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Policiais de MS desviavam cocaína para clã suspeito de ligação com PCC, diz PF

Operação da PF sequestrou haras, fazendas, cavalos e carros de luxo em Mato Grosso do Sul - Foto: Polícia Federal/Giovanna Dauzacker/TV Morena

Operação Ifrit cumpriu 26 mandados de prisão contra clã Haidar, que teria movimentado R$ 500 milhões em dois anos com tráfico

Policiais civis de Mato Grosso do Sul que deveriam combater o tráfico de drogas passaram a ser tratados pela Polícia Federal (PF) como peças de uma organização criminosa. Segundo a investigação, eles protegiam rotas, repassavam informações e desviavam cocaína apreendida para abastecer o chamado Clã Haidar, grupo de estrutura familiar suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os detalhes constam em documentos da PF obtidos pelo g1.

De acordo com a apuração, o grupo teria movimentado mais de R$ 500 milhões nos últimos dois anos com o tráfico internacional de drogas e armas. O g1 não conseguiu localizar as defesas dos integrantes da família Haidar.

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Operação cumpriu 26 mandados de prisão

Na quarta-feira (4), a PF deflagrou a Operação Ifrit, que cumpriu 26 mandados de prisão e 76 de busca e apreensão. A ação também atingiu o patrimônio dos investigados, com o sequestro de carros de luxo, armas banhadas a ouro, haras e mansões.

O caso, porém, já havia ganhado visibilidade em setembro, quando o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) realizou outra operação. Na ocasião, foram presos o delegado Hoffman D’Ávila e outros suspeitos de desviar cocaína apreendida pela própria polícia para alimentar a organização. Segundo relato do g1, os policiais trocavam a droga por amido para fazer o desvio.

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Comando era exercido de Ponta Porã

Conforme a PF, a família Haidar comandava o esquema a partir de Ponta Porã, cidade na fronteira com o Paraguai. O grupo tinha atuação em outros estados, como Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e São Paulo, além de conexões internacionais. A estrutura era formada por três irmãos e seus filhos.

Drogas e armas vinham da Bolívia, do Peru e do Paraguai e entravam no Brasil por Ponta Porã. Dali, parte seguia para o mercado interno e parte era enviada a portos com destino à Espanha e a Portugal. A investigação também aponta o tráfico de fuzis e de veículos blindados.

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Quem são os chefes, segundo a PF

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Filhos tinham papel ativo

Entre os herdeiros, a PF destaca dois nomes. Maroan Fernandes Haidar Ahmed, filho de Bassam com Michele Daiane Fernandes Carvalho, integraria a cúpula operacional e atuava nas negociações de drogas e armas. Ele está preso na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO).

Já Adule Vasques Haidar, filho de Adel, era o braço direito do pai. Segundo a PF, administrava pagamentos, organizava o transporte e a adulteração de cargas e controlava os registros das propinas pagas a policiais civis.

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Grupo é descrito como “ultraviolento”

A PF classificou a organização como “ultraviolenta”. Segundo a investigação, o clã exibia poder com fuzis, caminhonetes blindadas e drones de monitoramento tático, além de manter um grupo de homens armados, chamados de sicários. O termo designa pessoas contratadas para cometer assassinatos, geralmente mediante pagamento.

O relatório também descreve ações típicas de “tribunais do crime”, como emboscadas, cobranças violentas de dívidas, sequestros e torturas físicas. Parte desses episódios foi filmada e atribuída aos suspeitos presos na operação.

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