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Rota Bioceânica poderá ser usada a partir de 2026

Ministra prevê tráfego na ponte entre Brasil e Paraguai mesmo com trechos de estrada de terra; integração impulsionará turismo e exportações

Com 75% das obras concluídas, a tão aguardada Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que ligará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, poderá começar a ser utilizada já no primeiro semestre de 2026. A estimativa foi anunciada nesta quarta-feira (3) pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, durante o evento Rodada de Negócios Brasil–Chile, realizado em Campo Grande (MS).

Segundo a ministra, mesmo que a alça de acesso à ponte ainda não esteja totalmente finalizada, será possível realizar o trajeto com segurança, mesmo em alguns trechos de terra. Isso permitirá que tanto turistas quanto transportadores de cargas possam começar a explorar a rota antes da entrega total das obras de infraestrutura.

“Já no início de 2026, mesmo que a alça esteja incompleta e ainda existam partes sem asfalto, já será possível fazer turismo no Deserto do Atacama e, do outro lado, trazer os nossos vizinhos para conhecer o Pantanal, Bonito e Campo Grande”, afirmou Tebet. Ela destacou que a ponte será um marco na integração sul-americana, facilitando o intercâmbio turístico, cultural e econômico entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Infraestrutura em ritmo avançado

Com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, a ponte é o principal elo físico da Rota Bioceânica, corredor que ligará o Atlântico ao Pacífico por via terrestre, encurtando significativamente o tempo de transporte de mercadorias entre os portos brasileiros e asiáticos, por meio do Chile.

De acordo com informações técnicas divulgadas no evento, os trabalhos estão atualmente concentrados na instalação de grades de proteção e na montagem do carro de avanço, que fará a união entre os dois lados da estrutura. Já foram pavimentados 280 km do trecho paraguaio, entre Carmelo Peralta e Loma Plata, e seguem as obras de asfaltamento entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina.

No lado brasileiro, estão em execução 13,1 km de acessos, conectando a BR-267 até a ponte. Esse trecho, que inclui a construção de quatro pontes intermediárias, enfrenta desafios como a travessia de áreas alagadas, uma das quais exigiu uma estrutura de quase 700 metros de extensão.

Soluções aduaneiras em andamento

Simone Tebet também comentou sobre os entraves alfandegários, tradicional obstáculo em rotas internacionais na América do Sul. Segundo ela, há entendimento com o Paraguai para implementar uma solução de cabeceira única, localizada em Porto Murtinho, o que deve simplificar o trânsito de caminhões e veículos de carga.

“Essa era uma das maiores dificuldades para viabilizar a rota como corredor de exportação e turismo. Agora, com o Paraguai concordando com a cabeceira única, o processo de fiscalização aduaneira será muito mais ágil e menos burocrático”, disse a ministra.

A Receita Federal estima que, após a conclusão da ponte, o fluxo inicial será de 250 caminhões por dia, número que deve aumentar gradualmente conforme o trecho for sendo completamente pavimentado e as operações logísticas se intensificarem.

Investimentos robustos e parcerias internacionais

As obras da Rota Bioceânica contam com forte participação do setor privado e parcerias binacionais. No Brasil, o investimento total é de R$ 474 milhões, executado pelo Consórcio PDC Fronteira, composto pelas empresas Caiapó Construções, DP Barros e Paulitec Construções.

No Paraguai, as intervenções estão sob responsabilidade do Consórcio Tecnoedil e LT Construções, que atua na construção de acessos viários, enquanto a ponte é erguida pelo Consórcio Pybra.

Rodada de negócios reforça integração regional

O anúncio foi feito durante a Rodada de Negócios Brasil–Chile, sediada na Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), reunindo empresários, autoridades políticas e representantes governamentais dos dois países.

Entre os presentes estavam o ministro da Economia, Fomento e Turismo do Chile, Álvaro García; o governador de MS, Eduardo Riedel (PP); o governador da região chilena de Tarapacá, José Miguel Carvajal; a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP); e o presidente da Fiems, Sérgio Longen.

Durante o encontro, foram discutidas oportunidades de negócios em setores como logística, agroindústria, energia, turismo e infraestrutura, com foco na futura operacionalização da rota bioceânica como um novo eixo de desenvolvimento para o Cone Sul.

Impacto para Mato Grosso do Sul

A expectativa é de que Mato Grosso do Sul se transforme em um hub logístico estratégico, impulsionando exportações e atraindo investimentos para a região. Com a ponte em funcionamento e a pavimentação total da rota prevista até o fim de 2026, a ligação entre Brasil e Chile via Paraguai e Argentina deverá reduzir em até 15 dias o tempo de escoamento de produtos para a Ásia, em comparação com o envio pelo Porto de Santos, por exemplo.

Além disso, o setor de turismo também será diretamente beneficiado. A nova rota permitirá viagens de carro até o Oceano Pacífico, cruzando paisagens icônicas como o Chaco paraguaio, a Cordilheira dos Andes e o Deserto do Atacama.

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Autoria: Sarah Pacini

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