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Preço do boi gordo dispara e atinge R$ 380 a arroba em SP

Preço do boi gordo encerra a semana com forte alta em São Paulo

A combinação entre um volume restrito de animais prontos para abate e escalas reduzidas nos frigoríficos impulsionou com força os valores da pecuária de corte paulista. Na sexta-feira (9/10), a referência do indicador Cepea/Esalq bateu R$ 377,80 por arroba, consolidando um incremento de 3,71% no acumulado dos primeiros dias de outubro.

Pressão positiva nas principais praças de São Paulo

Os negócios realizados nos polos pecuários de Araçatuba e Barretos sentiram diretamente esse aperto de oferta. De acordo com levantamento da Scot Consultoria, a arroba do boi gordo saltou R$ 11, passando a valer R$ 380. No caso do animal destinado à exportação, o chamado “boi China”, a valorização diária foi de R$ 10, elevando o valor para R$ 385 a arroba. Em contrapartida, as categorias de fêmeas mantiveram estabilidade, sem reajustes para novilhas e vacas.

Apesar de o incremento nas cotações atrair alguns lotes para comercialização, o montante ofertado segue aquém das necessidades operacionais das indústrias. Enquanto alguns frigoríficos mantêm cautela ou operam sustentados por contratos a termo, compradores que precisam preencher escalas de abate de curto prazo são forçados a desembolsar valores mais altos.

Cenário de valorização se espalha pelo país

O movimento de alta extrapolou o território paulista e alcançou praças em outros estados. Houve registro de valorização para o boi gordo em regiões como o sul de Minas Gerais, Goiânia (GO), Três Lagoas (MS), sul da Bahia, norte e sudoeste de Mato Grosso, além do norte e sul de Tocantins. Nas outras 23 praças avaliadas pela Scot, os preços permaneceram estáveis.

Segundo a consultoria Safras & Mercado, a programação dos abates se mantém entre cinco e seis dias úteis na média nacional. Esse horizonte enxuto força os frigoríficos a seguirem ativos nas compras, garantindo sustentação à arroba no curto prazo.

Impacto do fluxo de vendas externas

A expectativa em torno das compras internacionais também exerce papel estratégico no direcionamento das cotações.

“A retomada gradual da movimentação das indústrias voltadas ao mercado chinês também será importante para a sustentação da demanda por animais”, destaca Fernando Iglesias, analista da Safras.

O cronograma logístico prevê processamento da carne a partir de outubro e embarques volumosos nos meses de novembro e dezembro.

“Considerando o tempo de trânsito marítimo, parte relevante dessas cargas deverá ser internalizada somente em janeiro de 2027, utilizando a cota do próximo ano. Esse movimento não representa ampliação ou flexibilização automática da cota de 2026 e continuará condicionado às regras da salvaguarda chinesa e à disponibilidade do contingente tarifário no momento da internalização”, comenta Iglesias.

Vendas no atacado refletem injeção de salários

Acompanhando o ambiente de valorização do gado em pé, o mercado atacadista de carne bovina também operou com preços firmes. A circulação da massa salarial favoreceu a reposição nas gôndolas e nos açougues.

O quarto traseiro permaneceu cotado em R$ 29,50 o quilo após sucessivos ganhos no decorrer dos dias. Já o quarto dianteiro manteve a cotação em R$ 22,00 por quilo, ao passo que a ponta de agulha continuou sendo negociada a R$ 20,50 o quilo.

“Apesar da melhora do fluxo de vendas, o espaço para avanços mais expressivos continua limitado pela maior competitividade da carne de frango e dos cortes suínos”, afirma Iglesias.

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