Uso de Mounjaro e outras canetas de GLP-1 não impede a doação, mas alguns sintomas e mudanças na dose exigem espera de 14 dias
Pessoas que usam Mounjaro ou outras canetas à base de medicamentos agonistas de GLP-1 podem doar sangue, segundo as regras atualizadas pelo Ministério da Saúde. A utilização da medicação, por si só, não é motivo para impedir a doação.
A mudança foi estabelecida em uma Nota Técnica publicada em fevereiro de 2026. O documento reduziu para 14 dias o período de chamada “inaptidão temporária” em determinadas situações relacionadas ao uso desses medicamentos.
A regra vale para medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, que inclui tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, além de semaglutida, liraglutida e dulaglutida.
Por isso, quem faz tratamento com essas substâncias não precisa suspender a medicação apenas para doar sangue. A avaliação considera principalmente mudanças recentes no tratamento e a presença de sintomas que possam ser agravados pela doação.
Quando é necessário esperar 14 dias
A chamada inaptidão temporária é aplicada quando existe uma situação que pode aumentar o risco de mal-estar durante ou depois da doação.
Uma das situações ocorre quando a pessoa começou a utilizar a medicação ou aumentou a dose nos 14 dias anteriores à tentativa de doação. Nesse caso, é necessário aguardar esse período antes de doar.
A mesma regra vale para quem apresenta determinados efeitos relacionados ao tratamento. Entre eles estão:
- diarreia persistente;
- náuseas;
- vômitos;
- refluxo gastroesofágico grave;
- sinais ou sintomas de desidratação.
Nesses casos, a contagem dos 14 dias começa após a resolução dos sintomas. A pessoa deve estar recuperada antes de realizar a doação.
Mounjaro não precisa ser suspenso
Uma das principais mudanças nas regras é justamente a retirada da exigência de interromper o tratamento apenas para realizar a doação.
Antes da atualização, alguns serviços de coleta adotavam períodos maiores de espera para pessoas que utilizavam medicamentos desse grupo. As novas orientações passaram a considerar as condições clínicas do doador, e não apenas o fato de ele utilizar uma caneta de GLP-1.
Assim, uma pessoa que usa Mounjaro regularmente, não aumentou a dose recentemente e não apresenta os sintomas previstos nas regras pode ser considerada apta para doar, desde que também cumpra os demais critérios exigidos para a doação de sangue.
A avaliação final é feita pelo serviço de hemoterapia no momento da triagem.
Cuidado com o compartilhamento da caneta
Existe ainda uma situação diferente que pode levar a um período maior de impedimento: o compartilhamento da caneta aplicadora com outra pessoa.
O uso compartilhado do dispositivo pode representar exposição a sangue e aumentar o risco de transmissão de infecções. Nesse caso, a restrição não está relacionada à tirzepatida ou a outro medicamento da classe GLP-1, mas ao uso inadequado do dispositivo.
Por isso, as canetas aplicadoras não devem ser compartilhadas, mesmo quando utilizadas por pessoas da mesma família.
O que fazer antes de doar
Quem utiliza Mounjaro ou outra caneta de GLP-1 e pretende doar sangue deve informar o medicamento durante a triagem. Também é importante comunicar qualquer alteração recente na dose e relatar sintomas como vômitos, diarreia persistente ou sinais de desidratação.
A equipe do serviço de hemoterapia avaliará as condições do doador e informará se a coleta poderá ser realizada naquele momento ou se será necessário aguardar.
