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Rota Bioceânica entra nos planos de seis candidatos ao governo de MS

Ponte da Rota Bioceânica será uma das principais ligações entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai - Foto: Williams Souza

Ponte da Rota Bioceânica será uma das principais ligações entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai - Foto: Williams Souza

Propostas vão de infraestrutura e logística a turismo e qualificação; Daniel Lemes e Jeferson Bezerra não citam o corredor

Seis dos oito candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026 incluíram a Rota Bioceânica em seus planos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Embora o corredor internacional apareça como ponto comum entre a maioria das candidaturas, as propostas seguem caminhos diferentes. Há compromissos relacionados a rodovias e logística, enquanto outros planos tratam de turismo, formação profissional, serviços públicos e atração de investimentos.

Daniel Lemes (PCO) e Jeferson Bezerra (Agir) são os únicos candidatos que não mencionam a Rota Bioceânica nos documentos apresentados à Justiça Eleitoral. Entre os seis que abordam o projeto, o nível de detalhamento também varia: alguns apresentam medidas específicas, enquanto outros fazem referências mais gerais à integração regional.

Com mais de 2,4 mil quilômetros, a Rota Bioceânica prevê uma ligação rodoviária entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Em Mato Grosso do Sul, Porto Murtinho será o ponto brasileiro de conexão com o Paraguai. Um dos principais empreendimentos do projeto é a Ponte Internacional da Rota Bioceânica, construída entre o município sul-mato-grossense e Carmelo Peralta, no território paraguaio.

Corredor foi planejado para aproximar os oceanos Atlântico e Pacífico e criar uma alternativa para o transporte internacional de cargas. Entre os objetivos apresentados para o projeto estão a redução do tempo e dos custos logísticos nas operações entre países do Mercosul e mercados asiáticos.

Delcídio propõe atuação sobre estruturas necessárias à rota

Delcídio do Amaral (PRD) concentra seu plano na infraestrutura necessária para que o corredor entre em operação. Entre as medidas citadas está a articulação do governo estadual com a União para viabilizar estruturas consideradas essenciais à ligação internacional.

Candidato menciona a conclusão da alça de acesso da BR-267, o contorno de Porto Murtinho e a estruturação do Centro Unificado de Fronteira. Conforme o documento, essas ações fazem parte da proposta de garantir condições para a operação da Ponte da Rota Bioceânica e ativar o corredor de conexão com o Pacífico.

Renato Gomes aposta em promoção internacional

Economista Renato Gomes (DC) direciona a proposta para a divulgação de Mato Grosso do Sul no exterior. O plano reconhece que os principais investimentos em infraestrutura dependem do governo federal e defende que o Estado avance paralelamente em uma estratégia para atrair visitantes estrangeiros.

Mercados andino, paraguaio e asiático aparecem como focos da iniciativa. Segundo a proposta, ações de promoção internacional poderiam começar nos primeiros 100 dias de governo, sem a necessidade de aguardar a conclusão de toda a infraestrutura do corredor.

Riedel quer integrar rodovias, ferrovias, hidrovias e aeroportos

Eduardo Riedel (PP), atual governador e candidato à reeleição, apresenta a Rota Bioceânica como parte da estratégia logística de Mato Grosso do Sul. O plano prevê a integração do corredor a diferentes meios de transporte, com conexão entre rodovias, ferrovias, hidrovias e aeroportos.

Entre as propostas estão a elaboração e execução do Programa Estadual de Logística e Transportes (PELT) e a consolidação de corredores considerados estratégicos para ampliar a ligação entre regiões produtoras, centros urbanos e mercados consumidores.

Objetivo apresentado pelo candidato é fortalecer a posição de Mato Grosso do Sul na integração comercial do Brasil com outros países sul-americanos.

Trad aponta gargalos e prevê investimentos ao longo do corredor

Fábio Trad (PT) aborda a Rota Bioceânica a partir dos desafios enfrentados pelos municípios localizados no caminho do corredor. O candidato aponta problemas na estrutura rodoviária da BR-060, entre Campo Grande e Porto Murtinho, e defende maior articulação regional para aproveitar os efeitos econômicos da nova ligação internacional.

Plano prevê corredores industriais e centros de distribuição, além de iniciativas para atrair investimentos destinados à produção e exportação de mercadorias de maior valor agregado.

Trad também propõe duplicações e terceiras faixas em trechos considerados estratégicos de rodovias federais, com destaque para a BR-060. Outra medida apresentada é a construção de um hospital regional em Jardim, município localizado no trajeto da rota, para ampliar o atendimento de média e alta complexidade.

Turismo também integra as propostas. O candidato defende aproveitar a conexão terrestre com Paraguai, Bolívia, Argentina e Chile para ampliar a atividade turística na região.

Catan quer evitar que MS seja apenas passagem de cargas

João Henrique Catan (Novo) defende que a Rota Bioceânica produza efeitos econômicos dentro de Mato Grosso do Sul e não funcione apenas como passagem de mercadorias entre diferentes mercados.

Plano inclui adequações na infraestrutura urbana, mobilidade e serviços públicos dos municípios afetados pelo aumento esperado na circulação de veículos, cargas e pessoas.

Catan também propõe direcionar a qualificação profissional para setores como logística, comércio exterior, indústria e serviços. Pequenas e médias empresas do Estado aparecem entre os públicos que, segundo o candidato, deveriam ser inseridos nas cadeias de fornecimento e prestação de serviços criadas pela rota.

Outras medidas citadas são a implantação de sinalização e informações em vários idiomas, a integração dos destinos turísticos localizados ao longo do corredor e a atuação conjunta de forças estaduais e federais em pontos considerados críticos na região de fronteira.

Plano de Lucien faz uma única referência ao projeto

Lucien Rezende (PSOL) aborda a Rota Bioceânica de maneira mais breve. O plano registrado pela Federação PSOL-Rede faz uma única referência às rotas bioceânicas ao tratar da divulgação de obras e programas do governo federal destinados a Mato Grosso do Sul.

Menção aparece no trecho em que a candidatura declara apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e cita, entre as ações federais no Estado, projetos relacionados às rotas bioceânicas, além de programas nas áreas de moradia e saúde.

Apesar de aparecer em seis dos oito planos de governo, portanto, o corredor recebe abordagens distintas entre as candidaturas. Enquanto alguns candidatos concentram suas promessas nas obras necessárias ao transporte de cargas, outros ampliam a discussão para turismo, serviços públicos, qualificação profissional, indústria e participação dos municípios na atividade econômica gerada pela conexão internacional.

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