A Renault marcou para meados de 2027 a chegada do Boreal híbrido leve de 48V ao mercado brasileiro, reintroduzindo um veículo com tração integral no país desde a saída do Duster 4×4 em 2020. O utilitário esportivo médio será montado no complexo industrial de São José dos Pinhais, no Paraná, e chegará às concessionárias antes da picape Niagara MHEV, cuja versão eletrificada equivalente tem estreia programada para novembro do mesmo ano.
Arquitetura e suspensão Para implementar a tração nas quatro rodas sem o uso do eixo cardã tradicional, a engenharia adotou a suspensão traseira multilink originária da picape. Essa modificação troca o eixo de torção convencional para abrir o espaço necessário para a instalação do motor elétrico entre as rodas traseiras, utilizando uma base inspirada no Dacia Bigster europeu e adaptada para o público sul-americano. Enquanto a caminhonete será trazida da Argentina, o SUV nacional liderará a produção dessa tecnologia em solo paranaense.
Conjunto mecânico e funcionamento O sistema MHEV do modelo combina o motor a combustão 1.3 turbo de quatro cilindros, que rende 160 cv, com duas unidades elétricas de 48V. Na dianteira, um motor-gerador ligado ao bloco turbo cuida das partidas e auxilia em baixas rotações, enquanto o componente elétrico traseiro independente entrega 31 cv e 8,8 kgfm direto às rodas, sem conexão mecânica e equipado com uma bateria de íons de lítio de 0,84 kWh.
Essa estratégia de engenharia resolve uma limitação do câmbio automatizado de dupla embreagem de seis marchas DW23, o mesmo visto no Kardian, que teve o torque máximo ampliado de 25,5 para 27,5 kgfm tanto no utilitário quanto na picape. Ao colocar a força elétrica na traseira, o projeto ganha capacidade de tração sem sobrecarregar as embreagens, sendo que o motor posterior também atua na recuperação de energia cinética nas frenagens.
Tecnologia Dual Speed e Modos de Condução O conjunto Dual Speed 48V, criado pela fornecedora Valeo, traz uma caixa de duas marchas na traseira para dosar o comportamento na estrada e no fora de estrada. A primeira marcha atua como uma reduzida para elevar o torque nas rodas ao patamar de 183 kgfm, ao passo que a segunda estende a relação para permitir o uso da tração integral em velocidades de até 140 km/h.
Além disso, o sistema conta com uma posição neutra para desconectar o propulsor elétrico quando a tração nas quatro rodas não for necessária, diminuindo o arrasto mecânico. O controle da potência fica a cargo de um seletor no console central com seis modos de condução: Auto, Eco, Neve, Lama/Areia, Bloqueio eletrônico da tração integral e Controle de Descida de Colinas, dispensando o uso de caixas de transferência tradicionais mais pesadas.
Investimentos e expansão da linha A fabricação do utilitário eletrificado no Brasil contou com um financiamento de R$ 181,8 milhões liberado pelo BNDES por meio do programa Mais Inovação, com verbas originadas do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Esse montante integra o ciclo de investimentos de R$ 5,8 bilhões planejado pela Renault Geely do Brasil até 2027, cronograma que contempla ainda a montagem local do hatch elétrico Geely EX2 e de novos SUVs construídos sobre a plataforma modular chinesa GEA.
