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Quem era o padre encontrado morto em Dourados?

Sacerdote de 44 anos tinha trajetória sólida na Igreja Católica, atuação reconhecida em Dourados e Douradina e já havia sobrevivido a um ataque violento em 2018

A morte do padre Alexsandro da Silva Lima, encontrada neste sábado (15) em uma estrada do distrito industrial de Dourados, chocou fiéis, lideranças religiosas e toda a comunidade católica da região sul de Mato Grosso do Sul. Aos 44 anos, o sacerdote acumulava mais de duas décadas de dedicação à Igreja, com forte atuação pastoral, formação de novos religiosos e participação ativa em diferentes frentes da Diocese de Dourados. O crime, investigado como latrocínio, interrompe uma trajetória marcada por serviço, espiritualidade e, também, por um episódio traumático que o padre conseguiu superar em 2018, quando foi vítima de um assalto violento.

Natural de Eldorado, Alexsandro era conhecido por seu temperamento sereno e pela proximidade com os fiéis. Desde 2022, liderava a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Douradina, onde havia conquistado grande afeição da comunidade. Antes disso, atuou por anos em Dourados, contribuindo para setores pastorais, educacionais e de formação religiosa.

Violência em 2018 marcou momento difícil na vida do sacerdote

O episódio que mais o abalou ocorreu em agosto de 2018, quando era pároco da Paróquia Santo André, em Dourados. Naquela noite, ao retornar para a casa paroquial localizada na Rua Adroaldo Pizzini, o padre foi surpreendido por um ladrão armado que já estava dentro do imóvel. Rendido e levado ao quarto, Alexsandro sofreu agressões violentas, incluindo coronhadas na cabeça.

Preso no cômodo e sem possibilidade de fuga, viu o criminoso levar seu celular, um relógio e seu carro, um VW Gol prata. Após o ataque, ele precisou ser socorrido e encaminhado ao Hospital Evangélico, onde recebeu atendimento. A ação rápida da polícia no dia seguinte levou à prisão de três envolvidos, interceptados na BR-463, já na região de Ponta Porã, enquanto tentavam levar o veículo para o Paraguai. Entre eles, estavam o autor confesso do assalto, um homem de 20 anos e um adolescente de 17.

A violência daquele dia marcou profundamente sua trajetória, reforçando o sentimento de fragilidade humana e, segundo pessoas próximas, fortalecendo ainda mais sua espiritualidade.

Vocação precoce e papel central na Diocese de Dourados

Nascido em 13 de outubro de 1981, Alexsandro ingressou no seminário aos 19 anos, logo após concluir o serviço militar obrigatório. Seu caminho sacerdotal avançou rapidamente: tornou-se diácono em dezembro de 2010, em Maracaju, e foi ordenado padre em 27 de agosto de 2011, em celebração presidida pelo então bispo Dom Redovino Rizzardo, já falecido.

Seu lema sacerdotal, “Meu Senhor e meu Deus”, baseado no Evangelho de João (20:28), acompanhou sua atuação durante toda a vida pastoral.

A primeira paróquia onde trabalhou foi a Rainha dos Apóstolos, onde também celebrou sua primeira missa. Em 2013, foi nomeado Reitor do Seminário Diocesano Sagrado Coração de Jesus, assumindo papel de destaque na formação de novos padres. Ao longo dos anos, integrou ainda a Comissão Diocesana de Catequese e Ensino Religioso, além de atuar como diretor espiritual do Cursilho Jovem e acompanhar grupos de formação familiar, como uma Equipe de Nossa Senhora.

Em 2017, assumiu a Paróquia Santo André, onde permaneceu até 2022, quando foi transferido para Douradina, fortalecendo processos pastorais e construindo vínculo estreito com a população local.

Investigação aponta latrocínio e dois suspeitos estão detidos

O desaparecimento do padre foi registrado na sexta-feira (14). Horas depois, seu corpo foi localizado às margens de uma estrada no distrito industrial de Dourados. As primeiras informações da Polícia Civil apontam para um crime de latrocínio — roubo seguido de morte.

De acordo com o delegado Lucas Albe Veppo, o sacerdote pode ter sido atacado dentro da própria residência, em Dourados. Os indícios apurados apontam que ele foi golpeado com um martelo e possivelmente com uma faca. Após agredi-lo, o autor teria roubado o Jeep do religioso, além de objetos pessoais, joias e dinheiro.

A polícia conseguiu deter dois envolvidos: o autor do crime, que estava com o veículo e o celular da vítima, e um cúmplice que teria auxiliado na ocultação do corpo. As investigações seguem em andamento para localizar os demais pertences de Alexsandro e esclarecer todos os detalhes da execução e do roubo.

Comunidade enlutada e legado religioso

A morte do padre Alexsandro provocou comoção em Dourados, Douradina e outras cidades da Diocese. Fiéis e colegas de ministério destacam sua entrega à evangelização, sua capacidade de escuta e o forte compromisso com jovens, famílias e vocações religiosas. O sacerdote era reconhecido também pelo cuidado com a formação espiritual e pelo apoio emocional aos paroquianos.

Sua trajetória deixa um legado importante, especialmente para aqueles que conviveram com ele nas paróquias pelas quais passou. O episódio trágico que encerrou sua vida reforça a sensação de luto coletivo e a necessidade de justiça para que o caso seja esclarecido.

Enquanto a investigação prossegue, amigos, fiéis e lideranças religiosas organizam homenagens e um momento de despedida à altura de um padre que dedicou sua vida ao serviço pastoral, à fé e ao acolhimento das comunidades por onde passou.

Autoria: Sarah Pacini.

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