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Quem era Ramiro, médico morto em queda de avião

Ortopedista de Araçatuba tinha fazendas em três estados e pilotava avião que caiu entre Coxim e Corumbá; FAB aponta mau tempo como possível causa do acidente.

A tragédia que abalou a região do Pantanal sul-mato-grossense nesta terça-feira (16) envolveu a morte de Ramiro Pereira de Matos, de 67 anos. Conhecido por sua atuação como pecuarista e por sua paixão pela aviação, Ramiro era médico ortopedista formado, embora nunca tenha exercido a profissão. Natural de Presidente Prudente (SP), ele residia há décadas em Araçatuba, no interior paulista, onde construiu sua trajetória pessoal e profissional.

A queda do avião monomotor, prefixo PS-FDW, ocorreu cerca de uma hora após a decolagem, em uma área rural entre os municípios de Coxim e Corumbá, no coração do Pantanal de Mato Grosso do Sul. Ramiro pilotava a aeronave com destino a Figueirópolis D’Oeste, no Mato Grosso, onde administrava uma de suas propriedades rurais. Segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião estava com toda a documentação em dia e a situação de aeronavegabilidade era considerada regular.

Um Homem de Muitos Saberes

Apesar de formado em medicina, com especialização em ortopedia, Ramiro nunca atuou efetivamente como médico. Sua verdadeira vocação estava no campo. Ele se dedicava há décadas à agropecuária e mantinha propriedades em três estados: uma fazenda em Santo Antônio do Aracanguá (SP), outra em Mato Grosso do Sul e mais uma em Mato Grosso. Reconhecido no setor agropecuário regional, era figura constante em eventos do agronegócio e tinha profundo envolvimento com as atividades rurais.

Segundo o filho Flavio Matos, Ramiro era também um piloto experiente, com todas as licenças e formações exigidas para conduzir aeronaves de pequeno porte. Voar, segundo a família, era uma de suas grandes paixões — uma extensão da liberdade que sempre buscou nas suas atividades rurais.

Detalhes do Acidente

O voo teve início às 6h39 em Araçatuba, com previsão de pouso em Figueirópolis D’Oeste às 7h50. Contudo, cerca de uma hora após a decolagem, a aeronave caiu em uma região de difícil acesso entre Coxim e Corumbá. A Força Aérea Brasileira (FAB) foi acionada para realizar as buscas e enviou equipes a partir de Campo Grande (MS).

As investigações preliminares apontam que as condições meteorológicas no momento do acidente eram desfavoráveis. Em nota, a FAB informou que havia registro de chuva intensa e trovoadas na região da queda. Essa condição climática pode ter sido determinante para a perda de controle da aeronave, embora as causas exatas do acidente ainda estejam sob apuração pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).

Família e Legado

Casado, Ramiro deixa dois filhos, de 34 e 37 anos, duas noras e duas netas. A família lamenta profundamente a perda e reforça a lembrança de um homem íntegro, apaixonado pela vida rural e pela aviação, que sempre prezou pela segurança e responsabilidade em tudo que fazia.

Amigos e conhecidos descrevem Ramiro como uma pessoa reservada, mas extremamente dedicada à família e ao trabalho. Ele era respeitado tanto nos círculos da agropecuária quanto entre os poucos colegas com quem mantinha contato da área médica.

Além disso, era conhecido por seu comprometimento com a excelência na gestão das propriedades e pela forma como tratava seus colaboradores. Em Araçatuba, onde vivia, a notícia de sua morte causou comoção entre amigos e vizinhos.

Investigações em Andamento

A FAB segue apurando o que pode ter causado a queda da aeronave. O local do acidente foi isolado para permitir a perícia técnica. As investigações devem considerar, além das condições meteorológicas, possíveis falhas mecânicas, cansaço do piloto e até fatores externos inesperados. O relatório final sobre as causas do acidente ainda deve levar meses para ser concluído.

Acidentes com aeronaves de pequeno porte são recorrentes em regiões de difícil acesso e com clima instável, como o Pantanal. Mesmo pilotos experientes, como Ramiro, podem enfrentar desafios severos quando a meteorologia se torna um fator crítico.

Comoção e Homenagens

Nas redes sociais, diversas mensagens de despedida e homenagens foram publicadas por amigos, colegas e familiares. A figura de Ramiro será lembrada não apenas pela tragédia que tirou sua vida, mas pela trajetória que construiu entre a medicina, a agropecuária e o céu.

A data e o local do velório e sepultamento ainda não foram confirmados pela família até o fechamento desta reportagem.

Sua morte deixa uma lacuna na comunidade de Araçatuba e no setor agropecuário regional, onde sua presença era constante e respeitada. Ramiro Pereira de Matos se despede de forma trágica, mas com um legado marcado pela dedicação ao campo, à família e ao voo.

Autoria: Sarah Pacini

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