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Rio da Prata seca novamente e peixes são resgatados

Ação emergencial salvou 148 peixes em trecho do rio que secou pelo segundo ano consecutivo; causas incluem estiagem e intervenções humanas

Pelo segundo ano consecutivo, um trecho do Rio da Prata, localizado no município de Jardim, no Mato Grosso do Sul, secou completamente, obrigando uma força-tarefa a entrar em ação para salvar a vida de dezenas de peixes que ficaram ilhados em pequenas poças de água. A operação de resgate, realizada no dia 19 de setembro, contou com a participação de técnicos ambientais, policiais, voluntários e funcionários de fazenda, que atuaram juntos para transferir os animais para uma parte do rio ainda com volume de água suficiente para garantir sua sobrevivência.

No total, 148 peixes foram realocados, incluindo espécies típicas da região como lambaris, curimbas, pacus-péva e piraputangas. Sem a intervenção, a maioria deles provavelmente teria morrido por falta de oxigênio, como já aconteceu com outros peixes nos dias anteriores à operação. Alguns cadáveres chegaram a ser encontrados já em estado de decomposição, expostos no solo rachado às margens da Ponte do Curê, na MS-178.

Ações emergenciais e parceria entre instituições

A iniciativa foi coordenada com licença ambiental autorizada e envolveu o trabalho conjunto de diversas entidades. Participaram da ação o Instituto Guarda Mirim Ambiental de Jardim (ONG local que atua na preservação da fauna e flora da região), técnicos do grupo empresarial Rio da Prata, a Polícia Militar Ambiental (PMA) e colaboradores da Fazenda Vale do Prata.

Segundo Nisroque da Silva Soares, diretor do Instituto Guarda Mirim Ambiental, o volume de água do rio começou a baixar drasticamente a partir do dia 6 de setembro, e o leito seco já se estendia por cerca de 3 quilômetros no momento do resgate. Apesar da gravidade da situação, a área afetada não comprometeu diretamente os atrativos turísticos da região, que seguem operando normalmente.

Espécies resgatadas

Durante a operação, foram capturados e transferidos para áreas seguras do rio:

As espécies foram cuidadosamente capturadas e transportadas em recipientes apropriados até trechos do rio com condições de oxigenação e profundidade suficientes para sua recuperação.

Seca recorrente e interferência humana

A repetição do cenário de seca extrema acende um alerta para a situação ambiental da região. Essa é a segunda vez em dois anos que o mesmo tipo de operação precisou ser realizada. Em 2024, cerca de 200 peixes foram resgatados no final de julho, numa ação semelhante. A estiagem prolongada é um dos fatores principais, mas não o único.

De acordo com a Polícia Militar Ambiental, a construção de drenos na cabeceira do Rio da Prata, especialmente no município vizinho de Bonito, tem agravado ainda mais o quadro. Essas intervenções humanas alteram o curso natural das águas, impedindo que o rio mantenha seu nível durante os períodos de seca.

Um relatório elaborado pela PMA foi anexado a um inquérito civil do Ministério Público Estadual, que desde o ano passado investiga as causas da redução do volume de água e os impactos ambientais decorrentes. As conclusões apontam que o impacto das obras nas nascentes e áreas de recarga hídrica têm relação direta com a diminuição do fluxo do rio.

Consequências ambientais e futuro incerto

A situação do Rio da Prata preocupa ambientalistas, pesquisadores e a população local, que vê um dos principais patrimônios naturais da região sendo ameaçado de forma recorrente. A fauna aquática, os ecossistemas ribeirinhos e o turismo sustentável, que depende das águas cristalinas e da biodiversidade, estão diretamente em risco.

A expectativa é de que as investigações do Ministério Público resultem em medidas mais eficazes de proteção e fiscalização, especialmente em relação às construções que interferem na dinâmica natural dos cursos d’água.

Enquanto isso, ações emergenciais como a realizada nesta semana se tornam essenciais para minimizar os danos, mas não resolvem o problema estrutural que ameaça o Rio da Prata. “Estamos fazendo nossa parte para proteger a vida que ainda existe no rio. Mas precisamos de soluções duradouras e de políticas públicas que respeitem os limites do meio ambiente”, afirmou Nisroque Soares.

Preservação é compromisso coletivo

O caso do Rio da Prata reforça a importância da preservação das nascentes, do uso consciente dos recursos hídricos e do combate às intervenções ilegais ou mal planejadas em áreas sensíveis. Sem o equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade, rios como o Prata, que alimentam a cultura, o turismo e a biodiversidade local, podem desaparecer aos poucos.

Para a população de Jardim e Bonito, e para todos que valorizam a riqueza natural do Mato Grosso do Sul, fica o alerta: salvar o Rio da Prata depende da união entre poder público, setor privado, instituições ambientais e sociedade civil.

Confira mais notícias sobre o meio-ambiente em MS no Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini.

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