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Recém-nascida com grave cardiopatia enfrenta espera em Santa Casa

Lorena, que nasceu com atresia tricúspide, luta contra o tempo enquanto aguarda, na Santa Casa, a cirurgia cardíaca essencial para sua sobrevivência. A falta de uma data para o procedimento gera desespero na família.

A pequena Lorena, que veio ao mundo no dia 9 de junho em Campo Grande, já enfrenta uma batalha pela vida. Diagnosticada com atresia tricúspide, uma grave cardiopatia congênita, a recém-nascida depende de uma cirurgia de altíssimo risco para sobreviver, mas aguarda, sem saber o dia, o momento exato da intervenção que pode salvar sua vida. Desde o nascimento, sua mãe, Geisiane Zanatto, tem vivido um pesadelo, vendo a filha lutar contra o tempo dentro de uma UTI neonatal da Santa Casa, enquanto a data da cirurgia segue incerta.

A história de Lorena começou a ser escrita com um diagnóstico alarmante durante a gestação. Em fevereiro, um exame de ultrassonografia revelou que a bebê apresentava a atresia tricúspide, uma malformação rara e grave da válvula do coração, que compromete o fluxo sanguíneo e coloca a vida do recém-nascido em risco imediato. Desde então, o desespero tomou conta de Geisiane, que viu, pela primeira vez, a necessidade de uma cirurgia cardíaca imediata para sua filha logo após o nascimento.

O que parecia ser uma corrida contra o tempo se intensificou ainda mais quando a família descobriu que o plano de saúde de Geisiane não cobria o procedimento necessário. Desesperada, a mãe procurou ajuda na Santa Casa, hospital referência na cidade para casos desse tipo. Foi lá que Lorena foi internada, com a esperança de que a cirurgia seria agendada em um futuro próximo.

Porém, o que se seguiu foi uma sequência de adiamentos, exames e decisões médicas que retardaram ainda mais o procedimento crucial. “No início, a médica cardiologista que atendeu minha filha parecia confiante, disse que o quadro estava estável. Mas com o tempo, as prioridades mudaram”, relembra Geisiane. Em vez de realizar a cirurgia, os médicos decidiram investigar um teratoma encontrado em Lorena, um tumor benigno que também demandava atenção. No entanto, esse foco atrasou o tratamento da cardiopatia.

Entre os dias 13 e 20 de junho, Lorena passou por uma série de exames, mas o quadro se complicou. Durante uma ressonância magnética, a bebê sofreu uma parada cardíaca, necessitando de reanimação. O exame foi interrompido e remarcado, mas, após o episódio, Lorena desenvolveu uma infecção, o que fez os médicos optarem por um tratamento com antibióticos. Sete dias depois, a condição foi controlada, mas a espera pela cirurgia continuava.

A mãe de Lorena descreve o impacto emocional dessa espera. “É impossível descrever a angústia. Ver minha filha lutar pela vida e saber que o procedimento que ela precisa pode acontecer a qualquer momento, sem uma data definida, é desesperador”, desabafa Geisiane. A bebê vem recebendo cuidados intensivos com medicação para melhorar a coagulação sanguínea, um fator crítico para garantir a segurança da cirurgia cardíaca. Mesmo com a evolução positiva do quadro, a programação do procedimento segue indefinida.

O hospital, por sua vez, explicou, em nota oficial, que a equipe médica está acompanhando a evolução clínica de Lorena desde o seu nascimento. “A paciente tem recebido todo o suporte de uma equipe multidisciplinar, com cardiologistas pediátricos, neonatologistas e outros especialistas. A cirurgia é altamente complexa e exige condições ideais para ser realizada com a máxima segurança”, explicou a Santa Casa.

De acordo com o hospital, antes da cirurgia, Lorena apresentou uma infecção neonatal que exigiu tratamento imediato. Além disso, foi necessário realizar uma série de exames complementares, fundamentais para a definição do melhor momento para a intervenção cirúrgica. Uma vez controlado o quadro infeccioso, a programação da cirurgia seguiu sem atrasos, e o parecer de um neurocirurgião foi solicitado devido à instabilidade da paciente. Apesar dos desafios, a equipe médica destaca que, no momento, a cirurgia está em fase de planejamento e será realizada com a maior cautela possível, dado o altíssimo risco envolvido.

A angústia de Geisiane aumenta a cada dia sem uma data precisa para a cirurgia. “Minha filha está pronta para lutar pela vida, mas segue à espera”, disse ela, com a voz embargada. A mãe aguarda ansiosamente a resposta do hospital, que ainda não confirmou o agendamento da operação.

Essa situação, infelizmente, não é única. A falta de agilidade no sistema público de saúde e os obstáculos financeiros impostos aos pacientes de planos de saúde têm sido recorrentes no Brasil, resultando em um número crescente de pessoas aguardando por procedimentos vitais sem previsão de quando receberão o atendimento necessário.

Enquanto a luta de Lorena segue, a família de Geisiane permanece no limbo, sem saber se o tempo, que parece se arrastar a cada dia, será suficiente para garantir a vida da pequena. O futuro da bebê depende não apenas da habilidade médica, mas também da rapidez e da eficiência do sistema de saúde em garantir que a cirurgia aconteça antes que o risco se torne irreversível.

Para mais notícias sobre o que acontece em Campo Grande, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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