para o consumidor, no entanto, a redução efetiva dependerá do repasse de distribuidoras e postos.

O que aconteceu com o preço

A mudança ocorreu após o governo ampliar os benefícios tributários sobre os combustíveis.

Em maio, havia sido criada uma subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina. Essa medida foi encerrada com o novo pacote, que passou a prever uma desoneração de PIS e Cofins equivalente a R$ 0,63 por litro.

Segundo a explicação apresentada pela reportagem, a combinação das mudanças resultou em uma redução de R$ 0,19 no preço ao distribuidor, em vez do aumento inicialmente anunciado pela Petrobras.

A estatal informou que decisões sobre reajustes são tomadas exclusivamente pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços, formado por diretores da companhia.

Preço na bomba pode cair

A redução nas refinarias não significa que o consumidor verá imediatamente o mesmo valor no posto. O preço final também envolve custos de distribuição, margens de comercialização e tributos.

Mesmo assim, estimativas citadas na reportagem apontam que a gasolina pode ficar cerca de 2% mais barata nas bombas.

O impacto sobre a inflação tende a ser limitado. Segundo André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, uma redução de 2% no preço da gasolina teria impacto estimado de aproximadamente 0,1 ponto percentual no IPCA.

Apesar do efeito pequeno sobre o índice, a queda pode ser percebida pelos consumidores.

Recuo ocorre antes das eleições

A decisão da Petrobras também provocou questionamentos entre analistas de mercado por ocorrer a menos de um mês do primeiro turno das eleições.

Relatórios de instituições financeiras apontaram preocupação com uma possível influência política sobre a política de preços da estatal.

A avaliação é feita em um momento de forte alta do petróleo no mercado internacional. O barril do Brent chegou a US$ 107,63, aumentando a diferença entre os preços externos e os valores praticados pela Petrobras.

A estatal, porém, informou que seus reajustes são definidos internamente pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços.

Petróleo pressiona combustíveis

A alta internacional do petróleo aumenta a pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil, principalmente porque parte dos produtos consumidos no país depende de importações.

No caso do diesel, a diferença é ainda mais relevante. Segundo a reportagem, as importações representam entre 25% e 30% da demanda brasileira.

Para especialistas, a manutenção dos preços abaixo das referências internacionais pode aliviar o consumidor no curto prazo, mas não elimina os fatores que pressionam o mercado de combustíveis.

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