Com mais de 4 milhões de inscritos, influenciador paranaense expôs em vídeo denúncias graves contra o criador de conteúdo Hytalo Santos; Ministério Público já investigava o caso.
Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido na internet como Felca, é um dos principais nomes da cena humorística e crítica no YouTube brasileiro. Aos 27 anos, o criador de conteúdo natural de Londrina (PR) conquistou milhões de seguidores com seu estilo irreverente e sarcástico, mas foi ao abordar um tema extremamente sério que ele virou manchete nacional nesta semana.
No dia 6 de agosto de 2025, Felca publicou um vídeo em seu canal oficial denunciando o influenciador paraibano Hytalo Santos por exploração de menores de idade. A publicação causou forte repercussão nas redes sociais, ultrapassando 6,4 milhões de visualizações em menos de 72 horas.
A denúncia pública expõe, segundo Felca, um padrão de comportamento preocupante por parte de Hytalo, que estaria se beneficiando financeiramente da exposição sensual de menores — incluindo uma influenciadora de 17 anos, Kamyla Santos, frequentemente vista em seus vídeos.
Quem é Felca?
Felca iniciou sua carreira no YouTube em 2017, e desde então consolidou uma comunidade de fãs com seus vídeos de reacts, humor ácido e comentários sociais. Atualmente, o canal acumula mais de 4,3 milhões de inscritos, e o influenciador também é seguido por 6,5 milhões de pessoas no Instagram. Ele vive em São Paulo, onde desenvolve seus projetos audiovisuais.
Embora tenha ganhado destaque com conteúdos leves e cômicos, Felca é também conhecido por se posicionar com firmeza sobre assuntos sérios e polêmicos. Ele já havia viralizado comentando as audiências da CPI das Bets e também opinando sobre tendências como as “lives NPC” — modalidade popularizada no TikTok.
A denúncia contra Hytalo Santos
O vídeo que denuncia Hytalo tem quase 50 minutos de duração e apresenta supostas evidências de condutas ilegais e antiéticas envolvendo o influenciador paraibano. Segundo Felca, o conteúdo foi fruto de uma apuração pessoal, feita com base em informações públicas e comportamentos observados nos perfis do acusado e seus colaboradores.
Felca aponta que a menor Kamyla Santos, de 17 anos, aparece em conteúdos que, segundo ele, têm conotação sexualizada e exploratória, mesmo que mascarados por um estilo aparentemente cômico. No vídeo, ele acusa Hytalo de se aproveitar da imagem da adolescente para obter engajamento e monetização.
Logo após a publicação, o perfil de Hytalo no Instagram saiu do ar. O mesmo ocorreu com o perfil de Kamyla. A plataforma, controlada pela Meta, não confirmou se a exclusão foi voluntária, uma sanção por violação de diretrizes ou ação judicial. O Ministério Público da Paraíba (MPPB) também declarou que investigações sobre o influenciador já estavam em curso desde 2024.
Processos contra difamações
A denúncia gerou grande mobilização nas redes — e também polêmica. Após a repercussão, Felca relatou ter sido alvo de difamações. Segundo ele, algumas pessoas o acusaram falsamente de “curtir publicações de menores” por ter seguido os perfis investigados durante a apuração.
Indignado, Felca afirmou que já processou mais de 200 pessoas que espalharam as acusações sem fundamento. “Essa é a primeira vez que aciono judicialmente quem me difama na internet. E fiz isso por duas razões: primeiro, porque tenho aversão a crimes sexuais — conheço vítimas de perto. Segundo, porque banalizar a palavra ‘pedofilia’ só ajuda os verdadeiros criminosos”, declarou no vídeo.
Felca também informou que o dinheiro arrecadado nos processos será integralmente doado a instituições de apoio a vítimas de abuso sexual. Ele ainda ofereceu uma forma de conciliação: quem se retratar publicamente e doar R$ 250 para as instituições citadas terá o processo retirado.
MPPB confirma investigação prévia
O Ministério Público da Paraíba confirmou que dois promotores — um em Bayeux e outro em João Pessoa — estão à frente de um inquérito criminal já em andamento contra Hytalo Santos. Embora o órgão não tenha detalhado as denúncias, informou que a apuração antecede o vídeo de Felca e envolve suspeitas de exploração de menores.
A promotoria de Bayeux afirmou que não solicitou a remoção das redes sociais de Hytalo, mas não soube informar se o mesmo ocorreu por ação da promotoria de João Pessoa. Até o momento, Hytalo não se pronunciou publicamente, e a defesa do influenciador também não foi localizada pela imprensa.
Repercussão e responsabilidade nas redes
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade dos influenciadores digitais, especialmente quando há menores envolvidos. Também levanta questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização das plataformas e o papel do público ao compartilhar, curtir ou impulsionar esse tipo de conteúdo.
A atitude de Felca foi elogiada por parte dos seguidores e criticada por outros, mas o fato é que sua denúncia trouxe luz a uma questão urgente: a exposição indevida de adolescentes nas redes sociais em nome de engajamento e lucro.
Enquanto as investigações oficiais continuam, o vídeo de Felca se mantém como um dos conteúdos mais comentados da semana no Brasil, mostrando que o ativismo digital pode ser, sim, uma poderosa ferramenta de denúncia — desde que feito com responsabilidade, cautela e provas.
Autoria: Sarah Pacini
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