Após série de incidentes com mordidas de peixes, atrativo turístico recebe autorização para funcionar normalmente graças a melhorias estruturais e ações educativas
Após mais de três meses de interdições parciais, a lagoa artificial da Praia da Figueira, em Bonito (MS), foi liberada para funcionamento total nesta segunda-feira (14). A decisão foi oficializada pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), que revogou a suspensão da licença ambiental do atrativo, após avaliar a adoção de medidas corretivas e preventivas no local.
A suspensão parcial havia sido imposta em março, depois que diversos turistas relataram mordidas de peixes da espécie tambaqui durante banhos na lagoa. A situação ganhou repercussão nacional e levantou questões sobre o controle de espécies exóticas, segurança de visitantes e impactos ao ecossistema local.
Reabertura com novas regras e mais segurança
A liberação definitiva da lagoa foi possível após a implementação de uma série de ações estruturais, educativas e de monitoramento ambiental. Entre as principais mudanças está a instalação de uma barreira física — uma grade de proteção — que limita o acesso de peixes médios e grandes à área de banho, garantindo mais segurança para os banhistas.
Além da estrutura física, o atrativo passou a oferecer orientações preventivas aos visitantes por meio de placas informativas e equipe capacitada, com foco no comportamento seguro dentro da água. Um sistema contínuo de monitoramento também foi instituído, incluindo observação da fauna aquática, testes de qualidade da água e relatórios regulares de ocorrências.
Com essas iniciativas, o Imasul considerou que o empreendimento atendeu aos critérios técnicos e ambientais exigidos, restaurando a licença de operação em sua totalidade, conforme portaria publicada no Diário Oficial do Estado.
Entenda o caso: por que a lagoa foi interditada?
A Praia da Figueira, localizada na zona rural de Bonito — destino conhecido mundialmente pelo ecoturismo —, foi alvo de polêmicas entre 2024 e 2025 devido a recorrentes mordidas de peixes em visitantes. Só no primeiro trimestre deste ano, ao menos 14 pessoas relataram ter sido mordidas por tambaquis, espécie nativa da Amazônia, mas considerada exótica nos rios da região de Bonito. Ao longo de 2024, foram 64 registros; em 2025, já somavam 30 até março.
Os ataques chamaram a atenção do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do Ministério Público, que passaram a investigar a presença de espécies não nativas na lagoa artificial. A suspeita é que esses peixes estivessem competindo por alimento e espaço com outras espécies, o que teria aumentado a agressividade dos animais.
A Lei Federal nº 140/2011 define que é de responsabilidade da União o controle da introdução de espécies exóticas em ambientes naturais. O objetivo é preservar o equilíbrio dos ecossistemas, evitando que espécies invasoras impactem negativamente a biodiversidade local.
Ecoturismo e preservação ambiental: desafios e soluções
Bonito é reconhecida internacionalmente pela riqueza de suas águas cristalinas, grutas, trilhas e pela gestão ambiental exemplar em muitos de seus atrativos. No entanto, o episódio da Praia da Figueira revelou desafios importantes para a manutenção desse modelo de turismo sustentável.
Especialistas apontam que a criação de ambientes artificiais, como lagoas ou tanques destinados ao turismo, deve ser acompanhada de rigoroso controle biológico e ambiental. A introdução de peixes em ambientes confinados — especialmente sem fiscalização adequada — pode gerar desequilíbrios que colocam em risco tanto o ecossistema quanto os visitantes.
Com a reabertura da Praia da Figueira, espera-se que as novas práticas adotadas sirvam como exemplo para outros empreendimentos turísticos. A experiência também reforça a importância da educação ambiental tanto para os empreendedores quanto para os turistas, que devem seguir orientações de segurança e preservação do meio ambiente.
Expectativas para o retorno
Com a liberação da lagoa, o atrativo volta a operar com todas as suas atividades, incluindo bar molhado, tirolesa, passeios de pedalinho e mergulhos. A expectativa é de que o retorno pleno das operações ocorra com maior controle e tranquilidade, especialmente em um período de alta temporada para o turismo de natureza na região.
O turismo é um dos pilares econômicos de Bonito, e a retomada integral da Praia da Figueira representa não só a recuperação de um atrativo, mas também o fortalecimento da confiança do público e do mercado na capacidade de resposta e gestão ambiental da região.
Autoria: Sarah Pacini
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